31/03/2011

ENTREVISTA / EUROPA - BRASIL
O Cerrado discutido
internacionalmente

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“Vejo uma globalização perversa da soja”

O filósofo e escritor belga Luc Vankrunkelsven está levando a discussão sobre a forma de produção de soja no Cerrado para a Europa e várias outras partes do mundo. No ano passado ele percorreu muitas cidades divulgando seu trabalho no Brasil e partiu com brasileiros para a Europa para ampliar a discussão. Surgiram resultados com o assunto sendo discutido no Parlamente Europeu e a publicação de artigos em jornais de vários países e de diversos autores. Luc Vankrunkelsven diz que não é contra a produção de soja, mas contra o sistema. Ele proferiu várias palestras em Goiânia dentro de um roteiro por várias cidades do Brasil onde combate o consumismo e, principalmente, chama a atenção para o grande consumo de proteínas animais. Ele detalha que para abastecer o mundo com tanta proteína animal é necessária maior produção de ração que, normalmente, vem de soja e milho e gera certos problemas sociais e de meio ambiente. “Sem tarifas não podemos exigir dos brasileiros critérios sociais e ecológicos para produção da soja”, frisa. Leia abaixo entrevista exclusiva a Educação Ambiental em Goiás.

“Os criatórios de peixes explodem no mundo e eles precisam de terra, água e os peixes comem, entre outros, soja”

Wagner Oliveira - O senhor está de volta ao Brasil depois de passar por muitas cidades no ano passado e diz que em 2010 voltou para a Europa decepcionado. Por quê?

Luc Vankrunkelsven - Há um lado otimista porque há muitos projetos, iniciativas com esperança e o povo brasileiro é o povo mais otimista do mundo. Li que os belgas e franceses são os mais pessimistas. Sobre crescimento econômico, os brasileiros são otimistas para o futuro. Mas é uma dinâmica. Não podemos parar porque a população do mundo vai crescer, enquanto a riqueza também cresce e aumenta o consumo de mais proteínas animais. Chineses, europeus e brasileiros comem muita carne. Mas precisa-se de muita terra, água e sol para produzir carne. O avanço do desmatamento no cerrado fez com que eu ficasse muito triste, sim, e não vai parar. Salvamos um pouco a Amazônia, diminuiu o desmatamento. Mas no cerrado o desmatamento é três vezes maior. Por isso voltei triste. Mas venho novamente porque não vou parar, vou escrever e discutir. Mas uma chave crucial para salvar o mundo são as proteínas animais, não só de carne, mas também de peixes. Os oceanos não têm mais peixes. Os criatórios de peixes explodem no mundo e eles precisam de terra, água e os peixes comem soja. Para mim um desafio do século XXI é nossa relação com as proteínas, como vamos comer proteínas? De vegetais ou animais? Não sou vegetariano e posso entrar em muitos lugares. Mas sempre falo sobre esse problema porque é um problema de limites. Nosso planeta é limitado, mas o consumo não é limitado e vai crescendo. É possível alimentar 9 bilhões de pessoas. Mas não com esses dois símbolos emblemáticos da nossa sociedade. Europa e Estados Unidos globalizados agora são o rei carro e o imperador presunto. Não sou contra os dois. Uso carro, mas em Goiânia está crescendo problemas de poluição. Vi nestes últimos quatro anos não só poluição, mas sobretudo congestionamentos. Há quatro anos ainda era possível utilizar carro em Goiânia e agora está horrível.

Wagner Oliveira - Qual alternativa teríamos para os problemas causados por tantos carros, poluição, trânsito caótico? Não há ciclovias suficientes nas cidades nem vontade coletiva de substituir automóveis por bicicletas. Estamos no rumo do caos?

Luc Vankrunkelsven -
Em Brasília, estão começando ciclovias. Há mais de 10 anos começaram em Paris e, nos últimos anos, em Bruxelas. Em 1992, eu era o único entrando em Bruxelas com bicicleta. Agora, há um sistema de bicicletas como em Paris. Tenho bicicleta dobrável para trem, ônibus e metrô. Acredito na combinação de transporte coletivo e bicicleta. Acho mais difícil, no Brasil, porque é um país grande, mas é possível organizar. Até 84% das pessoas vivem nas cidades e é mais fácil organizar em cidades do que no interior.

Auditório lotado na Universidade Federal de Goiás

Wagner Oliveira - O senhor está fazendo palestra sobre pensar globalmente e agir localmente. Como pensar globalmente e agir localmente no cerrado?

