10/10/2010

ABALOS COMUNS NO PASSADO E NO PRESENTE.

O Estado de Goiás não está próximo das bordas das placas tectônicas, onde ocorrem mais frequentemente e com maiores intensidades terremotos. Mas nem por isso está imune a eles e a história com registros a apartir de 1826 mostra exatamente isso. Mas podem ter ocorrido também há milhares, milhões de anos com transformações naturais que ocorem no nosso Globo Terrestre. Àreas preservadas no cerrado guardam a história geológica da região que precisa ser melhor decifrada pelos cientistas. As evidências você vê em fotos nesta reportagem.
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Mapa mostra terremotos recentes ocorridos em Goiás e no Tocantins que já foi parte do Estado de Goiás, há pouco mais de 20 anos, e que até já foi escrito com z: Goiaz. Há mais ocorrências de terremotos no Norte e Oeste do Estado de Goiás como se eles seguissem a direção do Rio Araguaia, a partir de Aragarças, passando por Aruanã, Luiz Alves e regiões a direita do rio. (Sabe-se hoje que muitos rios criam seus leitos seguindo falhas geológicas ou regiões onde é mais propício o surgimento de terremotos). Vários municipios de Goiás já conhecem abalos de baixa intensidade. Abalos em Goiás, que está no meio da placa da qual faz parte o Brasil (placa Sul-Americana), normalmente não são tão intensos ou maiores do que 4,5 graus da escala Richter que vai até 9. Até em 20-11-2000 ocorrer no Distrito Federal abalo de 4,2 graus e em 8-10-2010, em Estrela do Norte e Mara Rosa chegar a 5 graus, assustanto e já causando prejuízos.
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Pedras que somam centenas de toneladas foram movimentadas no passado por grandes forças. Possivelmente já estiveram uma sobre as outras como existem várias no mesmo local. Uma movimentação dessas normalmente ocorre com terremotos ou pela força do deslocamento de água ou gelo. Isso mostra que não há lugares totalmente estáveis como acreditava-se que era na maior parte do Brasil e, principalmente, em Goiás. Tudo no universo está em movimento, no sistema solar, na Terra e sobre a terra. Mesmo que o movimento sejá tão lento que só possa ser observado em milhares ou milhões de anos ou rapidamente com um terremoto.
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Mapa do Sisbra mostra abalos no Brasil e suas magnitudes. De maiores intensidades já ocorreram no Acre e no Mato Grosso, mas há registros também próximos ao litoral.
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Para conhecer a história dos terremotos em Goiás vários locais são visitados por pesquisadores e aguns deles estão no Parque Estadual de Pireneus. Estive no local há dois anos com equipe de educação ambiental da Agência Ambiental de Goiás, hoje Semarh. O diretor do parque na época apresentou este local visitado por pesquisadores. Acima pode-se ver uma grande pedra que foi movimentada e está suspensa, equilibrando-se em outras partes da rocha. Somente o emprego de grande força movimentaria a pedra e acredita-se então que foi por meio de terremoto.
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Abalos recentes ocorridos em Goiás foram registrados pelo Laboratório Sismológico da Universidade de Brasília - UnB. Em 4-10-2010, em Estrela do Norte: Epicentro: ± 12 km de Estrela do Norte (GO); ± 32 km de Mara Rosa (GO); ± 320 km de Goiânia (GO); Localização: lat. -13,7974°, long. -49,9945°; Profundidade: 5 km (fixa); Magnitude: 3,6 mR.

Já em 8-10-2010 outro abalo entre os municípios de Mara Rosa e Estrela do Norte, no Estado Goiás, magnitude estimada em 5.0 na escala Ritcher. A região de Mara Rosa já tem registro de eventos correlacionados com o lineamento Transbrasiliano.

Interessante é que mesmo a 320 quilômetros de Mara Rosa os abalos foam de alguma forma sentidos por moradores de Goiânia, principalmente de altos edifícios. Mas surpreendeu ainda que na Praça Cívica, também na capital, servidores do prédio da procuradoria no térreo sentiram os abalos com móveis se movimentando. Em Brasília, Distrito Federal, também há relatos da população.
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Cursos de rios já foram alterados com terremotos de grandes intensidades. Esses grandes terremotos não são comuns no presente do Cerrado, mas no passado devem ter definido as direções de rio também no nosso Estado. Na foto: águas no Parque Estadual de Pireneus.
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Outro exemplo de rochas enormes movimentadas em algum momento no passado geológico do Cerrado. Material importante para novas pesquisas que podem mostrar a história geológica da região.
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"Os terremotos são provocados pelo deslocamento das placas tectônicas, blocos rochosos que formam a crosta terrestre. Quando uma placa se movimenta, existe liberação de energia, resultante do acúmulo de tensões na crosta. Nos locais onde duas placas se uniram ou se separaram há milhões de anos, formaram-se falhas que, por serem zonas frágeis, servirão como porta de escape dessas tensões. Elas têm de 50 a 70 quilômetros de profundidade, e correspondem às áreas onde ocorrem os terremotos de maior intensidade." (Trecho de publicação da Agência Brasil)
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Este local fica em Serranópolis e pode ser resultado de terremotos. A rocha é enorme e só de altura tem mais de 15 metros. No passado pode ter sido uma rocha só e hoje são pelo menos duas grandes rochas. Foi partida ao meio onde atualmente há uma trilha ecológica.
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"Sabe-se que o estado das tensões na litosfera pode ser devido a uma variedade de forças: de origem local, causadas por heterogeneidades estruturais, carregamento e descarregamento da crosta e anomalias térmicas na astenosfera; e de origem regional, relacionadas com a movimentação de placas tectônicas, tais como empurrão da dorsal oceânica, devido à sua maior elevação (comprimindo o interior da placa), força de empuxos, por exemplo, exercida pela Placa de Nazca, que mergulha por baixo da Placa Sul-Americana e forças de carregamento viscoso devido às correntes de convecção que podem estar carregando a Placa Sul-americana (Mendiguren & Richter, 1978; Assumpção & Suarez, 1988). Publicado pelo Observatório Sismológico da UnB".

