que eterniza a
avifauna do mundo


Arara vermelha e arara-canindé empalhadas e prontas para serem conduzidas para mais museus. Aves e animais que morrem em zoológicos ou criadouros são conduzidos para o professor que prepara as peças para exposição ao público. Importante oportunidade de conhecer de perto a riqueza principalmente da avifauna do cerrado que vai perdendo espaço com a expansão da agricultura e pecuária.
Conheça o trabalho científico
e educativo de José Hidasi

Professor Ifjú Vitéz Hidasi József Péter (José Hidasi) nasceu em Makó, na Hungria, em 9 de maio de 1926. Aos 83 anos é pioneiro na educação ambiental

“O educador ambiental pode mostrar que não tem medo dos animais, respeitá-los e utilizar as novas tecnologias para fazer seu trabalho de educação ambiental”, diz José Hidasi.

Hidasi exibe o menor beija-flor do mundo Zun zuncito Mellisuga helenae, coletado em 1906, como um troféu. Ele conseguiu a espécie em uma das suas muitas viagens de coleta e pesquisa. Assim foi formando museus que hoje são muito importantes no trabalho de educação ambiental.

Antes chamado de gavião real, o Harpia harpyja é hoje tão raro na natureza que José Hidasi sente orgulho de pousar ao seu lado. E as crianças adoram ver a ave, perguntar como vivia, onde foi encontrada.

O Quetzal é tão raro quanto belo e ave sagrada dos Astecas e Maias. É ave símbolo da Guatemala de cor verde esmeralda com reflexos dourados.

O tucano é um exemplo de beleza brasileira que impressionou José Hidasi. Exemplares tão belos são cada vez mais raros na natureza e os estudantes podem ver de perto como é a ave estudada por cientistas para desenvolver aviões mais leves e mais resistentes, já que o bico do tucano é muito leve e extremamente resistente.

Milhares de estudantes de escolas de Goiânia e do interior de Goiás já visitaram o antigo Museu de Ornitologia. Hidasi recebia todos com os olhos brilhando. Nada como falar do que mais gosta para quem tem interesse em ouvir, aprender e se encanta com as belezas da natureza.

O professor acompanha os visitantes mostrando as peças, suas características, onde foram coletados, hábitos alimentares e sempre frisando a importância de preservação das espécies para que não sejam extintas na natureza.

Muitos como este faisão não são raridades, mas são representantes da beleza das aves que encantam os homens há milhões de anos. Acredita-se que as aves dominam os céus há cerca de 210 milhões de anos.

Ornitólogo estuda aves. E nisso José Hidasi se destacou. Empalhou espécies encontradas facilmente no cerrado de décadas atrás como arara-canindé, arara vermelha e papagaios. Em Goiânia, hoje, é algo incomum ver um casal de araras sobrevoando a cidade ou em alguma propriedade rural próxima. Elas se afastam dos grandes centros.

Animais que morrem nos zoológicos ou nas estradas são “eternizados”, como sempre diz o ornitólogo, com as técnicas de taxidermia.

Centenas de colégios, milhares de crianças ouviram o professor discorrer sobre os animais, sobre como vivem e sobre a própria vida do cientista e educador ambiental na busca de manter exemplares das espécies para serem conhecidas pelas novas gerações.

O tamanduá-bandeira Myrmecophaga-tridactyla é um dos que mais morrem atropelados nas estradas. Lento e de pouca visão, ele atravessa as estradas e não raramente para no meio do asfalto ao ver o farol dos carros.

Tatu-galinha Dasypus novemcinctus. O tatu é descendente do animal pré-histórico Gliptodonte - que viveu na era terciária, há 60 milhões de anos, hoje extinto. O tatu galinha não está extinto, mas também morre atropelado nas estradas. José Hidasi recolheu muitos desses animais e aqueles que puderam ser empalhados foram preparados para exposição. Muitos não servem nem para serem empalhados e ficam abandonados nas estradas.