Luc Vankrunkelsven – A mudança climática que ocorre no Cerrado não é importante só para o Cerrado como para o mundo inteiro. É importante internacionalmente não só o desmatamento da Amazônia, mas a destruição do Cerrado. Outra coisa é a água. O Cerrado há milhões de anos é berço das águas. As águas do Cerrado correm e são importantes até Buenos Aires, na Argentina, e para o mundo todo. Na nossa campanha na Bélgica “Pensar globalmente, alimentar-se localmente” concentramos-nos para ‘revelar’ o que está escondido: os fluxos de proteínas do outro lado do oceano. Na nossa carne bovina, nosso frango, nossa carne suína há muitos quilômetros escondidos. Quando a vaca está há um quilômetro de minha casa, mas come soja do Cerrado, é como se estivesse a mais de 10.000 quilômetros. Construímos uma fórmula quilômetros/peso (por exemplo, um quilo de carne) para contar os quilômetros e sensibilizar as pessoas. Por exemplo: um copo de café dá muito menos quilômetros. Este café é também importado (por exemplo, do Brasil), mas precisamos somente de dois gramas para cada copo. Precisamos muito mais quilos de soja, água, terra, energia para a soja. Então, não somos contra o comércio. Não somos contra exportação se ela é justa e se importamos o que não temos na região como o café. Mas podem ser também produtos processados e muitos outros do Cerrado (ou da Amazônia). Temos na Europa nossa tarefa de resgatar nossas proteínas e alimentar-nos mais localmente. Vocês também têm essa tarefa no Brasil. Sem sermos fundamentalista nos dois lados do oceano. Sim, é bom gostar da vida, mas se possível, com menor pegada ecológica.


"O salmão da Norwégia é barato no Carrefour na Bélgica porque come 50% de soja do Brasil e 50% de farelo de peixe do Peru"

Wagner Oliveira - Que trabalho o senhor está fazendo na Europa disseminando o que fez no Brasil no ano passado e qual a repercussão?

Luc Vankrunkelsven - Comecei com os livros sobre o Brasil e depois Brasil, Europa e a Soja sempre na minha língua flamengo e também em português. Uma ONG em Paris traduziu o primeiro livro sobre o problema da soja também para francês e português e em página eletrônica na internet é possível ler em diferentes línguas. Nos últimos anos tento tematizar um pouco o cerrado porque todos na Europa conhecem a Amazônia, mas não o cerrado. Em outubro do ano passado convidei o fotógrafo goiano João Caetano e Altamiro Fernandes e entramos no Parlamento Europeu. Depois desse debate escrevi um artigo em inglês e flamengo com dois parlamentares. O artigo em inglês foi publicado no mundo inteiro.

Palestra na Universidade Federal de Goiás

Wagner Oliveira - Mas a repercussão do seu trabalho na Europa, em defesa do cerrado, está sendo boa?

Luc Vankrunkelsven - Sim. Nos últimos meses li artigos nos jornais que falavam sobre desmatamento e a soja. Normalmente só falavam sobre a Amazônia. Agora, falam também sobre o cerrado. Acho que é efeito do nosso trabalho. Em outros países também estão começando a falar sobre o cerrado. Começamos em outubro de 2010 e é multiplicador. Mas temos ainda muito trabalho. Colocamos fotos de João Caetano em página eletrônica e as pessoas podem comprar. Há muito interesse de universidades, escolas, parlamentos.

Wagner Oliveira - A grande discussão deste ano deve ser o novo Código Florestal do Brasil. Há a possibilidade de que leis sejam mudadas permitindo avanço da agricultura no cerrado. Como o senhor vê esse debate principalmente entre ruralistas e ambientalistas sobre a exploração ou preservação do cerrado?

Luc Vankrunkelsven
- Acho muito perigoso. É projeto de lei da bancada ruralista. Eles pressionam muito e também o ministro da agricultura [Wagner Rossi] disse, recentemente, que no Piauí “lá não tem nada. Só cerrado”. Então vemos o problema com mentalidade de ruralistas: vamos salvar a Amazônia, mas o cerrado é nada, não tem valor, vamos plantar soja e cana-de-açúcar.

Agricultor na europa está substituindo soja por colza. Vídeo apresentado por Luc Vankrunkelsven no Centro Cultural Cara Vídeo

Wagner Oliveira - Já existem alternativas que o senhor mostra nas palestras e vídeos. Por que agricultores na Europa estão substituindo a soja por tremoços e colza?


Luc Vankrunkelsven
- E também por gramíneas-trevo, cânhamo, tremoços e outras porque devemos resgatar nossas proteínas e fechar novamente nosso círculo ecológico. Será bom para nossas terras, para fertilidade de nossas terras porque, atualmente, há muita plantação de milho, ligada a importação da soja. No meu último livro Brasil – Europa em fragmentos mostro que, desde os anos 60, quando a soja entrou na Bélgica e Europa, começaram também a produzir o milho. Milho é do México e difícil plantar soja na nossa região, mas é possível plantar milho. Esse sistema milho e soja é muito estreito, não é bom. Queremos diversidade de produtos. Quando viajamos de trem de Bruxelas até o mar vemos só plantações de milho. Queremos mudar essa paisagem. A paisagem da Europa é também quebrada porque perto dos portos só se vê criação de animais: suínos, frangos e outros.

“Dizem que a soja transgênica será com menos veneno, mas está crescendo o consumo de veneno. O Brasil é campeão no uso de veneno”

Wagner Oliveira - O senhor diz que não é contra a produção da soja no cerrado, é contra o sistema.

Luc Vankrunkelsven - Não sou contra, mas temos perguntas. Não podemos continuar porque a terra é limitada. Sempre falo sobre consumo de proteínas animais. Sou contra pelo fato de que 70% da soja é para ração animal e 90% do farelo da soja é para ração animal. E poderia ser uma fonte boa de proteínas e para produção de óleo para consumo humano. Mas o sistema é também um sistema de monocultivo. No Brasil, há também lavouras de soja no sul do país, na agricultura familiar. Quando você tem 24 hectares de agricultura familiar e só 5 hectares de soja orgânica, como há muito no Paraná. No sistema rotativo é outro modelo. Não vou atacar estes modelos. Mas ataco o modelo de 150 mil hectares de Blairo Maggi com monocultivo e que nunca poderá ser sustentável. Este sistema também agora tem muito veneno. Dizem que a soja transgênica será com menos veneno, mas está crescendo o consumo de veneno. O Brasil é campeão no uso de veneno. Tudo é importado, com grande dependência do Brasil, da Bayer, Monsanto, Aventis, de fora do Brasil.
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Daniel Paiva, Wagner Oliveira, Solange Franco, Luc Vankrunkelsven e Altamiro Fernandes

Wagner Oliveira - O senhor apresentou em palestra vídeo sobre a vida dos índios guarani e a expansão da lavoura de cana-de-açúcar no sul do Brasil. Como o senhor vê essa situação em que os índios que produziam seus próprios alimentos, hoje, dependem de cestas básicas para sobreviverem?


Luc Vankrunkelsven -
Cana-de-açúcar e etanol são outras metáforas para falarmos sobre a globalização perversa. Não sou contra a globalização. Mas tenho a soja como globalização perversa. Dizem que biodiesel da soja e etanol de cana-de-açúcar são combustíveis verdes, mas, para mim, não são. Há muitos problemas ecológicos e sociais. Não só para os povos indígenas, mas para pessoas que moram na região, que são expulsas da terra. Mas é mais claro para os povos indígenas como, por exemplo, para os guarani do Mato Grosso do Sul. Em Dourados, há muita fome e muitas crianças já morreram de fome. Adultos fazem trabalho semelhante ao trabalho escravo. É um drama.

“Os Chineses vão investir, até 2018, 7 bilhões de reais para dobrar a produção de soja (agora são produzidos 7,8 milhões de toneladas). Para China vão atualmente 1,5 milhão de toneladas de Goiás e deve subir para 6 milhões. Investimento no Norte e Norte de Goiás. Por isso volto para a Europa novamente triste”


Wagner Oliveira - O senhor procurou o Parlamento Europeu. O que ele pode fazer para que se diminua a devastação no Cerrado?

