24/01/2013



Uso mais racional é a melhor saída para se evitar a crise anunciada de energia elétrica no Brasil

Cláudio Orlandi Lasso*

Mesmo com as fortes chuvas em pontos localizados do país, nos últimos dias temos acompanhado as notícias dos baixos níveis dos reservatórios de diversas usinas hidrelétricas do Brasil,. Vimos também os altos preços dos combustíveis fósseis que alimentam as termelétricas, e os diversos apagões que têm ocorrido em diferentes regiões do país. Paralelamente a tudo isso, a economia vem crescendo modicamente e o governo brasileiro reduziu em 20% a tarifa de energia elétrica, o que deverá fomentar o consumo. A conjunção de todos esses fatores pode ser o anúncio de uma nova crise de energia elétrica no Brasil, com possibilidade inclusive da ocorrência de um apagão regional, ou até nacional.

Para mitigar os riscos desta crise anunciada, seria interessante que São Pedro mandasse mais chuvas para as regiões das bacias hídricas, onde estão instaladas as usinas hidrelétricas. Mais importante, ainda, seria que as concessionárias de energia elétrica aplicassem mais recursos para a manutenção e ampliação dos seus sistemas para melhor atender à demanda crescente. Finalmente, seria importante também que o governo fizesse a sua parte, acompanhando e planejando adequadamente o crescimento da oferta e da demanda de energia elétrica do país.

Conforme o Operador Nacional do Sistema (ONS), que é o órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), desde 2005 a demanda de energia elétrica vem crescendo com índice maior do que a oferta. Fica claro perceber que, por conta deste déficit acumulado e crescente, era prevista uma grande crise energética para o ano de 2010. Isso só não ocorreu “graças” à crise econômica mundial de 2009, que freou o crescimento do país, dando tempo para que o governo finalizasse a construção de diversas usinas termelétricas, que são hoje bastante estratégicas para o país.

  Embora sejam bastante poluidoras, as usinas termelétricas estão espalhadas por todo o Brasil. Muitas delas são acionadas diariamente por um período de apenas três horas, para suprir o aumento da demanda no horário de ponta, período entre 18:00h e 21:00h, momento em que a maioria dos brasileiros chegam a suas casas e começam a consumir mais energia elétrica: acendem luzes, ligam suas TVs e, principalmente, vão tomar seus banhos, predominantemente, de chuveiro elétrico.

Infelizmente o governo ainda não despertou para a maior causa da anunciada crise energética, o Desperdício, e muito menos para uma interessante e simples solução de parte deste mal. Muitos investimentos têm sido feitos pelo governo no sentido de buscar maior eficiência energética, tanto na geração, como no transporte, na distribuição e uso final da energia elétrica, mas realmente ainda são poucos, se comparados com os de outros países mais desenvolvidos, principalmente no que diz respeito ao consumo da energia na ponta. Para se ter uma idéia, um chuveiro elétrico ligado na posição quente equivale ao consumo de aproximadamente 100 lâmpadas de 60W ligadas ao mesmo tempo.

Investir em eficiência energética é muito mais barato, inteligente e sustentável (em diversos aspectos) do que investir em novas fontes energéticas. Ora, se é público e notório que o chuveiro elétrico é o grande vilão do consumo energético residencial, e que este equipamento está presente na grande maioria dos lares das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões estas mais populosas e de maior consumo de energia do país, o governo teria que desenvolver políticas públicas dedicadas à redução deste consumo.

O chuveiro elétrico é o eletrodoméstico de menor custo de aquisição em uma residência, mas, por outro lado, é o que diariamente mais consome água e energia elétrica. Sabe-se também que o produto tem enorme potencial de eficientização, sendo facilmente controlável. Hoje existem acessórios que promovem economias de mais de 40% de energia para o chuveiro elétrico, como é o caso do Rewatt (R$ 460,00) e do ECO Shower Slim (R$ 128,00), este último ainda economiza mais de 40% de água, é de fácil instalação (não usa instalação hidráulica), não precisa de limpezas periódicas, tem mais de dois anos de garantia e pode ser comprado em 12 vezes no cartão pelo site: loja.ecoshower.com.br

A instalação desses acessórios apresenta interessante relação custo-benefício, pois se paga em poucos meses de uso. Se aplicados em massa, poderão criar diversos pequenos “pulmões energéticos”, que permitirão ao governo postergar investimentos, reduzir custos e evitar apagões, muitos prejuízos, e conseqüências atreladas. 