Tatu de rabo mole Abassous unicinctus é uma espécie ameaçada de extinção por causa da caça e destruição dos habitas. Há quatro espécies mas apenas três delas são encontradas no Brasil. Normalmente o tatu-de-rabo-mole tem

Tatu canastra Priodontes giganteus está tão raro na natureza que para ver um animal desses agora só mesmo no museu. Equipe de cinegrafistas do Japão estiveram em Goiás em busca de imagens do tatu canastra e não encontraram esse animal em lugar algum. Puderam fazer essas imagens apenas no museu da Biodiversidade de José Hidasi. Assim se mede a importância de um museu diante da ameaça e até mesmo da extinção de espécies.

A ave cigana Opisthocomus hoazin no ombro de José Hidasi em foto de João Lopes em estúdio do Fujioka, em Campinas, em

O então professor de biologia Rogério César e seus alunos em palestra do professor José Hidasi no antigo Museu de Ornitologia de Goiânia. Alunos da rede estadual e municipal de ensino com acesso a importantes informações sobre a fauna do cerrado e de outras partes do mundo já que o professor viajou por todos os continentes.

Cerca de 60 alunos normalmente assistiam as palestras de José Hidasi. Mas até 200 alunos visitaram o museu ao mesmo tempo. Colégios estaduais, municipais ou particulares. Não importava, todos eram bem recebidos. Até mesmo se o visitante viesse sozinho. Hidasi sempre dá atenção a quem se interessa em conhecer algo sobre as aves, sobre os animais.

Em vários momentos tive a oportunidade de ver de perto o trabalho de José Hidasi. Destaque para os detalhes das aves. Ele sempre busca a perfeição ao posicionar esses animais, ao finalizar seu trabalho para que fiquem como se estivessem vivos. Nesta peça podemos ver um tucano comendo uma lagartixa.

José Hidasi eterniza leões que morrem no Zoológico de Goiânia, macacos e muitos outros animais. Mas não cansa de olhá-los, admirá-los e ver que os visitantes também valorizam seu trabalho. Está sempre embevecido com sua criação. E voltar ao museu, que fica ao lado de sua casa, é oportunidade sempre de ver peças diferentes já que ele está constantemente trabalhando. 83 anos tiraram parte das forças do atleta Hidasi da Hungria. Mas ele continua subindo e descendo escadas, empalhando animais para a eternidade.

Réplicas de crânios de milhões de anos encontrados na África. O Homem pré-histórico conhecido pelos crânios e o homem moderno ao lado deles encantado com a evolução da humanidade. José Hidasi quer que após sua morte seu esqueleto também faça parte do museu ao lado dos animais que empalhou durante toda sua vida e que cada osso do esqueleto tenha seu nome descrito: “Os estudantes poderão aprender com meus ossos”
O empalhamento pode ser para coleções culturais ou coleções científicas. Para a primeira o animal é montado em posição que lembre estar em seu habitat. Já para coleções científicas são preparados e guardados deitados, em locais sem iluminação para não perderem a coloração durante as décadas ou séculos.

Algumas aves muito coloridas perderiam sua coloração durante os anos em contato com a luz. Na coleção científica, além dos produtos utilizados com a técnica de taxidermia, o pesquisador também não poupa bolinhas de naftalina para espantar baratas e outros insetos inconvenientes.

A beleza das aves com suas colorações permanecem em gavetas no escuro. Maior importância tem cada peça da coleção cientifica ou cultural se ela estiver com uma etiqueta em que conste sexo, espécie, procedência, nome em latim, data em que morreu ou foi coletado, tamanho do tarso, bico, cor dos olhos.

Normalmente as coleções culturais é que são expostas ao público. O vidro possibilita ver as peças e protege cada uma delas do toque de dedos e até das variações de temperatura. Um país tropical como o Brasil e um Estado com clima como Goiás são os mais adequados para um museu já que permanece a maior parte do ano com altas temperaturas. Umidade e frio não são indicados para peças taxidermizadas. O calor na medida é um fator positivo para que sejam “eternizadas”.

Ao lado da anta, maior mamífero da América do Sul, o Jornalista Sidney Dutra Corrêa e José Hidasi. Sidney é um dos autores da revista Cerrado – o que você precisa saber para preservá-lo, publicada em 1994 (disponível para baixar neste blog). Na revista há uma entrevista com José Hidasi realizada em 1993.

