08/11/2008

ENTREVISTA COM
FREDERICO LOUREIRO
PROF. DR. (UFRJ-RJ)


Educador ambiental:

"Precisa articular-se

com outros

movimentos sociais"



“Desenvolvimento na órbita dessa sociedade não é possível ser sustentável”

Uma das palestras mais esperadas do I Congresso Goiano de Educação Ambiental realizado em Goiânia de 15 a 18 de outubro foi a do professor doutor Frederico Loureiro. Ele falou sobre Tratado de Educação Ambiental para sociedades sustentáveis – histórico e trajetória (Leia o tratado no final desta entrevista). Um palestrante atencioso que não se cansa de responder perguntas. Após a palestra desceu e ficou ao lado da mesa atendendo a todos que o procuravam. A entrevista com ele só foi possível depois, mas Frederico continuava disposto. Ao final perguntou: “Você vai publicar tudo que falei?”. Foi dada a garantia de que seria na íntegra porque a entrevista buscava realmente era conteúdo. E partes nem sempre mostram como é o todo. A entrevista abaixo concedida ao educador ambiental Wagner Oliveira, Semarh-GO, teve perguntas também de Fernando Aparecido de Morais, aluno de mestrado na Universidade Federal de Goiás (UFG). As respostas de Frederico Loureiro valem boas reflexões. Confira.

Congea I - Como está atualmente o tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis?
Frederico Loureiro -
Ele ainda é pouco conhecido. Temos um movimento forte, até por força de como ele foi incorporado na política nacional, de levar essas discussões. Não é o documento em si o principal, mas as idéias, as concepções que estão contidas no tratado para levar essa discussão no geral para a sociedade como um todo de modo que possamos avançar na discussão relativa à educação ambiental. Ainda é muito precária essa discussão e conhecimento do próprio documento, mas há avanços sim e incorporações disso em certos setores ligados à educação ambiental.

Mais de 1200 participantes do I Congresso Goiano de Educação Ambiental

Congea I - Como é a história desse tratado?
Frederico Loureiro - Começa antes de 1992. Ele é aprovado na jornada internacional como um momento de culminância simbólica e política, mas é fruto de toda uma discussão de educadores, educadoras ambientais, populares, ambientalistas que estavam preocupados já com o avanço das discussões da educação ambiental. Que educação ambiental se queria? Ou pelo menos em linhas gerais o que se pretendia para educação ambiental? Todo esse esforço, um conjunto de pessoas, associações e grupos feitos no final dos anos 80 e início dos anos 90, é que culminou na estruturação desse documento aprovado em 1992.

“Quantas pessoas que falam da reforma do pensamento que conhecem a LDB?”

Congea I - Depende de que para dar resultados?
Frederico Loureiro - Depende daqueles que conhecem esse processo, dos grupos que concordam com o seu teor de mostrar como ele está presente na construção da política nacional de educação ambiental no país. Muita gente se quer faz essa relação. Quando as pessoas começarem a entender que todo esse esforço feito, que culminou no tratado, tem uma implicação direta nas diretrizes e princípios da educação ambiental, isso já vai ajudar bastante a entender a discussão do conteúdo do tratado. É preciso fazer isso nos eventos que estão começando a acontecer mais. Precisamos fazer isso nas universidades, nas esfera de governo para se ter clareza do que se quer com o tratado e com os princípios que estão contidos nele e na política de educação ambiental.

Congea I - Que Estado está mais avançado hoje no Brasil em relação à educação ambiental. Rio de Janeiro está mais avançado do que Goiás?
Frederico Loureiro - Difícil dizer porque é preciso analisar vários aspectos. Em termos de construção e consolidação de políticas públicas é uma dimensão. De inserção em movimentos sociais é uma outra discussão. De inserção no ensino formal é outra questão. No processo da gestão ambiental é outra. Isso vai variar muito em função de Estado. Tem Estado que avançou na institucionalização, mas não tem ainda uma mobilização e um conjunto de pessoas efetivamente mobilizadas para essa questão. E há outros lugares completamente inversos que já têm movimentos sociais envolvidos, formas de organização da sociedade civil envolvida, academia discutindo bastante, mas que ainda não está amadurecido dentro da própria estrutura de Estado. Isso vai muito da característica de cada lugar. Estado como o Rio de Janeiro, que não tem uma tradição ambiental forte, que os governos tinham uma tradição profundamente refratária, você tem um acúmulo da discussão importante, sinalização de avanços agora na atual gestão. Mas tem um passivo atrás muito ruim que dificulta a consolidação da educação ambiental lá.