* Cláudio Orlandi Lasso é engenheiro eletricista e fundador da KL Telecom e o artigo está sendo publicado a pedido)

Ecoshower na mídia




17/01/2013

Micro-climas ou
"ilhas de calor" 
.
Tarde de sol na Rodovia Goiânia a Brasília durante queimadas próximas a estrada

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
As “alterações climáticas” têm sido tema de importantes debates nos tempos presentes, principalmente no momento em que são registradas temperaturas cada vez mais altas em todos os locais do planeta. Estes eventos climáticos têm aumentado de intensidade, em especial a partir da segunda metade do século XX e, agora, no início do século XXI vem ganhando contornos de grande gravidade, em função de uma série de ações antropogênicas sobre a natureza e seus recursos. Grande parte dessas anomalias climáticas se deve à retirada desmedida das vegetações em áreas essenciais para o equilíbrio do grande ecossistema planetário. Aliado à remoção das fitofisionomias dos mais diversos biomas, ocorrem, ainda, a intervenção antrópica sobre os recursos hídricos, solos e atmosfera, aumentando exponencialmente o grau de drasticidade desta problemática. Nas cidades, o fenômeno das anomalias climáticas fica ainda mais evidente, em função da remoção da vegetação urbana, do aumento exorbitante dos veículos automotivos e das atividades industriais. Podemos dizer que esta série de ações humanas sobre o espaço urbano constitui o escopo da problemática socioambiental urbana. Um dos efeitos mais nocivos desta onda de ações inconsequentes no espaço urbano é o que denominamos micro-climas ou “ilhas de calor”.

Mas, o que vem a ser os micro-climas ou “ilhas de calor”, afinal? Podemos dizer que são anomalias climáticas da era moderna. São mudanças climáticas urbanas pontuais, geralmente associadas à urbanização desordenada, fruto da retirada da vegetação, plantios de monoculturas de exportação, em especial a cana-de-açúcar. É notório e cientificamente comprovado que as vegetações estão diretamente associadas ao processo de refrigeração do planeta, ao aumento da umidade do ar e, consequentemente, à manutenção da estabilidade do regime de chuvas. Além de estarem associadas aos processos da dinâmica climática, as vegetações também têm influência direta sobre a fertilidade dos solos, à manutenção da biodiversidade e à estabilidade dos níveis dos corpos d’água de superfície (lagos, rios, córregos, riachos e ribeirões).

Os micro-climas ou “ilhas de calor” são formados especialmente a partir da remoção das vegetações (fitofisionomias) de praças, avenidas, ruas jardins, áreas verdes municipais e do entorno das cidades. A retirada destas formações vegetais provoca o aumento localizado (pontual) da temperatura em diversos locais das cidades e dos centros urbanos. O fato é muito comum em grandes centros urbanos e em locais onde existem grandes cultivos de monoculturas para exportação, a exemplo da cana-de-açúcar. Estas anomalias pontuais já são bastante percebidas em cidades como Ribeirão Preto, Ourinhos, Sertãozinho, Uberaba, Conceição das Alagoas, dentre outras, onde há a predominância deste tipo de monocultura. Nestes locais pode-se perceber nitidamente a diferença de temperatura entre as áreas arborizadas e não arborizadas, entre áreas onde as formações vegetais foram removidas em função das monoculturas e áreas onde estas fitofisionomias foram preservadas. Às áreas que sofreram o desequilíbrio climático recente, dão-se o nome de áreas de micro-clima ou “ilhas de calor”.