José Hidasi orgulha-se de ter em seu museu o papagaio da noite. Raríssimo, mas um museu de ornitologia tinha de tê-lo. Ele conseguiu. Doou quase toda sua coleção para universidades, mas o papagaio da noite está com ele. Pousar ao lado dele é algo sublime para o professor que detalha a vida da ave.

A seriema Cariama cristata é uma das aves com o canto mais lindo do cerrado. Deveria ser considerada, na minha opinião, a ave símbolo do cerrado. Ela também é o símbolo da resistência. Alimenta-se de cobras e consegue sobreviver em áreas em que o habitat natural foi bastante alterado. Outros animais fogem com a expansão da agricultura e pecuária. Muitas vezes as seriemas são vistas e até sobem em cercas de currais e continuam seu canto contínuo que parece um lamento. Devem lamentar a perda de espaço para o progresso humano. Difícil imaginar que um homem mate essa ave em busca de comida já que um exemplar desses possui pouca carne. É a ave que deveria ser também símbolo da resistência do cerrado diante da expansão agropecuária. Fica aí uma sugestão para nossos políticos legisladores conscientes.

O humorista Chico Anysio e muitos outros artistas visitaram o museu de José Hidasi. Chico Anysio ficou encantado e fez até propostas para José Hidasi em relação a montar outros museus. O cientista pensou, mas já tinha na época outros projetos elaborados e em execução.

Mais uma arara-canindé e arara vermelha prontas, depois do trabalho de taxidermia, para seguirem para novos museus. Fiz esta foto de baixo para cima proposital. Quero mostrar o quanto é sublime a beleza dessas aves. Deveríamos nos curvar diante delas que passam colorindo o céu. Há pouco mais de um ano estávamos próximos às margens do Rio Araguaia e um casal de canindés passou voando. Faziam bastante barulho e um amigo que trabalha no RAN-Goiás, ligado ao Instituto Chico Mendes, Luiz Alfredo, que também é psicólogo, fez uma observação. “Elas estão discutindo a relação”. Achei muito interessante. Será que elas discutem mesmo a relação. O certo que é muito bonito ver essas aves cortando o céu e paro sempre que posso para reverenciá-las, apreciá-las e até tentar entender se estão mesmo discutindo a relação. Rsrsrs. Ou são sons mesmo somente para se localizarem, o macho chamar sua fêmea.

Catitu é um mamífero também conhecido como porco-do-mato, cateto, catetu, catete ou pecari. Ele grunhe, ronca e anda

Esta é uma peça que vi sendo preparada para a exposição. Uma raposa que não é de outro país, mas do próprio cerrado. Vi muitas também atropeladas nas estradas. Essa pode ser resgatada e empalhada. Vai servir para trabalho de educação ambiental e provocar reflexão: será que vamos ter mais quanto tempo esses animais nas estradas sendo atropelados? Até quando eles ainda resistirem em reservas ambientais ou sobreviverem cortando imensas lavouras porque não encontram corredores ecológicos de uma área de preservação ambiental para outra? Se não resistirem em seu habitat transformado somente vão estar em recintos de zoológicos ou mesmo empalhados

Por várias vezes freqüentei o museu e não vi a ave do paraíso Diphylodes magnificus originária da Nova Guiné. Ela estava restrita a um local que somente poucos convidados podiam vê-la. José Hidasi exibe essas aves como um troféu de um ornitólogo que conseguiu esses exemplares. São muito belas, com penas diferenciadas e na natureza fazem danças e exibições muito interessantes.

O faisão tem sua beleza e coloração também. As crianças adoram essas cores. Por não ser tão raro fica mais exposto já que a luz é uma das grandes inimigas das cores das aves empalhadas.

Fachada do Museu de Ornitologia quando já tinha parceria da Prefeitura de Goiânia. Mas isso nem sempre ocorreu. José Hidasi buscou muitos parceiros e encontrou poucos. Fez um trabalho quase toda sua vida sozinho, com sua família, estagiários, alunos e amigos. Mesmo assim doou quase toda sua coleção preocupado que não fosse devidamente conservada após sua morte. Milhões de dólares foram reunidos ao longo dos anos em sua coleção científica e coleção cultural. Antes de fazer todas as doações para universidades e ou outros museus chegou a avaliar em 15 milhões de dólares o valor de sua coleção. Só algumas aves mais raras estariam avaliadas em milhões de dólares. Valor da raridade. Valor por não ter essas espécies mais em abundância no meio ambiente e algumas delas até mesmo já serem consideradas como extintas na natureza.

