28/02/2013

A Terra e o Cosmos
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Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*

A Terra é um planeta do sistema solar, como idade de, aproximadamente, 4,5 a 5,0 B.A. (bilhões de anos). Esta idade foi calculada tomando-se por base dois métodos de pesquisa científica: o primeiro refere-se à comparação e análise de fragmentos de corpos celestes (meteoritos) que atravessam a atmosfera terrestre e atingem a superfície de nosso planeta. Estes achados, oriundos de fragmentos de corpos celestes, nos fornecem importantes informações, principalmente no que se refere à composição química e mineralógica desses materiais, quando comparados aos fragmentos rochosos encontrados naturalmente em nosso planeta.
O segundo método de pesquisas e investigação acerca da idade de nosso planeta refere-se ao método denominado de “Meia Vida” dos elementos químicos. Por intermédio desse estudo é possível datar de uma maneira bastante eficaz, as rochas e demais estruturas geológicas que compõem o planeta Terra. Conhecendo-se as formações geológicas mais antigas do planeta, temos uma idade aproximada do próprio planeta. Mas, o que vem a ser o método da “Meia Vida” dos elementos químicos? Já é comprovado pela ciência que toda rocha possui partículas radioativas e partículas orgânicas, ou seja, estas últimas compostas de carbono (C). Tanto as partículas radioativas, quanto as orgânicas têm a propriedade de perder elétrons. Os elementos radioativos e orgânicos, ao perderem elétrons se transformam em outros elementos químicos. E, esta transformação de um elemento químico em outro leva milhares de anos para se processar. Ora, ao examinarmos um fragmento de rochas à luz da microscopia eletrônica temos a percentagem de elementos (radioativos e orgânicos) que se transformaram em outros pela perda de elétrons. Usando esta percentagem multiplicada pela quantidade de anos necessários para a transformação de certos elementos químicos em outros, temos a idade do fragmento da rocha.
Este método foi desenvolvido graças aos estudos acerca da “Meia Vida” dos elementos químicos desenvolvidos por Boltwood (1905). Os elementos químicos radioativos mais utilizados nestes estudos são o Urânio de peso atômico 238 (U238) e o Chumbo de peso atômico 206 (Pb206). Para saber a idade dos fósseis ou dos compostos orgânicos, o mais utilizado é o carbono de número atômico 14 (C14). As pesquisas sobre a meia vida dos elementos químicos radioativos presentes nas rochas da crosta terrestre levaram à conclusão que a idade aproximada do planeta Terra está entre 4,5 a 5 bilhões de anos.
Mesmo com a idade na casa dos bilhões de anos, para a Geologia trata-se de um tempo geológico relativamente curto, pois ela trabalha com o tempo geológico na casa de dezenas de bilhões e trilhões de anos, quando trata do estudo sobre a idade de corpos celestes (estrelas e planetas especialmente). Assim, em tempo geológico, podemos considerar a terra como uma “jovem senhora”. Neste sentido, ela (a Terra) terá pela frente ainda mais um punhado de bilhões de anos de existência, antes de se tornar um planeta morto. Este tempo, com toda a certeza, é mais que suficiente para o ser humano pensar e repensar sobre as interferências maléficas que já fez e sobre as ações que ainda fará sobre o planeta, se é que ele não vá se extinguir enquanto raça neste planeta, antes que ele faça as reflexões necessárias sobre sua breve (porém altamente prejudicial) estadia no sistema solar.
  *Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE).
machado04fonseca@gmail.com
 
Foto: ESA/Hubble & Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin (ESA/Hubble) com montagem de foto da Terra da Nasa
 
 
 

Um comentário:

  1. Obrigado para a entrada maravilhosa, o Dr. Fonseca. É verdade, o nosso planeta é uma jovem e foram são, mas uma raça infantil sobre ele. Podemos explorar todas as suas partes, com tantos instrumentos (contadores Geiger, aceleradores, espectrofotômetro) que a nossa idade relativa não importa.

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