18/09/2011

Que Educação Ambiental?

Qual Educação Ambiental?


Valter Machado da Fonseca*

Ao final do século XVIII, o advento da revolução industrial inaugurou um ciclo de inovações tecnológicas que deixou como legado um violento impacto sobre a biomassa, os bens naturais e a atmosfera. Esses efeitos, ignorados nos “anos dourados” do desenvolvimento, apenas nas últimas décadas do século XX seriam apresentados como a problemática ambiental, um conjunto amorfo de fatores que englobam a poluição e degradação do meio, a crise de recursos naturais, energéticos e de alimentos.

partir daí, no bojo da problemática ambiental, surge também a Educação Ambiental (EA), como forma de minimizar os impactos socioambientais gerados pela sociedade do consumo. A EA surge, porém, desconsiderando a análise das reais raízes dos problemas socioambientais da sociedade urbano-industrial. Ela surge, de forma ingênua, defendida arduamente pelas principais correntes do movimento ambientalista. Essas correntes, ingenuamente ou propositalmente, acreditam que é possível reformar os mecanismos, as estruturas do sistema que é, exatamente, o único responsável pelo atual estágio de desequilíbrio ambiental do grande ecossistema planetário. Só que essas correntes ambientalistas se esquecem do principal: a mais-valia e a sustentabilidade são como água e óleo, jamais se misturam, são inconciliáveis. Sob o modelo capitalista de produção, a sustentabilidade socioambiental não se sustenta nem teoricamente.

A grande prova disso é a gigantesca pela qual passa o capitalismo nos dias atuais: na onda da grande crise de 2008, a crise, sem precedentes dos dias atuais, afeta o coração do sistema capitalista [os EUA] deixando o mundo todo em estado de alerta. A crise que começou na Grécia atingiu em cheio a Europa indo desaguar numa gigantesca Tsunami sobre o coração do sistema capitalista: o quintal do Tio Sam. Ístvan Mészáros afirma que as crise cíclicas pela qual passava o capital nos tempos passados foram superadas e que a onda de crises do século XXI é magnificamente muito pior e muito mais grave que as crises cíclicas, pois, agora se tratam de crises estruturais, que atingem os mecanismos e as estruturas internas do capital, corroendo toda a máquina produtiva do capital por dentro, na sua parte interna.

Assim, quaisquer propostas de Educação Ambiental só servirão para reformar um sistema em crise, auxiliando, sobremaneira, na ocultação das verdadeiras razões e motivos da grave crise ambiental global. Neste sentido, pode-se verificar que os grandes grupos financeiros inter/multi/transnacionais [os mais perversos em matéria de desequilíbrio socioambiental] fazem verdadeiras apologias à enorme gama de propostas construídas nas grandes conferências internacionais e que visam à construção da tão propalada sustentabilidade socioambiental. Na verdade, esses grupos agregam um suposto valor ecológico aos seus produtos [dos quais uma grande quantidade possui alta carga poluidora], objetivando aumentar os seus já exorbitantes lucros. Utilizam das propostas de sustentabilidade e de Educação Ambiental como mais uma fonte de mais-valia, pouco se importando com a saúde ambiental do planeta.

Assim caro (a) leitor (a), faz-se urgente que repensemos ações eficazes que auxiliem as populações das mais diversas nações a desmistificar e dessacralizar essas propostas que no fim das contas acabam sendo um eficiente suporte para que o capital justifique sua superprodução e a super-exploração desordenada dos recursos da natureza. É preciso, urgentemente, mostrar a todos os setores da população as verdadeiras raízes da problemática ambiental, sob pena de [num breve período geológico] vermos o nosso planeta azul se transformar marrom, a cor característica das regiões poluídas e desertificadas.

* Escritor. Geógrafo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mestre e doutorando em Educação também pela UFU. Professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com
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