Mas José Hidasi tem um grande amigo. Sua foto está estampada no museu. Rodolfo Rohr, que mora

Rodolfo Rohr ao lado de Maria Madalena, esposa de José Hidasi. Visita sempre bem vinda na casa dos Hidasi.

Houve uma época que a família Hidasi trabalhou também com artesanatos que retratavam as aves. A esposa de José Hidasi costurava e ele vendia. Araras, periquitos, tucanos e várias outras espécies. Parte das peças ficava exposta no museu. Outra parte era vendida não só para o Brasil como para vários outros países. O trabalho de Hidasi e sua esposa não tinha fronteiras. Mais ainda agora com a possibilidade de divulgação pela internet. O museu de Hidasi vai para o mundo todo e para qualquer lugar do planeta que possa acessar o blog Educação Ambiental em Goiás.


Anhuma é a ave símbolo de Goiás. Na época auge do Museu de Ornitologia ela estava sempre na entrada do museu. Tem cerca de

O pirarucu, a pirarara e vários outros tipos de peixes também mereceram espaço na coleção particular de José Hidasi. São peixes que a cada dia se tornam mais raros no meio ambiente. Nos rios goianos são proibidos pela legislação de serem pescados. Imaginar um peixe desse tamanho para uma criança não é jamais igual a criança poder vê-lo de perto e até tocá-lo. Riqueza da nossa ictiofauna também preservada na coleção de José Hidasi.

José Hidasi fez muitos discípulos a quem repassou as técnicas da taxidermia. Na foto um deles, seu filho Carlos Antônio Hidasi que empalha com várias pessoas observando. Se o animal morreu há pouco tempo o trabalho do taxidermista pode ser facilitado. Mas pode não ser nada fácil se o animal já tiver sido encontrado em estradas há dias ou estar em estado de decomposição e obviamente com mau cheiro. Mas o resultado é compensador ao ver que um ser vivo que iria somente se decompor mantém em forma seu corpo e poderá ser observado em todos os seus detalhes por décadas, séculos ou o tempo que for preservado.

A anta é o maior mamífero das Américas, mas este é um filhote que José Hidasi recebeu morto para empalhá-lo. Mas o interessante da foto é que ela foi feita em um local onde o público não tem acesso e pela primeira vez fui convidado a entrar. Lá também havia várias espécies que estavam sendo preparadas para a exposição. Leva tempo até todos serem identificados, devidamente moldados pelas mãos do cientista. Às vezes ele passa horas moldando o corpo desses animais para colocá-los na posição que imagina ser a melhor apreciada. E José Hidasi é detalhista. Vê o que os visitantes não veem. Diz que alguns artistas poderiam fazer o corpo de algum animal com biscuit, por exemplo, melhor do que ele “porque são artistas”. Mas em relação a aves será difícil fazer melhor do que José Hidasi porque ele é o grande artista para moldar as peças com seu perfeccionismo e paixão pelo que faz.

José Hidasi é um estudioso desde a infância na Makói Elemi Iskola, na Hungria, onde fez o primário de

Nossa, fiquei encantado com esse tucano. Como é bela a natureza. Com um bico tão grande e voa. O homem tem tanto a aprender com as aves e poderá não tê-las quando puder desenvolver melhores pesquisas. Como fazer um avião tão grande, resistente e mais leve? Pesquisar a anatomia e a forma de voar de um tucano poderá ajudar a entender como aperfeiçoar vôos de máquinas futuristas. Essa é a importância de preservar para conhecer. Mas conhecer também leva a preservar.

