07/04/2010

RIO DE JANEIRO E AS CHUVAS DE ABRIL

Era manguezal

* Patrícia Moreira Mendonça


O processo de impermeabilização da cidade do Rio de Janeiro e todas as grandes cidades, em geral, em função da expansão desordenada das áreas construídas, gerou consequentemente intervenções urbanísticas que buscam "doutrinar" as dinâmicas ambientais dos recursos naturais instalados na cidade.

Atividades como retificação de cursos de rios, supressão de vegetação de APPs, impermeabilização do solo com asfaltamento e ocupação do uso do solo, dentre outras, promovem a descaracterização e interferência nas dinâmicas naturais.

Precisamos entrar de cabeça em um projeto que contemple a construção de uma cidade realmente sustentável, com a re-naturalização de áreas com função ambiental, tendência já muito difundida na Europa, onde todos os projetos de urbanismo já possuem um olhar acurado voltado às questões de gestão da paisagem ou ecologia da paisagem.

No Rio de Janeiro cito como exemplo a Praça da Bandeira, que era uma área de manguezal, ou seja, ecologicamente é uma área de depósito de sedimentos carreados dos morros e encostas. Com sua vegetação promove a redução da velocidade da água, auxilia na penetração da água no solo para reabastecer o lençol freático, dentre muitas outras funções ecológicas.

Historicamente, recebe as águas do Maciço da Carioca e sempre irá inundar por causa da descaracterização de suas características naturais, que por sua vegetação, tipo de solo e posicionamento geográfico amenizavam os impactos das precipitações de forma natural. Ali era uma localidade que abrigava um grande manguezal, e onde as águas que vertem dos rios do Maciço da Tijuca vão encontrar a Baía de
Guanabara.

O não desempenho da função ambiental da vegetação de manguezal, que existia no local, promove historicamente inundações e prejuízos à
todos. Entender e respeitar as dinâmicas naturais é fundamental para construirmos uma relação sustentada com o ambiente natural urbano.


“... o mau desenvolvimento, na prática, tem se mostrado predatório, penoso e injusto. O progresso, entendido apenas como avanço técnico, material e crescimento econômico, está sendo obtido dentro de um padrão de produção, de consumo, de acumulação e de vida insustentável” (LEFF, 1999).

* Patrícia Moreira Mendonça e Silva é geógrafa, gestora socioambiental - FGV/RJ e mestranda em Ciência Ambiental - PGCA/UFF

.

.

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário