23/04/2011

Consumidor paga
para banir sacolas

O governo de São Paulo e supermercados fizeram acordo para "acabar" com as sacolas plásticas até o fim de 2011 no Estado. Mas participam do acordo até o momento Carrefur, Walmart, Pão de Açúcar/Extra e outras redes menores. A mercearia da esquina, feiras e pequenos comércios estão fora. E não é lei, apenas acordo.

Como alternativa supermercados terão sacolas ecológicas produzidas com "plástico biodegradável" de amido de milho
que serão vendidas no caixa ao preço "promocional" de R$ 0,19 ou sacolas reutilizáveis de pano por "apenas" de R$ 1,80 - imagina o lucro que vai dar. E a promessa é que as "sacolas de milho" se decomponham em dois meses - já enterrei um balão dito "biodegradável" soltado em evento de meio ambiente em Goiânia por quase um ano e não se desintegrou.

Várias cidades no Brasil e no mundo já aprovaram leis determinando a substituição das sacolinhas por outras consideradas ecológicas em farmácias, supermercados, padarias e lojas. Belo Horizonte, em Minas Gerais, fez isso, recentemente, por meio da Lei 9.529/08. Só em Belo Horizonte espera-se redução na circulação de 450 mil sacolinhas a cada dia. Para quem não respeitar a regra a multa será de R$ 1 mil reais ou o dobro em caso de reincidência – com agravante que pode resultar em interdição do estabelecimento e até mesmo cassação de alvará de localização.

Mas será que essa é a melhor solução? Está certo que as sacolinhas poluem o meio ambiente, vão ficar dezenas e dezenas de anos ou centenas e centenas de anos nos lixões e até mesmo nos aterros sanitários sem se decompor. E antes entupirão redes pluviais e ajudarão a piorar as enchentes nas cidades.

No entanto, o Brasil tem vários outros problemas como de falta de tratamento de esgoto que corre a céu aberto, acumula-se em fossas ou vai diretamente para os rios poluindo o meio ambiente, lixões também a céu aberto na maior parte dos municípios e até cidades já exportando lixo para outros municípios porque aterros já chegaram ao seu limite - E já temos muitas leis como Política Nacional de Resídos Sólidos já sancionada.

Sacolinhas oxibiodegradáveis apresentadas também como “solução” não são. Com pouco tempo vão se desfazendo, fragmentando em pequenos pedacinhos que não incomodam tanto quanto uma sacola inteira, mas vão permanecer no meio ambiente, entupir tubulações de esgoto e um dia chegar aos oceanos e matar os animais ou peixes que a ingerirem. E as sacolas chamadas oxibiodegradáveis se tornam muito frágeis em pouco tempo quando não vão mais servir para nada.

Pesquisa da Agência do Meio Ambiente britânica realizada em 2005 e revelada pela imprensa no dia 27 de abril (ainda sem publicação oficial) mostrou que saco plástico (polietileno de alta densidade) causa menos impacto ambiental que ecobags de algodão. E também emitem um terço do gás carbônico emitido pelas sacolas de papel. Seria preciso então que os consumidores utilizassem as sacolas de algodão em todos os dias úteis do ano para que ocorresse um equilíbrio. O estudo mostrou que sacos de papel são normalmente usados apenas uma vez e sacolinhas de algodão acompanham consumidores apenas 51 vezes antes de pararem nos lixões ou aterros sanitários – assim, piores que as sacolinhas do nosso dia-a-dia.

De acordo com a pesquisa britânica o polietileno de alta densidade – PEAD é o que apresentou menor impacto entre as opções de uso individual em nove das dez categorias. Já a sacola de algodão obteve bom desempenho porque se apresentou mais leve. O governo britânico queria saber com as pesquisa qual tipo de saco tem menor impacto ambiental na poluição causada pela utilização de matérias-primas, produção, transporte e eliminação.

A melhor alternativa seria utilizar sacola de algodão ou ecobags por centenas de vezes evitando assim a utilização de milhares de sacolinhas plásticas. Quem assim fizer vai realmente dar sua contribuição na preservação do meio ambiente. Mas para isso é preciso ter sempre uma ecobag em mãos na hora de fazer as compras e também não aceitar as benditas sacolinhas plásticas. Você se lembra sempre de ter uma ecobag na hora das compras?

Mesmo assim ainda é preciso pensar em como reduzir a quantidade de embalagens plásticas dos produtos - alguns têm mais embalagem do que produto. Um sanduiche com um refrigerante no shopping center vem com vários tipos de papéis e plasticos. Come-se o sanduiche e bebe-se o refrigerante mas a metade do volume do produto é embalagem que vai diretamente para a lixeira.

Quase ninguém quer levar um gênero alimentício do supermercado que não esteja embalado até mesmo por questões de higiene e saúde pública. É certo que qualquer alternativa tomada será paliativa já que com o aumento constante da população (por volta de 7 bilhões de pessoas) e do consumo de embalagens vão sempre aumentar também o impacto ambiental. E pior será se não buscarmos minimizar esses impactos no meio ambiente já que temos apenas um planeta e os recursos naturais são limitados.

Portanto, diante da dificuldade de encontrar a melhor alternativa fica para nós, consumidores (neste momento de São Paulo), a solução de comprar as sacolinhas de 19 centavinhos. Para as grandes redes mais um produto e mais lucro como alternativa para a resolução de um problema complexo do mundo moderno, bem distante de quando o homem era caçador e a mulher coletora de frutos - nessa época as embalagens eram cascas ou peles que facilmente se decompunnham no meio ambiente não gerando lixos centenários. Um verdadeiro ambientalista deveria dizer: "Que saudade do tempo das cavernas."

Fonte: EAemGoiás com notícias de jornais


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