Prêmios? Muitos prêmios e homenagens recebeu José Hidasi depois que seu trabalho foi reconhecido. Nesse momento ele recebeu o Prêmio Verde das Américas Green Prize of the Americas categoria biodiversidades. O certificado diz: “O grande mérito do Prêmio Verde das Américas, pelo seu trabalho comprometido com as questões sócio-ambientais, carregando a responsabilidade de defender, preservar e proteger a natureza em prol do equilíbrio ambiental do planeta”

Vendo esse porco espinho empalhado lembro de ter visto nas estradas de Goiás porcos espinhos atropelados. Quantas pessoas já viram porcos espinhos em seu habitat? Quantos já tocaram nos espinhos do porco espinho? No museu tive a oportunidade de tocar nesses espinhos que são a defesa do animal. José Hidasi também aprecia as histórias, notícias e sabe valorizar o trabalho da imprensa. Recorta reportagens de jornais e exibe em seu museu. Em uma delas uma foto de um pit bull com dezenas de espinhos cravados na cara do animal. Ele foi enfrentar um porco espinho que reagiu. Curiosidades da natureza e da vida dos animais e aves também fazem parte da palestra de José Hidasi.

José Hidasi teve seu trabalho inúmeras vezes publicado em jornais e revistas. Ouvi o professor durante dezenas de horas contando suas histórias, sua vida.

José Hidasi com uma cabeça de rinoceronte e uma mala. A foto retrata bem a imagem do cientista que viajou o mundo em busca de espécies raras para mostrá-las ao público. Essa foto foi publicada em vários jornais no Brasil e no exterior.

Museu itinerante Curiosidades Naturais. Um dos ônibus que José Hidasi utilizou para fazer seu trabalho de educação ambiental nos municípios goianos e até

José Hidasi com uma arara. Em seu museu itinerante ele passou também a levar animais vivos. Na época a legislação não proibia. E nada melhor para sensibilizar o ser humano como animais vivos. As pessoas podiam tocar os animais e logo vinha o senhor húngaro falando meio enrolado, mas demonstrando atenção com todos. Dizia algo sobre o animal, alguma curiosidade e mostrava que não eram perigosos. Mas o macaco pegava o dedo das crianças. Era um susto. E aí tudo ficava ainda mais interessante. Periquito, papagaio, arara, muitos e muitos outros bichos chamavam logo a atenção e José Hidasi ali no meio de todos, detalhando tudo.
José Hidasi com uma cobra que não é venenosa. Levava a cobra para mostrar para as pessoas que não precisava ter medo do animal. Quem queria podia tocar no bicho. Um trabalho de educação ambiental que Richard da Rede Record está fazendo hoje, décadas depois e encantando as pessoas. Richard Rasmussem com uma sucuri, dentro da água. As notícias que sempre tivemos foi de que sucuri engole animais, mata, é perigosa. E realmente para se defender em situações de perigo a sucuri e outros animais têm suas defesas. Mas o educador ambiental pode mostrar que os animais merecem nosso respeito.

Jovem, atleta, músico e já pesquisador e apaixonado pelas aves na Hungria. José Hidasi lembra que ficava horas treinando corvos para fazerem apresentações. E os corvos gostavam dele, voavam ao lado de José Hidasi.

Ao lado da esposa Maria Madalena e filhos, Jose Hidasi e sua Rural Willys que utilizou para fazer sua primeira exposição em Trindade durante a festa do Divino Pai Eterno. A partir daí ele estava sempre freqüentando exposições agropecuárias com seu museu itinerante.
Em 1962 José Hidasi estava com os índios Waicas ou Yanomami nas montanhas do Parima. Com os índios ele também aprendeu muito. Inclusive conseguiu espécies que nenhum ornitólogo conseguiu coletar na natureza. Mantém algumas delas na sua coleção. Raridades que com o desmatamento vão também caminhando para a extinção.

Na estrada dirigindo José Hidasi passou boa parte de sua vida. Mas se o artista tem de ir onde o povo está, por que o educador ambiental não tem de ir onde o povo está? O educador ambiental deve ir onde o povo está.
O bom fotógrafo não pode ter medo de captar os melhores ângulos. Às vezes para fazer uma boa foto é preciso entrar em lugares com cobras venenosas ou outras ameaças. O bom ornitólogo, cientista, precisa ir onde as aves estão. Foi assim que José Hidasi viajou e entrou em florestas, esteve em várias partes do mundo, mas principalmente no país tropical de seus sonhos.


Casou-se com Maria Madalena quando ela ainda era bem jovem. Namoraram pouco tempo e já casaram-se em 1952. Em 2009, completam 57 anos juntos.

