02/11/2011

Terra:

de habitantes e um mundo em ruínas

Valter Machado da Fonseca *

Ontem, o jornal americano “The New York Times”, trouxe em suas manchetes que o nosso planeta atingiu os sete bilhões de habitantes e pode chegar à marca dos dez bilhões até o final do século. Estes dados são significativos, intrigantes e alarmantes, quando realizamos uma reflexão acerca do atual estágio de desenvolvimento econômico, se comparado com o gigantesco desequilíbrio socioambiental que marcou essa primeira década do século XXI.


É notório que o desenvolvimento tecnológico, por um lado, trouxe consigo uma parcela de bem estar social para uma parte da população mundial, mas, por outro lado, trouxe desemprego, terceirização, trabalho informal, sobretrabalho, superexploração e, acima de tudo, miséria e desigualdade social para a parcela majoritária da população mundial. Esta situação de precariedade das “condições de vida da maioria X bem estar social para a minoria” traçou uma linha divisória no globo terrestre. Esta linha separa a concentração da riqueza no Hemisfério Norte, da concentração da pobreza no Hemisfério Sul do planeta.


No hemisfério Sul, observa-se a situação de penúria das populações de grande parte dos países do continente sul-americano, da América Central e do Caribe. Ainda no Hemisfério Sul estão as nações africanas, cujas populações participaram diretamente da produção das divisas dos países ricos, especialmente à época das grandes colônias, via processo de escravização de seus povos. Nas nações africanas em especial, estão as maiores concentrações de miséria no mundo. Isto dá para se observar, com nitidez, em nações como Somália, Etiópia, Uganda, Nigéria, dentre outras, onde a maioria do povo não tem energia sequer para caminhar, para se locomover.


Aliado ao problema da pobreza extrema observam-se as grandes problemáticas ambientais, que emergem neste limiar do século XXI: o aquecimento global, a rarefação da camada estratosférica de ozônio, as grandes alterações climáticas que se manifestam na forma de enchentes, inundações, nevascas, maremotos, furacões, dentre vários outras manifestações climáticas a atmosféricas verificadas, com mais intensidade, neste início de século. Mas, o mais grave de tudo é a superprodução de lixo doméstico, radioativo, hospitalar e industrial produzidos às milhares de toneladas em todos os pontos do planeta. Podemos afirmar que, ao lado da grande crise energética que se avizinha, a superprodução de efluentes sólidos e líquidos, domésticos e industrial, tem sido considerado o maior problema do século XXI. Onde depositar tanto resíduo? O que fazer para frear a superprodução de lixo? Além dos tipos de resíduos citados, somam-se os resíduos espaciais, tais como restos de carcaças de foguetes, sonares, radares, satélites, que giram em torno do planeta Terra. É uma das mais novas modalidades de lixo: o lixo espacial. Nos anos 60 o grande problema que se supunha era a possibilidade da falta de alimentos para a população, hoje, os principais problemas são a crise de energia e a superprodução de resíduos.


Quando verificamos que a Terra atingiu os sete bilhões de habitantes e que não está longe de atingir a casa dos dez bilhões, indagamos: quais serão as condições que as futuras gerações irão encontrar neste planeta? Como elas lidarão com o problema da superacumulação de lixo? Uma coisa é certa, caros (as) leitores (as): neste ritmo o planeta estará mergulhado em montanhas de resíduos e sua população estará mergulhada na fome e na miséria. A grande promessa de felicidade humana no século XXI, que se expressa nos avanços da Terceira Revolução Tecnológica, além de transformar tudo em supérfluo, transformará o ser humano em resíduo humano, em objeto inútil e descartável, que será depositado em gigantescas montanhas, onde o principal rejeito serão as vidas humanas.


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutorando em Educação pela UFU. Pesquisador das temáticas ambientais. Professor da Universidade de Uberaba (Uniube). machado04fonseca@gmail.com

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