Luc Vankrunkelsven - É delicado porque cada país tem soberania. Brasil e Bélgica têm soberania. Europeus só podem perguntar e pressionar juntos com o mundo inteiro. Não só a soberania é importante, mas também o cerrado. Mas não podemos dizer que brasileiros têm de parar de plantar soja. Escrevi no meu último livro Brasil – Europa em fragmentos que, em 1962, a importação de soja era de zero tonelada e, agora, chega a 39 milhões de toneladas, sendo 20 milhões só do Brasil. No início era só dos Estados Unidos e dos anos 80-90, com grande avanço a partir de 2001, a grande parte é do Brasil. Devemos mudar esse rumo, devemos pensar nosso consumo de proteínas animais no mundo inteiro. Não só na Europa, China, Japão, Brasil, porque temos só uma Terra. Sempre falo sobre esse dilema. Não sou vegetariano, mas devemos pensar sobre diminuir nosso consumo se queremos salvar o planeta. Devemos resgatar nossas proteínas na Europa e comer menos proteínas animais. Temos essa tradição há muitos séculos, mas a tradição foi quebrada com soja importada e muito barata. Nós, europeus, devemos negociar no contexto da OMC [Organização Mundial do Comércio], defender direito de haver tarifas nos portos para a soja. Há tarifas no Brasil, na África, na Europa, mas há exceção para a soja. Desde 1962, com rodada Dillon do GATT, hoje OMC, a soja entra sem tarifas e sem cota. É impossível para os europeus. Sem tarifas não podemos exigir dos brasileiros critérios sociais e ecológicos para produção da soja. A soja muito barata do Brasil que sai desde 1996 - Lei Kandir é uma lei do agronegócio que possibilita o agronegócio não pagar nada de alfândega no porto quando o produto não é processado ou é semi-processado como é o caso de soja em grão, polpa de eucalypto e outros - sem tarifas no Brasil e na Europa, é sempre mais barata que a soja da Itália, da França. Só é possível plantar soja na França com subsídio do governo da França, que começou no ano passado. A soja do Brasil entra muito barata.

Luc Vankrunkelsven fez pronunciamento na Câmara Municipal de Goiânia e apresentou um vídeo sobre a realidade na Europa
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Wagner Oliveira - Com seu trabalho, esse roteiro todo andando pelo Brasil e também fazendo esse trabalho na Europa, conversando com líderes no Brasil como representantes de órgãos de meio ambiente, essas pessoas todas contatadas e as palestras, que resultados positivos o senhor já visualiza?


Luc Vankrunkelsven -
Minha tarefa é internacionalizar essas descrições e fortalecer no Brasil movimentos e pensadores de universidades. É muito difícil para movimentos sociais aparecer no rádio e na televisão. É possível com este gringo que escreve livros e fala um pouco de português. O mesmo acontece na Europa. Quando convido um brasileiro para falar é mais fácil alertar a imprensa. Convidamos para fazer trabalho no contexto de Wervel. Sou contra muitos vôos e gasto de petróleo por causa do aquecimento do mundo. Mas precisamos um pouco de intercâmbio não só via internet e e-mail, mas nos encontrar uma vez por ano é bom. Porque Monsanto e Bayer se organizam. Devemos também nos organizar. Usamos a internet, mas também devemos usar o avião. Não me sinto com culpa porque uso uma vez por ano e o ano inteiro uso trem e bicicleta. Minha pegada ecológica é grande com o uso do avião, mas seria maior com consumo de carne. O avião contribui com 2,5% do aquecimento do mundo, mas a carne é 18%.

“Monsanto e Bayer se organizam. Devemos também nos organizar”

"Europa e Estados Unidos globalizados agora são o rei carro e o imperador presunto"

Wagner Oliveira - Voltando para a Europa depois de várias semanas no Brasil o que o senhor pretende fazer. Mais artigos, livros, palestras discutindo Brasil e Europa e produção agrícola e consumo?

Luc Vankrunkelsven - Fico mais quatro semanas no Brasil fazendo palestras em várias cidades. Depois volto a Europa e vou terminar mais um livro sobre transição de proteínas e comércio justo. Tenho convites para participar do Festival Internacional de Cinema – FICA, na Cidade de Goiás, em junho, e do Simpósio Ambientalista Brasileiro no Cerrado, em outubro de 2011. Mas não tenho como pagar viagem de avião porque já estou bancando estas viagens agora. Vão ter de pagar para mim. E não sei se é bom para minha pegada ecológica.