Em 1950 José Hidasi partiu da França para o Brasil seguindo rumo ao que ele sempre chamou de “paraíso”, já que seu pai contava histórias encantadoras sobre aves, matas e animais do país tropical. Em 1959, foi convidado para reorganizar o Museu Paraense Emílio Goeldi

José Hidasi em Xavantina, no Mato Grosso, em 1951, empalhando animais que foram em vários aviões para museu no Rio de Janeiro. Muitos deles foram transferidos posteriormente para um museu em Brasília que pegou fogo a partir de um curto-circuito

Joseph Hidasi (pai), Puaszka Király (mãe), Juliana (irmã) e Hidasi aos 10 anos na Hungria de 1936
ENTREVISTA
JOSÉ HIDASI

De que forma animais empalhados podem contribuir na Educação Ambiental?
Hidasi - Posso dar um exemplo. Uma pessoa de 60 anos visitou recentemente o museu e parou perto do urubu rei e disse: é a primeira vez que vejo tão perto esse urubu. Eles querem ver de perto, como é o bico, o que está escrito lá. Ler como é o comportamento, a classificação, quanto anos vivem, quantos ovos chocam, como criam seus filhotes.

O sr. acredita que é possível preservar as espécies da avifauna ou elas vão mesmo caminhar para a extinção no Brasil?
Dentro de 30 anos deve sobrar somente 10% das matas do Brasil... (silêncio) Mas esse governo está abrindo o olho e o mundo pressiona o Brasil para não derrubar mais.

Viajando pelo Brasil com o museu itinerante em cima de rodas, no início com a Rural Willys, depois com caminhão e ônibus, o sr. fez educação ambiental na prática na década de 60, 70, 80, 90... O sr. percebeu mudança de comportamento das pessoas a partir desse trabalho?
Onde passei pedia para fazerem sala, laboratório com animais para aulas de educação ambiental. Porque quem conhece os animais gosta, ama e protege. Quando meu ônibus já tinha passado por todos os lugares, já que viajei o Brasil todo, e meu trabalho já tinha se disseminado, doei o ônibus.

Como era o visitante do museu itinerante na década de 70?
Eu ia para as festas nas cidades do interior como exposições agropecuárias e os casais se aproximavam. O rapaz queria beber uma pinga, mas a moça dizia que queria ver o lobo. Eu dizia: vocês vão ver o leão, a arara, o papagaio que fala, o macaco que pula.

E o visitante da década de 80?
Estudantes de biologia, farmácia, medicina, zootecnia já interessaram porque queriam ver os bichos e até criticar. Viam os bichos e falavam que estavam em posição diferente, com cabeça baixa. Crítica é importante também.

E na década de 90. Teve mudança de comportamento no visitante do museu?
Eles vem pessoalmente visitar. Não vem mais qualquer um. Os que vem agora são estudantes, estudiosos, homens cultos, secretários e professores que dizem que vão trazer e trazem os alunos.

Atualmente quem é o visitante que se interessa pelo museu?
Hoje, o visitante vem em busca dos valores da cidade. O milagre da internet abriu o olho do mundo. Eles ficam sabendo que em Goiânia tem o ornitorrinco, o tatu-canastra e não acreditam. Alguns dos melhores cinegrafistas do Japão visitaram recentemente o museu porque não acharam tatu canastra para filmar. Eles sabem o valor dele, sabem a história dele. Só encontraram um tatu canastra no mundo e ele está no Brasil.

O Sr. sempre manteve auditório no museu para realizar palestras de educação ambiental. O que o sr. abordava nessas palestras?
Falava sobre a importância de conhecer os animais. E pedia para fazerem qualquer pergunta. Pedia para lembrarem qualquer ave do mundo que eu não tivesse na coleção. Daria um prêmio, mas ninguém ganhou porque andei no mundo inteiro e trouxe. Às vezes consegui só uma espécie raríssima, mas tenho ela aqui.

O museu recebia alunos de quais séries?
Os meus ex-alunos se tornaram professores. São hoje professores brilhantes. Eles têm por mim o respeito de professor velho que sou. Vinham de

Eu aprendi com o senhor vendo o museu itinerante dentro daquele ônibus amarelo que o senhor dirigia no final da década de 70 e início da década de 80. Qual a importância daquele trabalho visitando cidades por todo o Brasil?
Para mim foi uma satisfação extraordinária. Milhões de pessoas me viram no meio dos bichos e disposto a qualquer pergunta ou crítica. Às vezes não me conheciam como o professor José Hidasi, mas como o homem das cobras.