“Tem de se trabalhar na dimensão da valorização do sentido simbólico do cerrado. Mas é preciso também trabalhar na esfera política e econômica. Educação ambiental que não trabalhe com isso, associada à discussão dos valores, fica muito fragilizada”

Congea I - Que momento da educação ambiental estamos vivendo hoje no mundo e no Brasil?
Frederico Loureiro - O Brasil tem um papel enorme de protagonismo, de liderança nas discussões relativas à educação ambiental. Educação ambiental tem hoje uma penetração mundial. O nome educação ambiental ou variações disso. Mas o Brasil, a América Latina de forma geral, tem uma potencialidade muito grande porque ela introjetou de um modo mais efetivo e com uma discussão mais longa essa relação dos aspectos sociais com os aspectos ecológicos Strictu sensu. Esse modo de pensar educação ambiental que não dissocia o social do ecológico se dá de forma muito mais plena, muito mais avançada em termos da qualidade de trabalhos e acúmulos de discussão na América Latina do que em outros continentes.

“Atuar na esfera política e econômica é mostrar que o avanço sobre o cerrado não é um avanço qualquer. É o avanço do agronegócio, dos interesses de um determinado padrão industrial e agrícola que precisa ser enfrentado”

Congea I - O Cerrado está sendo degradado cada dia mais sem nem mesmo conhecermos toda a potencialidade desse bioma. Como deve ser a educação ambiental no cerrado?
Frederico Loureiro - Dois elementos fundamentais precisam ser contemplados. Primeiro trabalhar no plano dos valores do simbólico. O cerrado tem inclusive um sentido bastante pejorativo no imaginário das pessoas, não tem um sentido da importância que ele tem quanto elemento ecossistêmico e da vida como um todo. Tem de se trabalhar na dimensão da valorização do sentido simbólico do cerrado. Mas é preciso também trabalhar na esfera política e econômica. Educação ambiental que não trabalhe com isso, associada à discussão dos valores fica muito fragilizada. Atuar na esfera política e econômica é mostrar que o avanço sobre o cerrado não é um avanço qualquer. É o avanço do agronegócio, dos interesses de um determinado padrão industrial e agrícola que precisa ser enfrentado. E o processo educativo tem de explicitar as contradições e conflitos que emergem desse modelo de desenvolvimento que está imposto sobre o cerrado para que possamos garantir qualidade de vida, sustentabilidade no sentido mais pleno e a preservação do cerrado visto em outro patamar que não seja pejorativo.

“O desenvolvimento sustentável desta sociedade não existe. Não vejo possibilidade de você tornar sustentável aquilo que por definição é excludente”


Congea I - É possível desenvolvimento com sustentabilidade?
Frederico Loureiro - Desenvolvimento na órbita dessa sociedade não é possível ser sustentável. O simples avançar de uma sociedade que se pauta na expropriação, na acumulação de riqueza, na apropriação privada do que é gerado pela sociedade traz em si como lógica estruturante de suas relações elementos de desigualdade e elementos de dissociação entre sociedade e natureza. O desenvolvimento sustentável desta sociedade não existe. Não vejo possibilidade de você tornar sustentável aquilo que por definição é excludente e é profundamente utilitário do que a natureza pode oferecer a nós como possibilidade de vida e a própria perpetuação da vida. A sustentabilidade tem de ser procurada em outro patamar de sociedade e não nesta.

Congea I - O que seria a mudança de paradigmas tão falada quando se discute educação ambiental?
Frederico Loureiro - Paradigma está sendo utilizado em um sentido bem amplo. Em termos de rigor teórico não é exatamente como está sendo falado. Está sendo falado no sentido de mudança de visão de mundo, de atitude, comportamento, do seu modo de ver e se relacionar com o mundo. Precisamos de novos paradigmas, sem dúvida nenhuma. Mas é preciso entender que isso não se dá só porque a gente quer algo novo. É preciso entender o que são os paradigmas vigentes. Por que eles se tornaram hegemônicos? E como se tem de atuar na prática para poder romper com isso e ser capaz de pensar o mundo de uma forma diferente, mas principalmente de ser diferente no mundo.