Na Câmara Municipal de Goiânia logo após Luc falar na tribuna e apresentar um vídeo. O escritor está ao lado do vereador Mizair Lemes

Altamiro Fernandes acompanhou Luc Vankrunkelsven e até participou das palestras. Abaixo trechos de suas intervenções durante palestra na Universidade Federal de Goiás

"Pessoas começaram a entender
mais a política do bioma
"

“Toda essa discussão que está sendo feita nos órgãos federais, estaduais, municipais e também com a sociedade e com a imprensa tem levado à discussão da defesa do bioma cerrado. Em várias dessas situações que passamos as pessoas começaram a entender mais a política do bioma cerrado, a defender o cerrado com mais ênfase, colocar na pauta de discussão dentro das organizações, dentro dos órgãos o cerrado brasileiro e o meio ambiente. Mas também preocupar com o que está acontecendo com o nosso cerrado. Achei interessante que, em quatro situações que Luc Vankrunkelsven estava participando de entrevistas, as pessoas comentaram o quanto que é interessante ele vir de mais de 10.000 quilômetros de distância fazer a discussão sobre o bioma cerrado e quantos goianos poderiam também levantar essa bandeira para defender o cerrado. A importância de ele estar fazendo esta discussão sobre cerrado no Parlamento Europeu, na Europa, é também mostrar para todos nós, goianos, baianos, paulistas, que estamos no cerrado, a importância de discutirmos e fazermos com que o nosso cerrado seja reconhecido como patrimônio e tenha possibilidade de desenvolvimento sustentável, agro extrativismo, valorização dos frutos do cerrado, como precisamos fazer. É importante a presença de Luc Vankrunkelsven proferindo palestras em Goiânia, Goiás e conversando no Brasil todo sobre bioma cerrado para juntarmos esforços do Brasil e do Parlamento Europeu para colocarmos o cerrado na defesa da política ambiental nacional e internacional como é feito com a Amazônia.” (
Altamiro Fernandes)

Indios guarani que trabalham no corte de cana-de-açúcar: vídeo apresentado por Luc Vankrunkelsven no Centro Cultural Cara Vídeo em Goiânia

"Commodities da soja
ajudam no desenvolvimento"

“Não somos contra a produção de soja. O que o Luc Vankrunkelsven e nós discutimos é o sistema da produção, como ela é produzida. Não somos contra a soja no cerrado porque temos muitas commodities da soja para o Brasil que ajudam no desenvolvimento. Mas a maneira da produção, o resultado que fica é negativo para nós. A commodities fica com as empresas mas o prejuízo é socializado. É privatizado o lucro no sistema produtivo mas é socializado o prejuízo.”
(Altamiro Fernandes)


Vídeo mostra a queima da palha da cana-de-açúcar antes de os índios guarani começarem o corte da cana

"Cerrado é o coração
da humanidade"

“Quando se discute internacionalmente, a Amazônia é considerada o pulmão da humanidade. Então o cerrado é o coração da humanidade. É o coração que faz o bombeamento do líquido precioso do nosso corpo que é o sangue. E é o cerrado que faz o bombeamento do líquido precioso para a sobrevivência humana, que é a água. É do cerrado que vai água para o Norte - Amazônia, para o Nordeste - Caatinga, para o Sudeste - Mata Atlântica, para o Oeste - Pantanal, para o Sul, nosso Rio Meia Ponte agrega a bacia do Paraná, depois do Paraguaia e chega à Argentina. A água do Brasil é bombeada pelo cerrado.” (Altamiro Fernandes)

Indio no corte da cana em péssimas condições de trabalho

Família indígena na carroça e grandes mudanças na vida dos índios

"Cresça a produção e também

a consciência da preservação"

“Não somos contra produzir no Cerrado. Queremos é discutir a ferramenta, o método de produção. Uma propriedade é obrigada por lei ter área de preservação permanente e área de reserva legal. Na produção de soja, cana-de-açúcar para fabricação de álcool, eucalípito, milho e teca - que cresce muito rápido e tem um valor agregado muito grande, a maneira de produzir e tirar toda a reserva de biodiversidade nossa e impedir que a água penetre no solo e alimente as nascentes somos contra. Queremos que cresça a produção e também a consciência da preservação. Queremos agir localmente, mas também discutir globalmente.” (Altamiro Fernandes)


Luc Vankrunkelsven apresenta em suas palestras vídeos que ilustram a realidade na Europa e no Brasil: "Não devemos esquecer que enquanto se produz mais de 220 milhões de toneladas de soja no mundo são cultivadas também mais de 600 milhões de toneladas de milho"


Antes de palestra na Universidade Federal de Goiás Luc Vankrunkelsven concedeu entrevista para Educação Ambiental em Goiás

“Minha pegada ecológica é grande com o uso do avião, mas seria maior com consumo de carne”

O que está por trás do rótulo de soja "responsável"? Detetive porco descobre




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Artigo publicado:

Por que eu escolhi o cerrado do Brasil


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Veja trechos do artigo de Leon Kaye que vive em Los Angeles
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"O Cerrado é uma joia ecológica"
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"Rico em flora e fauna e crucial para as cabeceiras que alimentam o Brasil, com fontes abundantes de água doce, o Cerrado está ameaçada. Enquanto isso, pelo menos de a metade a dois terços do cerrado original foi perdida porque a área é agora importante economicamente por causa da agricultura."
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"O cerrado é um argumento convincente de como equilibrar um mundo."