Para as pessoas desses lugares qual era a importância?
Em primeiro lugar era pela diversão. Eles se divertiam vendo os animais. Aprendiam se divertindo. Eu mostrava como os bichos sofriam, como eram mansos.

O sr. aproveitava que os bichos chamavam a atenção e começava a fazer uma palestra?
Exatamente. Onde eu parava tinha 50 ou 60 pessoas que ficavam olhando. No começo não tinham coragem de entrar, mas depois acabavam entrando. Um dia cheguei a uma cidade e chamei todos para entrarem no ônibus. Ninguém queria entrar. Falei que ia dar um papagaio pequeno para o primeiro que entrasse. Logo um entrou e, depois, voltou pedindo seu papagaio. Dei uma pipa de papel, que também é chamada de papagaio, para ele e todos caíram na gargalhada. Isso quebrou o gelo e as pessoas começaram a entrar no museu itinerante.

Os melhores resultados da educação ambiental podem ser obtidos com crianças, adolescentes ou adultos?
Adolescentes de 14 até 16 anos. Com os menores é possível despertar o amor aos bichos. Mas os que mais entendem e reagem são os de
Diante dos impactos ambientais provocadas pelo homem no planeta e até catástrofes ambientais, como os educadores ambientais podem conseguir melhores resultados?
Como o Richard (Rasmussem) da Rede Record que mostra os bichos, vai atrás e pega com as mãos, às vezes é mordido. Mas ele faz um ótimo trabalho.

Então o educador ambiental deve continuar o trabalho que o senhor já fazia desde criança e principalmente na década de 60, 70 e 80 mostrando os animais para as pessoas?
Mas agora com a possibilidade das novas tecnologias, como gravar imagens para a televisão, podem mostrar o bicho em seu habitat e soltá-lo. Mostrar que não tem medo, respeitar os bichos.

O sr. já foi caçador?
O melhor fiscal da natureza é aquele que estava destruindo a natureza. Caçador mas não de prazer em ver a pontaria e a queda. Cacei um casal de cada para a coleção. Quando tinha um casal já não me interessava mais.

Se alguém não tivesse dinheiro o senhor deixava entrar no museu?
Sim. Era o meu lema. Eu dizia: fica devendo. Alguns traziam depois. Mas a maioria não trouxe. Mas eu deixava entrar.

O senhor considera as aulas de taxidermia que ministrou como aulas de educação ambiental?
Sim. Há pessoas bem-sucedidas hoje que foram meus alunos.

Como o senhor empalha um animal?
Com o animal morto, põe ele dessa forma e corta-se na barriga. Depois afasta-se o couro e o corpo saí. Curte o couro. Com o couro ainda molhado passamos veneno arsênio

O que pode ser feito para evitar tantos atropelamentos de animais nas estradas?
Fazerem mais túneis. Na Austrália fizeram 4 mil quilômetros de tela. Mas os cangurus batem à noite e entram pela tela para comer comida das ovelhas. Na Hungria há túnel porque há migração de sapos. Milhões de sapos migram. Um dia quase fiz estrago no ônibus perto de Canindé, no Nordeste do Brasil. Estava escurecendo e vi uma massa numa baixada e eram milhões de sapos pequenos. O ônibus começou a escorregar o pneu. Não sabia o que fazer. Acabei atropelando alguns.