Congea I - Temos no Brasil leis ambientais bem desenvolvidas em relação a outras partes do mundo. Mas cobra-se muito políticas públicas.
Frederico Loureiro - A política pública não envolve só o aspecto legal. Ela se traduz em um conjunto de ações que estão pautados por princípios definidos em lei. Isso significa uma ação que é garantida por força do arcabouço institucional do Estado, mas que tem de ter a ampla participação da sociedade na construção. Para ser uma política pública efetivamente democrática significa que ela tem de resultar de amplas discussões da sociedade como um todo. Ela tem de ser instituída via Estado para garantir a universalização daquilo como um direito a todos. Por isso que muitas vezes fala-se que há leis, mas não há políticas públicas. Não tem porque a lei não se traduziu na construção de um plano de ações, de definição de prioridades estratégicas coletivamente e que isso tenha se traduzido na universalização daquele princípio como um direito para todos. Aí fica só o papel pelo papel.

Congea I - Quem deve fazer a mudança? O governo, a sociedade, cada um de nós?
Frederico Loureiro - Cada um de nós e todos ao mesmo tempo. Não temos de esperar que o governo faça, mas também não podemos cair na ilusão de que somente a gente fazendo no nosso dia a dia resolve. Temos de fazer no nosso dia a dia e atuar politicamente para criar instituições, institucionalidades, políticas públicas que materializem aquilo que a gente sonha e faz no nosso dia a dia.

“Não adianta querer inserir uma educação ambiental diante de todo um arcabouço que é feito exatamente em sentido contrário”

Congea I - Participantes desse I Congresso Goiano de Educação Ambiental são enfáticos. Vários professores foram ao microfone e cobraram educação ambiental que funcione, não seja feita somente de forma romântica. Estamos fazendo educação ambiental de forma romântica?
Frederico Loureiro - Bastante. Para quem está com a mão na massa, na ponta do processo, principalmente numa escola pública, escola que passa profundos conflitos, profunda miséria, você vê que nesse sentido pejorativo da palavra não adianta ficar idealizando relações harmônicas de relação enquanto o mundo real não sinaliza para isso. Para a educação ambiental conseguir construir isso ela tem de enfrentar esses desafios que estão postos e não adianta ficar idealizando algo que não se vê no dia-a-dia. Quem está na ponta vê claramente a situação das crianças, o descaso do poder público. Ela sente que é preciso enfrentar essas discussões. Fazer um apelo de salvamento do planeta, de amor à vida que não contemple esse tipo de prática, de superação dessa situação de dominação, de exclusão que temos no país.

“Esse momento de tensionamento, de profundo questionamento, profunda dúvida, mas de uma certeza que precisa ser diferente pode ser entendido como uma crise ambiental”

Congea I - Estamos vivendo uma crise em relação a meio ambiente e educação ambiental?
Frederico Loureiro - Crise sempre tem um elemento muito subjetivo no entendimento do que é a crise. Há um movimento muito contínuo de transformação, de embates históricos. Se você for observar ao longo da história sempre se diz que está em crise, precisamos ir adiante. O que se pode caracterizar como crise neste momento é que efetivamente veio a público a discussão sobre o modo como vivemos e, como se estrutura na sociedade, se isso é compatível com a perpetuação da vida no planeta como um todo. Esse questionamento posto estabelece uma crise no sentido que estabelece uma série de tensionamentos em relação ao que de fato é feito e ao que de fato entendemos que precisa ser superado para garantir essa sustentabilidade. Esse momento de tensionamento, de profundo questionamento, profunda dúvida, mas de uma certeza que precisa ser diferente pode ser entendido como uma crise ambiental. Mas lembre-se sempre que crise é definida segundo esses nossos critérios de entendimento do mundo. Então muitos podem não estar vendo como um momento tão decisivo assim. Nós é que é em função de uma série de conceitos, estamos considerando que esse momento é extremamente crucial para garantir até de forma mais imediata nossa própria espécie.