"Prevejo que o debate só vai aumentar a intensidade à medida que mais pessoas aprendam sobre este complexo ecossistema."



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Links para sites que repercutem o trabalho de Luc Vankrunkelsven:
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Artigo de Luc
Vankrunkelsven de seu último livro (Português):

http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=2561&Itemid=145


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Artigos sobre o Cerrado:


http://www.dewereldmorgen.be/artikels/2010/06/10/brazili%C3%AB-het-bedorven-feest-van-de-cerrado



http://surinaamse-keuken.startpagina.nl/nieuws/ :



http://www.groenkuurne.be/aggregator :


http://kranten-portugal.startpagina.nl/nieuws/ :


http://biologie.startpagina.nl/nieuws/ :


Artigos depois do evento no Parlamento Europeu (Neerlandais):


http://www.wervel.be/soja-themas-71/1217-sluipende-vernietiging-van-braziliaanse-schatkamer-van-biodiversiteit



http://www.vilt.be/Cerrado_valt_ten_prooi_aan_ontbossing_en_monoculturen



http://www.dewereldmorgen.be/artikels/2010/10/28/de-sluipende-vernietiging-van-braziliaanse-schatkamer-van-biodiversiteit



http://www.groenkuurne.be/aggregator



http://www.bartstaes.be/articles.php?id=3232



http://twitter.com/BartStaes/statuses/28889167298



http://www.nieuws.be/nieuws/De_sluipende_vernietiging_van_Braziliaanse_schatkamer_van_biodiversiteit_f157a066.aspx



http://europa.groenlinks.nl/node/55878



http://europa.groenlinks.nl/taxonomy/term/709



http://europa.groenlinks.nl/dossiers/natuur-en-milieu



http://drimble.nl/politiek/groenlinks/1966647/de-sluipende-vernietiging-van-de-braziliaanse-schatkamer-van-biodiversiteit.html



http://www.nieuws.be/Groen!



http://www.headliner.nl/nl/a/groenlinks/



http://www.webcijfers.nl/domein/wervel.be



http://www.dewereldmorgen.be/tags/milieu



http://www.dewereldmorgen.be/tags/brazili%C3%AB



https://www.dewereldmorgen.be/people/luc-vankrunkelsven



http://bloggingportal.eu/reader/all/1288911599/1



http://climateactioncamp.org/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=34&Itemid=56〈=nl



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Parte de artigos depois do evento no Parlamento Europeu (Inglês):


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http://thinkbiodiversity.org/2010/10/27/the-creeping-destruction-of-brazilian-biodiversity/



http://europeangreens.eu/menu/news/news-single/?tx_ttnews%5Bpointer%5D=7&tx_ttnews%5Btt_news%5D=2161&tx_ttnews%5BbackPid%5D=13&cHash=43312f7d89



http://permaculture.org.au/2010/12/01/guardians-of-the-seed/



http://permaculture.org.au/2010/10/30/bio-agriculture-a-solution-to-climate-change/



http://www.chrismartenson.com/forum/future-capitalism-what-comes-next/50205?page=7



http://twitter.com/moodindi/status/9656398161907712



(Observação: Os links s
ão apenas parte da repercussão em sites de vários idiomas. Leia mais nos livros de Luc Vankrunkelsven editados por Cefuria - Curitiba).


Leia também:

(Entrevista anterior de Luc Vankrunkelsven, em português, para Educação Ambiental em Goiás)

Sustentável ou capitalismo verde

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30/03/2011

Subsídios, o principal
combustível nuclear



Publicado em Carta Maior em 02/03/2011
www.cartamaior.com.br


As notícias de Fukushima seguem alarmantes. Nesta semana descobriu-se a presença de plutônio nas instalações danificadas. Ainda assim, os porta-vozes da indústria nuclear seguem insistindo que esta tecnologia é segura, eficiente e competitiva do ponto de vista econômico. O engano sobre a suposta eficiência econômica da indústria nuclear é tão perverso quanto o ocultamento de informação sobre os danos à saúde e a periculosidade desta tecnologia. A realidade é que a indústria nuclear não poderia funcionar se não fosse pelos astronômicos subsídios que recebe. O artigo é de Alejandro Nadal.

