01/03/2011

Cerrado: complexo de biomas

Artigo publicado no site da Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Botânica, Biotaneotropica chama a atenção para definirmos corretamente o termo cerrado. Intitulado O cerrado não é um bioma, o artigo de Batalha M.A. foi publicado em 31 de janeiro de 2011. Educação Ambiental em Goiás destaca abaixo trechos do artigo. As fotos de cerrados que ilustram esta postagem não fazem parte do artigo mas são da Chapada dos Veadeiros, Serra de Caldas Novas, Brasília, Parque Nacional das Emas e Cavalcante - terra dos Kalungas.

“Para sermos coerentes com toda a literatura internacional e usarmos o conceito de bioma acuradamente devemos considerar o cerrado sensu lato como formado por três biomas: o campo tropical (campo limpo), a savana (campo sujo, campo cerrado e cerrado sensu stricto) e a floresta estacional (cerradão).” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]

“Dois conceitos importantes para serem definidos acuradamente são os de “cerrado” e de “bioma”. Da maneira como vem sendo usado no Brasil, o conceito de bioma adquiriu erroneamente uma conotação florística. Usado dessa maneira errônea por biólogos, não por acaso passou a ser usado equivocadamente por um público mais amplo, como agências governamentais e organizações não governamentais. Hoje em dia, esse erro está enraizado.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]


“Dajoz (1973, p. 280) escreveu que “[...]o bioma é um agrupamento de fisionomia homogênea e independente da composição florística.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]

“Sendo assim, dos diversos conceitos de bioma apresentados, podemos ressaltar alguns pontos que são comuns e se sobressaem: 1) o conceito de bioma é fisionômico, isto é, leva-se em conta a aparência geral da vegetação, resultante do predomínio de certas formas de vida; 2) o conceito de bioma é funcional, isto é, levam-se em conta aspectos como os ritmos de crescimento e reprodução; 3) o conceito de bioma não é florístico, isto é, a afinidade taxonômica das espécies que aparecem em várias unidades de um mesmo bioma é irrelevante; 4) o conceito de bioma é delimitado pela vegetação, mas engloba além dela, toda a demais biota; e 5) o conceito de bioma é aplicável à Terra como um todo e não a esta ou àquela região.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]

“Para sermos coerentes com toda a literatura internacional e usarmos o conceito de bioma acuradamente, devemos considerar o cerrado sensu lato como formado por três biomas: o campo tropical, a savana e a floresta estacional.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]

“Assim, dentro do domínio do Cerrado, além do cerrado como tipo vegetacional dominante, há outros tipos vegetacionais, como a floresta ripícola, o campo rupícola, a floresta estacional semidecídua, a floresta estacional decídua, o campo úmido, entre outros. Cada um desses tipos vegetacionais tem sua flora característica e daí a razão de distingui-los. No caso do cerrado em particular, dada a sua grande variação fisionômica, encontramos não um, mas sim três biomas. Isso tem implicações práticas e imediatas para a conservação.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]


“Assim, podemos usar a palavra “cerrado” em três sentidos: 1) Cerrado, com a inicial maiúscula, quando estivermos nos referindo ao domínio fitogeográfico do Cerrado, incluindo não só o cerrado sensu lato, mas também os outros tipos vegetacionais que ali se encontram; 2) cerrado sensu lato ou simplesmente cerrado, quando estivermos nos referindo ao cerrado enquanto tipo vegetacional, isto é, do campo limpo ao cerradão – aqui há um complexo de biomas, bioma dos campos tropicais, das savanas e das florestas estacionais; e 3) cerrado sensu stricto, quando estivermos nos referindo a uma das fisionomias savânicas do cerrado sensu lato.” [Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop.]

Para ler o artigo completo acesse:
Batalha, M. A. O cerrado não é um bioma. Biota Neotrop. Jan/Mar 2011 vol. 11, no. 1 http://www.biotaneotropica.org.br/v11n1/pt/abstract?article+bn0XX11012011 ISSN 1676-0603.


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