O que o sr. sentiu atropelando os sapos?
Nossa senhora. (pôs a mão no peito)
Quanto vale um beija-flor minúsculo desse?
Incalculável o valor. Se for 500 mil dólares é pouco. Poderiam oferecer 10 milhões de dólares que eu não venderia.
Como o senhor conseguiu o mico leão dourado?
Morreu no zoológico de Goiânia há uns 30 anos. Iam jogar fora e me deram. Sou um dos fundadores do Zoológico de Goiânia.
“Tenho minha consciência limpa. Faço meu trabalho, deito e durmo”
José Hidasi recolheu os couros de onças durante a Marcha para o Oeste que ocorreu no Brasil na década de 50. Os governantes queriam levar o chamado “desenvolvimento” para o interior do país, mas os animais pagaram o preço. Abertura de estradas para o progresso, mas muitos animais abatidos pelos desbravadores. Com o alemão Helmunt Sicks chefiando expedição científica, José Hidasi trabalhava diuturnamente preparando os couros de animais que foram abatidos pelos homens que faziam a Marcha para o Oeste. Caso o trabalho não fosse feito tudo seria perdido. José Hidasi conservou vários desses couros durante mais de 50 anos. No couro das onças empalhadas, mais de meio século depois, é possível ver os orifícios provocados pelas balas. José Hidasi diz que a maior delas, se não fosse morta pelos caçadores da Marcha para o Oeste, teria no máximo mais uns dois anos de vida. Isso porque cada ser vivo tem seu tempo de sobrevivência no nosso planeta. Empalhada, ela começa a servir na educação ambiental mais de 50 anos depois de ser retirada da natureza. Vai estar exposta em um museu e servir para educação ambiental e reflexão das novas gerações.
O senhor recolheu muitos couros de onça durante a Marcha para o Oeste e não teve tempo de fazer o trabalho de taxidermia e só recentemente conseguiu empalhá-las?
Em Xavantina (MT), quando o presidente da República, em 1950, Getúlio Vargas, disse para seguir a Marcha para o Oeste, do Rio de Janeiro até Manaus, as pessoas contratadas faziam picadas nas matas. O meu chefe era o alemão Helmunt Sicks, que acompanhei como taxidermista. Todos os animais que eles mataram o couro ficava para nós, cientistas. Saiam aviões lotados de animais empalhados. Animais do museu de Aragarças foram transportados para Brasília e, em 1967, fizemos um pavilhão muito grande na área de zoobotânica do Distrito Federal. Mas a construção feita de madeira acabou pegando fogo quando ocorreu um curto-circuito.
Mas e as onças?
Xavantina era um dos pontos de encontro desse bando de homens que estavam cortando as matas, morrendo de malária e outras doenças. Em Xavantina fizemos um laboratório e juntamos os animais que eles mataram e não comeram e iam jogar fora couros e peles de aves como mutuns, seriemas e araras. Peguei e empalhei. A primeira leva com aviões cheios foi para o Rio de Janeiro, para o Museu Nacional. Mas eram tantos animais abatidos que eu não dava conta de empalhar todos. Nenhum taxidermista fazia a quantidade que eu conseguia. Mas eu, como um fanático, fazia. Outros nem queriam entrar lá porque pegavam doenças. Muitos arriscaram a vida. Levei os couros que consegui e conservei no álcool. É um segredo que um alemão me revelou: “Não vai curtir com pedra lumem, sal? Então limpa o couro e coloca no álcool.” Os tambores ficaram cheios. Em 1954, deixei a Fundação Brasil Central e levei tudo para Aragarças e fizemos um museu lá. Na época Chateaubriand levava príncipes para ver o museu.
Quantas onças empalhadas agora são desse início da década de 50?
Eu trouxe e elas ficaram guardadas no álcool. São seis ou sete onças. Agora é que estou modificando o museu e quero fazer o Instituto de Biodiversidade. Eu entusiasmei um milionário amigo meu e ele me deu passagem para eu viajar para qualquer lugar do mundo que eu quisesse ir. Andei no mundo inteiro e trouxe centenas de espécies para o museu.
E a legalidade?
E se essa onça maior não fosse morta pelos desbravadores da Marcha para o Oeste?
Essa onça já ia morrer. Dá pára ver a idade dela pelo pêlo. Se o caçador não a matasse ela não viveria nem mais três anos. Olha o lugar do chumbo. (mostra os orifícios na pele).

Sábado, 29 de Novembro de 2008
Professor José Hidasi
Educador ambiental
há mais de 50 anos no Brasil


































Parabéns!Parabéns!Parabéns!
ResponderExcluirsi eu tivesse muito dinheiro eu daria um grande museu, pelo amor que este homem teve e lindo e maravilhos este trabalho são para poucos bem poucos me sinto orgulhosa só de ver.
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