Para esconder sua falta de vergonha, os porta vozes da indústria nuclear agora afirmam que todas as fontes de energia têm seus riscos próprios. Assinalar os defeitos alheios para esconder as próprias falhas é um velho recurso retórico. Ele é empregado quando alguém está acuado e é especialmente útil quando os argumentos se esgotaram. Mas é particularmente estúpido quando os erros próprios são expressamente ofensivos e estão à vista de todos.

As notícias desde Fukushima seguem sendo alarmantes. Nesta semana descobriu-se a presença de plutônio nas instalações danificadas, o que indica que o reator 3 (o único em Fukushima que utiliza uma mistura de urânio e plutônio) provavelmente sofreu danos importantes. Isso não surpreende se se leva em conta a violência da explosão de hidrogênio, dia 14 de março, neste reator.

Ainda assim, os porta-vozes da indústria nuclear seguem insistindo que esta tecnologia é segura, eficiente e competitiva do ponto de vista econômico. O certo é que se trata da tecnologia mais perigosa já inventada pelo ser humano. Se hoje existem 442 reatores em operação no mundo, isso não se deve a sua aceitação, mas sim à imposição destes artefatos sobre a população. Participaram deste processo as granas corporações, governos e o establishment militar. Um ingrediente importante nesta manobra foi, desde cedo, a falta de informação. A opacidade se converteu em costume e a mentira em rotina.

O engano sobre a suposta eficiência econômica da indústria nuclear é quiçá tão perverso quanto o ocultamento de informação sobre os danos à saúde e a periculosidade desta tecnologia. A realidade é que a indústria nuclear mundial não poderia funcionar se não fosse pelos astronômicos subsídios que tem recebido ao longo de sua história.

Os subsídios e ajudas econômicas impactaram todas e cada uma das fases de qualquer projeto nuclear, desde as garantias para obter financiamento, a pesquisa científica e tecnológica para desenvolver os componentes medulares desta tecnologia, a construção e a ativação das plantas, o enriquecimento do combustível e desembocam no manejo do lixo nuclear.

Se isso não fosse suficiente, o subsídio mais importante consiste em limitar ou eliminar tal responsabilidade. O objetivo destes subsídios foi retirar ou reduzir a carga de riscos para investidores e transferi-la para os contribuintes.

Todas as plantas nucleares em operação no mundo (incluindo obviamente aquelas instaladas nos Estados Unidos, França, Japão, Rússia e China) foram construídas e entraram em funcionamento graças a importantes subsídios. Claro, em países como França e China, onde a indústria nuclear está intimamente relacionada com um projeto militar, é quase impossível ter acesso à informação sobre subsídios. No México tampouco há dados públicos confiáveis sobre o custo do projeto de Laguna Verde (central nuclear mexicana).

Nos Estados Unidos, com 104 reatores em operação, o montante total de subsídios para indústria foi calculado em aproximadamente 105 bilhões de dólares. A intensidade do subsídio (equivalente ao apoio governamental por quilowatt/hora produzido) chega a exceder o valor comercial do produto em 30% (segundo dados da organização Global Subsidies Initiative). Em seu estudo sobre subsídios para a indústria nuclear, a Union of Concerned Scientists calcula que esses apoios equivalem ou superam em 100% o valor da produção. Vale a pena lembrar que a UCS não é nem pró, nem anti-nuclear.

Um exemplo de subsídios opacos por trás destas cifras é o subsídio por meio de garantias para obter financiamento. Em dezembro de 2007, o Congresso autorizou apoios de até 38 bilhões de dólares para esta finalidade e o Departamento do Estado começou a canalizar fundos em meados de 2008. Para ter uma ideia das magnitudes envolvidas, vale a pena lembrar que em 1995 o Departamento do Tesouro comprometeu cerca de 20 bilhões de dólares para o resgate da economia mexicana (na verdade os resgatados foram os credores estadunidenses que tinham investido em bônus mexicanos).

Por que o setor privado não entra para financiar totalmente os custos associados a esta indústria? Porque os riscos são tão importantes que simplesmente não podem ser assumidos por nenhum plano financeiro. Nos mercados financeiros, os swaps de descumprimento creditício sobre a indústria nuclear provavelmente estariam no segmento superior de encargos financeiros.