A ocorrência dessas anomalias climáticas urbanas pontuais serve como elemento de reflexão altamente significativo acerca da importância do planejamento urbano ambiental correto e eficiente. Se a retirada pontual da vegetação pode provocar a mudança da temperatura em determinado ponto isolado, imaginem vocês o que ocorrem em locais onde existem atividades antrópicas intensas sobre os recursos florestais, a exemplo dos grandes desmatamentos, da retirada das formações vegetais que compõem as matas ciliares, da remoção das vegetações que protegem as nascentes dos corpos d’água? Além de provocar as “ilhas de calor”, as remoções inconsequente das formações vegetais ainda provocam o aumento das pragas e a superpopulação de animais peçonhentos, em função do desequilíbrio ambiental promovido nas cidades devido a estas práticas. Neste sentido, o homem deve repensar, urgentemente suas ações sobre o uso e manejo corretos do solo urbano sob pena de, em curto espaço de tempo, transformar as cidades em locais inabitáveis e impróprios para se viver, sintomas que já se fazem altamente perceptíveis nos tempos presentes.      



* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com

15/01/2013

A produção de energia e 
a má distribuição das chuvas

Pôr-do-sol com chuvas em Goiânia captada hoje por http://www.facebook.com/ary.soaresdossantos

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca *

O temor do racionamento de energia, como acontece em quase todos os anos, é um dos assuntos preferidos pela mídia neste início de 2013. Isto acontece, em primeiro lugar, porque o Brasil é altamente dependente da energia hidrelétrica, ou seja, da energia gerada a partir do potencial hidrológico de nossos corpos d’água de superfície. Os rios brasileiros possuem grande potencial hidráulico para a geração de energia devido ao grande volume de águas que eles comportam. No território brasileiro estão localizadas as maiores bacias hidrográficas do mundo. Vale destacar a bacia hidrográfica amazônica (a maior do mundo), a bacia do Paraná, a bacia do São Francisco, do Rio grande, dentre outras. Podemos definir uma bacia hidrográfica como a área formada a partir do complexo hidrológico formado pelo rio principal e seus tributários (afluentes). Todo corpo d’água de superfície possui um bacia de drenagem e uma bacia de inundação.
E por que, mesmo apesar de às vezes acontecer grandes volumes de precipitações pluviométricas (chuvas), os reservatórios continuam com níveis abaixo do normal? Isto se deve a diversos fatores, como por exemplo: (a) chuvas muito rápidas e concentradas, geralmente são ineficientes para aumentar o volume dos rios e encherem os reservatórios. Pois, este tipo de precipitação pluviométrica escorre muito rapidamente pelo solo, não havendo prazo suficiente para a infiltração da água no solo, o que impede o aumento dos níveis dos lençóis freáticos que irão alimentar os corpos d’água. (b) as chuvas localizadas nas regiões intermediárias das bacias hidrográficas. Estas precipitações também são ineficientes, pois, não atingem as zonas de recarga dos corpos d’água e escorrem superficialmente não aumentando os níveis dos rios, córregos e ribeirões. Então, para que o volume de precipitações seja suficiente para elevar os níveis dos corpos d’água, elas têm que ocorrer nas regiões e locais corretos, isto é, elas têm que atingir as zonas de recarga dos mananciais: cabeceiras dos rios córregos e ribeirões, áreas rebaixadas das bacias de drenagem, áreas de recargas como os subsistemas de veredas, etc.
Então, muitas vezes volumes excessivos de chuvas não significam aumento dos volumes dos rios e dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Além de ser essencial o volume correto de precipitações, faz-se necessário que ele ocorra nas regiões e locais de alimentação das zonas de recarga dos corpos d’água. Neste sentido, as precipitações têm que ser abundantes, frequentes e num ritmo gradual, permitindo a infiltração constante de água no solo, de maneira a manter o abastecimento do lençol freático.
Outros fatores que têm agravado o volume, ritmo, velocidade, frequência e localização correta das precipitações são os impactos antropogênicos sobre os sistemas aquático-terrestres. Ou seja, a ação desordenada do homem sobre as matas ciliares (muitas vezes removendo totalmente estas vegetações), os impactos sobre os rios e demais corpos d’água de superfície por intermédio de atividades de mineração de areias e cascalhos, provocando o assoreamento desses mananciais, a remoção das vegetações das cabeceiras dos rios, córregos, ribeirões e riachos e /ou remoção das vegetações das nascentes desses corpos d’água. Então, aliada aos fatores naturais que incidem sobre os tipos e volumes das precipitações, a ação antrópica desordenada do homem sobre os recursos hídricos e vegetações a eles associados têm provocado diminuições drásticas no volume, velocidade, ritmo, quantidade, localização e frequência destas precipitações.
Diante do exposto, torna-se preponderante que o homem tome ciência dos cuidados que deverão ser despendidos no trato com os recursos da natureza, pois, a água potável tem se transformado em recurso raro e, quem sabe, dentro de pouco tempo haveremos de pagar caro por nossa irresponsabilidade, por meio de um desequilíbrio letal no ecossistema terrestre, o que poderá provocar um desequilíbrio ambiental sem retorno, colocando em risco a continuidade de inúmeras espécies de seres vivos e dentre elas, o próprio ser humano.          


* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com

Alterações climáticas 
e crise energética
Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca *
Novamente vem à tona a discussão sobre racionamento de energia, em decorrência da má distribuição das precipitações pluviométricas nesta transição dos anos 2012/2013. Como sempre, procura-se uma explicação meramente técnica para o mesmo problema recorrente com cada vez mais frequência. Em um artigo que escrevi já faz algum tempo,  abordei a crise de energia juntamente com a crise da super-geração de resíduos sólidos, frutos do aumento exponencial da superprodução industrial visando à aceleração do ritmo, da velocidade e da quantidade de mercadorias buscando o atendimento dos mercados consumidores, cada vez mais vorazes.
Ora, para se realizar com critérios e honestidade este importante debate, faz-se preponderante levantar os principais aspectos e elementos que permeiam a discussão desta temática. A superprodução de mercadorias necessárias ao atendimento dos mercados inter/multi/transnacionais exige cada vez mais recursos naturais. Por sua vez, a transformação destes recursos da natureza (matérias-primas) em mercadorias demanda, no mesmo ritmo e mesma frequência,  maiores quantidades de energia, sem a qual é impossível a realização de quaisquer atividades humanas. Por outro lado, a superexploração dos recursos da natureza promove um violento impacto socioambiental sobre o planeta, causando desequilíbrios em importantes setores e elementos vitais para o equilíbrio do ecossistema planetário, bem como para a própria manutenção do bem estar do conjunto de seres vivos que mantêm a cadeia trófica do planeta Terra.
Pois bem! Dentre os diversos fatores e elementos atingidos encontra-se um recurso fundamental, vital, para o equilíbrio dos ecossistemas, da cadeia trófica e para a própria continuidade da vida no planeta: a água. A ação desordenada e descontrolada do homem sobre os recursos hídricos tem promovido uma séria de impactos de grande magnitude sobre este recurso fundamental para a manutenção de todas as formas de vida existentes no grande ecossistema terrestre. Embora, o volume total de água se mantenha constante devido ao “Ciclo Hidrológico”, a quantidade de água potável (própria para o consumo dos homens, animais e vegetais) tem diminuído significativamente.
E o que tem a água a ver com a crise energética? Ora, o Brasil depende majoritariamente da energia hidrelétrica para a maior parte de suas atividades econômicas e industriais. Acontece que este tipo de energia é produzido a partir do potencial hidráulico dos nossos corpos d’água de superfície, ou seja, nossos principais rios, os quais dependem exclusivamente do regime de chuvas para manterem seu potencial hidrológico. Então, quaisquer anomalias climáticas de maiores envergaduras irão influenciar para baixo ou para cima o potencial hidrológico de nossos corpos d’água, isto é, pouca chuva irá significar pouca água nos reservatórios; pouca água nos reservatórios significa baixa capacidade de produção de energia elétrica nas turbinas das usinas, portanto, os baixos índices de precipitações pluviométricos irão determinar os picos de crises na produção das hidrelétricas.
Na verdade, a ação humana desordenada sobre os recursos da natureza têm acelerado as crises constantes de produção de energia, uma vez que a remoção da vegetação influencia, diretamente, no regime de chuvas, em decorrência da diminuição da evapotranspiração que auxilia no aumento da umidade do ar e, dessa forma na formação de nuvens. Ao remover as diversas formações vegetais em função da urbanização desordenada e/ou da expansão da fronteira agrícola, especialmente em função do cultivo de monoculturas de exportação, o homem influencia de forma negativa para o desequilíbrio dos índices de precipitações pluviométricas. Com a retirada das grandes formações vegetais, das matas ciliares, das vegetações que protegem as nascentes dos corpos d’água, o homem contribui de forma definitiva para o aumento exponencial das anomalias climáticas. Assim, embora seja natural, em diversas ocasiões, a diminuição das chuvas, o ser humano pode ser decisivo para aumentar o ritmo, a frequência e a diminuição drástica do volume de precipitações pluviométricas. Caso o homem mantenha este ritmo frenético de impactos violentos sobre os recursos naturais, muito em breve ele poderá secar, de forma irreversível, nossos principais corpos d’água superficiais, ocasionando um desequilíbrio letal em toda a cadeia trófica do grande ecossistema planetário.       


* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com





01/01/2013

Biodiversidade evita pobreza

Matéria publicada pelo jornal Estadão no dia 28 de dezembro com título original Biodiversidade ajuda a evitar pobreza mostra resultados de um estudo

Análise de dados do Banco Mundial relativos a 139 países mostra que doenças tropicais são um 'fardo econômico'

LOS ANGELES - O Estado de S.Paulo

Um novo estudo, com base na análise de dados do Banco Mundial relativos a 139 nações, diz que certas doenças infecciosas e parasíticas exercem influência significativa no desenvolvimento econômico e respondem por discrepâncias na renda per capita entre as populações de países tropicais e temperados. Os pesquisadores, em artigo na revista Public Library of Science (PLoS) Biology, também sugerem que ecossistemas saudáveis, com grande diversidade de plantas e animais, podem diminuir a transmissão dessas doenças.

Embora economistas reconheçam que doenças como a malária e o amarelão possam frear o desenvolvimento econômico, "permanece um intenso debate sobre a importância relativa do peso das doenças em geral nos padrões globais de riqueza e pobreza", diz o artigo, assinado pela equipe liderada pelo economista e ecologista Matthew Bonds, do departamento de saúde global e medicina social da faculdade de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

O estudo, além de considerar como as diferenças na latitude se relacionam com doenças e pobreza, analisou outros quesitos que influenciam a economia, como o bom funcionamento das instituições governamentais, legais e econômicas. Para isso, usaram de estatística para avaliar a importância relativa de vários fatores e concluíram que "doenças parasíticas e transmitidas por vetores afetaram sistematicamente o desenvolvimento econômico". "Também mostramos que o fardo trazido por essas doenças é determinado por condições ecológicas", escreveram.

Segundo os especialistas, o estrago causado por essas doenças aumenta com a perda de biodiversidade. Isso porque moléstias como malária e doença de Lyme necessitam de hospedeiros, que aumentam de número com a queda na população de predadores ou competidores - por exemplos, populações de roedores crescem muito quando não há corujas para comê-los.

"Nosso estudo também mostra que a biodiversidade impulsiona o bem-estar econômico ao impedir surtos mais graves de doenças", afirmou Andrew Dobson, coautor do trabalho e médico infectologista da Universidade de Princeton. / LOS ANGELES TIMES

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,biodiversidade-ajuda-a--evitar-pobreza-diz-estudo-,978262,0.htm