27/11/2008


O fim dos animais

do Cerrado?


Depende de nós,



L E G I S L A D O R E S...

Em viagem ao Parque Estadual da Mata Atlântica (município de Água Limpa) pude observar quantos animais mortos na Estrada. Só tamanduás-mirim foram dois entre Caldas Novas e Piracanjuba. 

A cada viagem essas observações são surpreendentes. Tamanduás-bandeira, cachorros do mato, rapozinhas, tatus, são vítimas comuns nas estradas. Mas tamanduás-mirim foi a primeira vez que vi. E no mesmo dia dois animais.

Em algumas regiões onde era comum ver esses atropelamentos agora estão até diminuindo os acidentes. Mas é porque justamente os animais estão cada vez mais escassos. 

Os fazendeiros limpam a terra para plantar. Há ainda casos de quem retira até as matas ciliares ou de galerias. Sem lugar para se alimentar, sem água, os animais migram para outras regiões e é neste momento que atravessam as estradas que são mortos por motoristas em alta velocidade.

Os tamanduás são lentos nessa travessia das estradas. E pior ainda é se isso ocorre durante a noite. Ao verem os faróis dos carros eles não andam mais rápido e podem até parar como se estivessem hipnotizados com a luz. Na foto um tamanduá-bandeira adulto no meio da pista. Fiz a foto durante viagem da Semarh ao Rio Araguaia para trabalho de educação ambiental no temporada de praia de 2007. As estradas que ligam principalmente Goiânia ao Rio Araguaia principalmente durante temporada de praia ficam cheias de animais atropelados. O agravante vem com o grande número de veículos que transitam em regiões ainda com matas e animais nativos. Mas no caso do tamanduá não precisa nem ser em regiões de matas já que ele convive bem no cerrado ralo. Então pode estar atravessando em qualquer lugar próximo de seu habitat.

Já tive a experiência de ver um tamanduá-bandeira atravessando na frente de carro que eu dirigia em estrada rumo a Lagoa Santa, em Goiás. É um surpresa interessante vê-lo com o imenso rabo que lembra uma bandeira. Mas difícil também de ver o animal e desviar dele se estiver em alta velocidade principalmente por causa de sua cor cinza. A baixa velocidade que viajavamos possibilitou desviar do animal e admirá-lo enquanto seguiu pelo asfalto e saiu da estrada.

Mas não é difícil também ver mortos nas estradas até veados, lobos, onças, capivaras, porcos-espinho e emas. De volta de Aragarças tive a triste experiência de ver um filhote de capivara no asfalto logo no início da manhã.

Ao lado do Parque Nacional das Emas, em Mineiros, fotografei e filmei em 1994 uma ema atropelada por caminhão. Na época fazíamos o trabalho de coleta de informações para publicação da revista Cerrado - O que você precisa saber para preservá-lo (Veja neste blog a revista completa). A ema seguia com muitos filhotes que continuaram a travessia e conseguiram se salvar. Normalmente o macho cuida dos filhotes e por certo era um macho que ficou dando cobertura para o grupo passar quando foi atropelado. Do lado direito da foto o Parque Nacional das Emas com apenas um cerca de arame que não impede os animais de saírem em busca de comida. Principalmente em períodos de estiagem ou depois de queimadas. Do lado esquerdo da foto um imenso deserto depois de as terras terem sido aradas para o plantio normalmente de monocultura de soja em apenas alguns meses do ano. Na maior parte do ano o solo fica desprotegido atraíndo os animais do parque direto para a morte: morte com sementes envolvidas com agrotóxicos, morte ao atravessar as estradas em busca de comida, morte até mesmo ao se exporem em ambientes sem vegetação mas com ainda carrascos caçadores.

As imagens são chocantes para quem tem um mínimo de sensibilidade com o meio ambiente.

Em viagem de volta de Itumbiara, bem próximo da Usina do Rochedo (Rio Meia Ponte), encontrei esse tucano que deve ter sido atropelado por uma carreta. Mais altas e em alta velocidade, as carretas passam pela BR em lugares que são naturais corredores ecológicos: cheios de árvores, rios, córregos. As aves cruzam a estrada como os animais. Mas o tucanos têm hábitos de atravessarem as estradas com vôos baixos de uma árvore para outra. É muito lindo ver o brilho do sol no bico do tucano nesse momento. Assim até os tucanos e outras aves podem ser atropelados nas estradas. Mais ainda com o aumento do número de automóveis, devastação do cerrado que obriga os animais a buscarem novos lugares.

Essas fotos servem como protesto e alerta para as novas gerações. As atuais gerações estão infelizmente dizimando os animais do cerrado. E não basta ter animais restritos a parques, zoológicos ou empalhados em museus. Eles fazem parte da natureza e têm importância se estiverem na natureza.
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