18/11/2012

Dia 20 de novembro:
Terno de congada Azul e Pedro Cassimiro (já falecido) no 1º Encontro de Congada em Goiânia - Praça da Igreja Matriz em 15 de maio de 2005 

           dia da consciência de todos os oprimidos

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
Neste 20 de novembro de 2012 é chegado o momento de outra reflexão sobre o Dia Nacional da Consciência Negra. Como acontecem todos os anos nesta data, existem duas formas distintas de reflexão acerca do significado simbólico deste dia. Existem aqueles que acreditam ser uma data comemorativa, festiva, com farta distribuição de bombons, flores e homenagens individuais, enfim, apenas mais uma data festiva, objetivando o aquecimento do comércio. Porém, por outro lado, há outros que acreditam que a data seja um momento propício para os debates em torno do significado de “liberdade” e, portanto, a data demanda uma reflexão aprofundada dos caminhos e lutas (sempre árduos) para se conquistar o “estado de liberdade” plena, condição sine qua non para a construção da essência da consciência plena dos indivíduos em ser, num mundo em que a maioria simplesmente se contenta em estar.    
É essencial que salientemos que a liberdade é um estado de consciência plena dos indivíduos, decorrentes das ações práticas desses sujeitos em um mundo real e habitado por seres reais, inseridos também numa vida real, na qual os sujeitos estão sempre em interação plena, mediada por relações socais. Então, daí pode-se concluir que o ato de ser no mundo é totalmente adverso ao estado de simplesmente estar nesse mundo. 
A condição de ser neste mundo se complexifica ainda mais quando nos defrontamos com um mundo que, a cada dia, se torna mais artificial, sintético, onde os valores morais e éticos (aqui não me refiro à ética edificada pela sociedade capitalista) vêm sendo, sistematicamente, substituídos pelos valores vazios, superficiais, etéreos, alicerce das práticas consumistas da sociedade moderna. Nesta direção interpretativa, concluímos que liberdade não é algo palpável, sólido, não se encontra à venda e nem pode ser medida pelos valores e o marketing do consumismo, marcas indeléveis desta sociedade do supérfluo e do descartável. Ao contrário, a liberdade é um estado abstrato, subjetivo e que leva à sensação de realização da essência do ser social do indivíduo que vive e convive com outros indivíduos, num mundo mediado por relações humanas.
Assim, este dia 20 de novembro constitui-se num momento privilegiado, altamente significativo, para questionarmos nossa própria consciência de ser ou simplesmente estar nesse mundo regido pelo controle, normas e essência da mais-valia capitalista. Então, a cada dia que passa mais necessário se faz uma reavaliação e novas reflexões acerca do estado de consciência plena necessário para se atingir essa tal liberdade. Faz-se preponderante que reavaliemos nossas ações num diálogo aberto, franco e fraterno com nossas próprias consciências. E, infelizmente, nem todos possuem a coragem suficiente para realizar este diálogo, pois, em grande parte das vezes, sua consciência já não mais habita em seu corpo, em sua própria matéria 
Então, caros (as) leitores (as)! A nossa luta deve se dar tanto num patamar externo, contra as injustiças, os preconceitos e discriminações, como em sua dimensão interna, contra a opressão que nós mesmos nos impomos, de forma extremamente dolorosa em nossa própria essência, em nossa própria consciência. É preciso que tomemos a dosagem certa de cuidado para que bem no fundo de nossa essência, de nossa própria consciência, não estejamos abrigando, refugiando ou escondendo os valores que mantém vivo o monstro da opressão de nós mesmos e de nossa própria espécie. Faz-se urgente que prendamos o monstro da opressão e libertemos os milhares de zumbis que habitam nosso íntimo, se, de fato, queremos atingir a tal sonhada liberdade.  



* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), professor e pesquisador da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com 
 

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