A conclusão é imediata. A eficiência econômica das plantas nucleares é inexistente. O corolário disso é que o principal combustível nos cilindros de zircaloy em um reator nuclear não é nem o urânio enriquecido, nem a perigosa mistura denominada MOX. Não, o combustível mais importante é o dinheiro que vem dos contribuintes.

Tradução: Katarina Peixoto

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27/03/2011

O mágico ecológico
Sapequinha


Espetáculo circense gratuito circula por cidades da região Metropolitana de Goiânia

O espetáculo “O Mágico Ecológico e a Bola Sagrada” foi contemplado no edital “Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua – 2010”

O ilusionista e palhaço Sapequinha realizará com sua trupe 10 apresentações gratuitas em turnê pela região Metropolitana de Goiânia, a partir de 10 de abril (domingo). A primeira performance do grupo Sapequinha Trupe Show será dedicada aos moradores da comunidade Shangri-lá, região norte da capital, que é atendida pelo Projeto de Extensão da Universidade Federal de Goiás, Pezinho de Jatobá.

Segundo o artista circense Manoel Alves de Jesus, o palhaço e mágico Sapequinha, o projeto contempla públicos atendidos por iniciativas governamentais e não governamentais de inclusão social, que mantêm interface com a educação ambiental. “O espetáculo está aberto a todos que quiserem assistir, mas para potencializar a ação educativa do projeto, buscamos grupos que vêm trabalhando a questão do meio ambiente no dia-a-dia”, explica Sapequinha.


Até o mês de maio, o espetáculo também poderá ser visto em Aparecida de Goiânia, Terezópolis, Bonfinópolis, Trindade, Anápolis e Senador Canedo, sempre no final de semana. O projeto de circulação do espetáculo O Mágico Ecológico e a Bola Sagrada conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Funarte, Casa da Cultura Digital e da Comissão Dominicana de Justiça e Paz – Brasil: “Um grito pelos direitos”.


Circo, ilusionismo e ecologia


O Mágico Ecológico e a Bola Sagrada é um espetáculo interativo de mágicas de média e grande ilusão, repleto de surpresas, reflexão e muita comicidade. Sem pronunciar uma palavra, o mágico ecologicamente correto se utiliza de pantomimas clássicas, se apropriando de gags do circo tradicional associadas às técnicas do circo contemporâneo. “Ao longo do espetáculo, o mágico vai demonstrando como cada pessoa pode contribuir, com gestos simples, para a preservação ambiental do nosso planeta”, conta o artista.


O tradicional lenço branco do mágico foi trocado por uma ordinária sacolinha plástica, inúmeras vezes reciclada. A garrafa PET cria mistérios que fazem a platéia refletir sobre o tempo de decomposição dos resíduos sólidos. A água que desaparece em cena ganha conotações alarmantes do processo de desertificação da Terra.


Sapequinha chama atenção para o fato de que a maioria dos aparelhos de ilusionismo utilizados no espetáculo foram inovados e adaptados. “O Mágico Ecológico optou por materiais reciclados, preservando os efeitos e o glamour dos aparelhos clássicos da indústria ilusionística”, revela. De acordo com Manoel Alves de Jesus, a ideia deste espetáculo nasceu do aprofundamento da pesquisa realizada para desenvolvimento das adaptações e inovações do número de ilusionismo “Bola Sagrada”, premiado no Edital Bolsa Funarte de Incentivo à Criação ou ao Aperfeiçoamento de Números Circenses - 2008.


Programação - Turnê Região Metropolitana


10/04 – Goiânia (Comunidade Shangri-lá/UFG)


16/ 04 – Goiânia (Circo Laheto)


23/04 - Aparecida de Goiânia (Núcleo Seu Jaime da Fundação Pró-Cerrado)


17/04 – Bonfinópolis (Ponto de Cultura)


23/04 – Teresópolis (Praça pública)


24/04 – Trindade (Ponto de Cultura)


30/04 – Aparecida de Goiânia (Madre Germana II, Rua de Lazer da ASSISMAG)


01/05 – Senador Canedo (Praça pública)


07/05 – Anápolis (Nova Praça)


24/05 – Goiânia (7ª Semana de Cultura e Cidadania da PUC-GO)


Texto: Larissa Mundim (zeroum comunicação)

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