“É preciso dar uma dimensão mais política aos eventos”

Congea I - É importante a realização de eventos como congressos ambientais mesmo que no final sejam preparados documentos e nem sempre levados à prática, cumpridos pelas partes.
Frederico Loureiro - É preciso dar uma dimensão mais política aos eventos. E precisa o educador ambiental articular-se mais com outros movimentos sociais que não sejam estritamente vinculados à questão ambiental. Todos os eventos são extremamente válidos porque permitem uma forma de se aglutinar pessoas, conversarem, conhecerem-se, trocarem idéias. Isso sempre enriquece, significa avanços. Mas é preciso em cima disso definir claramente nos eventos quais são as intencionalidades do próprio evento. Essas discussões têm de culminar em algo que permita uma intervenção mais clara. Culminar em algo que permita que as pessoas vão amadurecer certas discussões em termos teóricos e práticos. Que esses eventos dialoguem com movimentos sociais outros que estão na base dos problemas maiores da nossa sociedade que precisam mostrar qual é o tom ambiental dessas discussões para nós mesmos. Mostrar o que efetivamente está acontecendo no país. E com eles construirem estratégias de luta social mais efetivas na sociedade civil e perante o próprio governo visando a mudar estruturas do Estado rumo a outra coisa mais sustentável. Nesse ponto acho fundamental um diálogo mais próximo com movimentos de reforma urbana, com movimentos de atingidos por barragens ou sem-terras, movimentos de quilombolas ou seringueiros. Uma diversidade muito grande de lutas sociais que expressam as contradições da sociedade e que precisam ser entendidas no próprio âmbito da educação ambiental para que possamos ter um resultado mais prático e efetivo dos próprios eventos.

“É preciso que a educação ambiental entre de vez na discussão da política de educação. Enquanto formos apenas um apêndice, um objeto quase que externo à política de educação, não tem saída”

Congea I - Há duas décadas tínhamos cenas constantes na tv de Cubatão “mergulhada” em fumaça de fábricas. Lixo atômico jogado no mar. Mudanças já são conquistas, avanços da educação ambiental?
Frederico Loureiro - Avanços não são só resultado da educação ambiental, mas da necessidade de se incorporar a questão ambiental por diferentes setores que nem necessariamente discutam a educação ambiental. Porque se viu que aquilo se tornava inviável para o próprio processo econômico instaurado. À medida que você vê que governos e empresas passam a adotar parâmetros ambientais significa uma nova consciência de que não dá para se fazer simplesmente como se fazia destruindo tudo. Isso representa avanços, sem dúvida nenhuma, mas parece que ainda é insuficiente porque ainda se faz dentro de uma lógica que não assegura uma sustentabilidade plena.

“Precisamos estar mais nesses espaços. Falamos muito entre nós e não vamos discutir nos fóruns próprios onde efetivamente a decisão política ocorre e a destinação orçamentária é dada”

Congea I - Discute-se muito a educação na prática, educação na formação continuada. Nas graduações, como essa formação poderia ser trabalhada de forma mais articulada?
Frederico Loureiro - O que falta na discussão da educação ambiental é entender a natureza da questão da fragmentação. Primeiro no sentido da sociedade mais ampla, como ela se organiza, leva efetivamente essa fragmentação. E segundo como essas instituições educacionais se organizam e obviamente têm relação com a própria sociedade. Nesse processo da discussão temos de entender como é que o conhecimento vai sendo delimitado e que tem a ver diretamente com disputas de poder, de quais áreas são mais legitimadas numa sociedade do que outras. Podemos observar que na universidade temos ciências e disciplinas dentro dessas ciências que são valorizadas mais do que outras. Significa carga horária diferente, sobreposição. Tem de se ver as disputas internas dentro do próprio campus. Significado, conteúdo. Conhecimento priorizado em relação a outros. E você tem de ver a relação funcional desses processos de formação com o mercado que leva efetivamente a uma ruptura num sentido humanista de formação, uma formação reflexiva num sentido instrumental. Aí está o maior problema porque organização curricular exige delimitações. No sentido transdiciplinar ele não é contrário ao sentido de delimitação. Delimitação você tem de ter em termos organizacionais e de objeto. A questão é que isso é posto num modo absolutamente estanque porque isso reproduz essa lógica de poder que está na sociedade. E reproduz esse interesse de sobrepor o aspecto instrumental ao aspecto reflexivo, humanista. Precisamos pensar essas relações mais amplas para entender como se pode romper garantindo as delimitações necessárias do conhecimento, mas permitir o diálogo em tom mais igualitário, mais justo e o próprio redefinir dessas delimitações ao longo do tempo. Para isso é preciso que a educação ambiental entre de vez na discussão da política de educação. Enquanto formos apenas um apêndice, um objeto quase que externo à política de educação, não tem saída. Não adianta querer inserir uma educação ambiental diante de todo um arcabouço que é feito exatamente em sentido contrário. Adianta no sentido de que avançamos, temos conquistas, mas temos de entender que a precarização desse processo é muito grande porque não estamos fazendo as discussões nos fóruns específicos de política da educação, de política de currículo no país. Precisamos estar mais nesses espaços. Falamos muito entre nós e não vamos discutir nos fóruns próprios onde efetivamente a decisão política ocorre e a destinação orçamentária é dada. Aí fica complicado. Como se faz reforma universitária e cadê o educador ambiental na discussão de reforma universitária? Quantos educadores ambientais vimos no país fazendo a discussão de reforma universitária?

“A precarização do processo é muito grande porque não estamos fazendo as discussões nos fóruns específicos”

Congea I - Seria a reforma do pensamento?
Frederico Loureiro - Precisaríamos é participar da discussão de que universidade, que perfil de universidade se quer no país. Não se participa dessa discussão e depois vai reclamar que o conhecimento é fragmentado na universidade. E participando desse processo é que se fazem esses grupos que a princípio não têm a categoria ambiental como uma das categorias centrais também começar a incorporar. Já participei de discussão com vários sindicatos profissionais da educação e quando você coloca no modo como eles pensam eles entendem que o que eles estão fazendo tem a ver com discussão ambiental. Agora quando não é posto em diálogo e quando o ambiental não é posto num sentido mais completo aí há resistência de fato. Aí parece que são duas coisas separadas. Discutir a política de educação ambiental diferente da política de educação, diferente da política de currículo não dá porque realizamos educação ambiental nas instituições.

Congea I - O sr. vê essa questão como está hoje como utópica?
Frederico Loureiro - Vejo. Porque se fala muito no plano formalista de dizer que o conhecimento é fragmentado. Acessamos um conhecimento que está posto de forma fragmentada. Organizamos nossos pensamentos dessa forma. Precisamos sair desse ponto para um ponto complexo, integrador, etc. Mas não se avalia as condicionantes, por que se pensa de forma fragmentada, quais são os processos sociais que geram a fragmentação e nem está pensando quais são os processos políticos que podem fazer esse pulo de qualidade. Fica só no sentido formalista. Ou seja: é assim, eu não gosto de que seja assim, eu quero que seja assim. Mas e daí cara pálida?

“Querem jogar o ônus na população tradicional que vive ali. Como se ele fosse o culpado: o pescador, o quilombola. Ele nunca afetou aquilo. Vem o modelo industrial urbano capitalista e destrói tudo e diz que não pode deixar essas pessoas ali porque vão destruir”

Congea I - A mesma coisa que as práticas conservacionistas da educação ambiental. Não se questiona o antes.
Frederico Loureiro - É. É importante conservar isso aqui. Mas por que só sobrou isso aqui. Querem jogar o ônus na população tradicional que vive ali. Como se ele fosse o culpado: o pescador, o quilombola. Ele nunca afetou aquilo. Vem o modelo industrial urbano capitalista e destrói tudo e diz que não pode deixar essas pessoas ali porque vão destruir. Porque exatamente não vêem os condicionantes, as causas históricas que resultam nisso. Quantas pessoas que falam da reforma do pensamento que conhecem a LDB? Precisaríamos fazer essa pergunta para quem fala de reforma do pensamento. Perguntar se conhece como foi construída a LDB no país. Quais eram as forças em disputa? Você conhece quais eram os projetos de LDB que existiam e por que esse foi o que ganhou? Você conhece a proposta de reforma universitária do governo e conhece qual é a proposta de reforma universitária do movimento docente? Quantas coisas foram vetadas? Quantas coisas foram negociadas? Aí começamos a entender. Como atuo nisso?

O tratado de Educação Ambiental está no site do WWF.


Trabalho da Comissão de Comunicação e Imprensa do I Congea
Contato:
Wagner Oliveira - Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - Semarh
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