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Pesquisadores chegaram a essa conclusão porque é possível ver que se fosse possível aproximar uma parte da outra elas se encaixariam perfeitamente como o encaixe do continente africano com o país Brasil - teorias que mostram afastamento de continentes e surgimento do Oceano Atlântico. Não se sabe em quanto tempo isso ocorreu e datações em rochas não é fácil de se fazer. Mas é um bom exemplo e um bom material para maiores pesquisas. Agora fica bem claro que para ocorrer um afastamento desses de grandes rochas foi preciso uma força muito intensa como a de terremotos.
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Foto da parte superior da grande rocha. Um detalhe interessante é que com o afastamento uma pedra começou a cair e ficou como uma cunha entra as rochas, em forma que lembra uma arca ou navio.
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Muitas áreas que guardam preciosas informações do passado geológico da Terra hoje estão protegidas. Um exemplo é o Parque dos Pireneus. Na foto ,a entrada para o Morro do Cabeludo esculpido em rochas muito antigas.
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Pesquisadores acreditam que esses buraquinhos na rocha não são originais e sim foram esculpidos por peixes ou animais marinhos. Então essa rocha que está hoje a mais de 1000 metros de altitute em relação ao nível do mar, em campos rupestres do Cerrado, provavelmente esteve um dia no fundo do mar. Mares rasos que ocupavam o cerrado. Em épocas pretérias onde hoje está o Estado de Goiás havia mares rasos - revelam as rochas.
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Ao fundo, Morro do Cabeludo, no Parque de Pireneus. Em volta cerrado com principalmente campos rupestres. Nas rochas pequenos cactus. Antes da criação do parque, no local extraiam-se pedras. Se a extração continuasse parte da história geológica do Cerrado certamente seria perdida. Com a região preservada existe a possibilidade de novos e elucidadores estudos serem realizados pelas atuais e novas gerações.
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Detalhe em muitas rochas com o trabalho corrosivo de peixes ou animais aquáticos. Era preciso ter água para que a rocha fosse esculpida dessa maneira e com esses detalhes. Nesse momento as datações podem ser muito antigas: milhares, milhões ou muito mais anos. Um museu da geologia ao ar livre requerendo muitos estudos.
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No Parque de Pireneus rochas estão por todos os lados envolvidas pelo cerrado com as mais variadas e importantes espécies. Cerrado que veio se desenvolvendo, adaptando-se ao clima, regime de chuvas e as queimadas há cerca de 60 milhões de anos. De certa forma a vegetação vem ajudando na preservação das águas que infiltram nas rochas até saírem nas nascentes e protegendo também as rochas que são como documentos ou enciclopédias da história do cerrado que precisam ser lidas e entendidas pelos pesquisadores.
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Equilíbrio e ousadia da natureza moldada pelas forças tectônicas ou apenas pelas erosões pluviais ou eólicas. Água mole, vento fresco, sol escaldante e milhares, milhões de anos para esculpir essas formas intrigantes. História esculpida em pedra no Cerrado.
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As grandes Rochas estão por todos os lados. Na foto, Parque Estadual de Pireneus e rochas de centenas ou milhares de toneladas. Mas essas esculturas da natureza ao ar livre, que merecem ser decifradas, estão também em outros parques como Parque de Paraúna, Parque da Serra Dourada e outros locais no Estado.
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A rocha superior já esteve equilibrando-se sobre a inferior um dia no passado. Rompeu-se como se estivesse sido cortada por uma lâmina, reta. Que tipo de força foi empregada?
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Na pequena caverna o gestor do Parque de Pireneus há dois anos atrás, Nenon Folha, e a educadora ambiental, Odália Machado. Um detalhe: hoje é preciso olhar bem para onde pisa ou senta porque no local há muitas cobras. Elas adoram locais com pedras.
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Outros detalhes das formas esculpidas na rocha que podem ter sido feitos por peixes de mares rasos no cerrado.
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Até mesmo as rochas passam por processo de reciclagem. Sobem à superfície saindo da terra e voltam ao interior dela. Pode levar milhares, milhões de anos mas faz parte da existência da Terra. A importância da preservação está relacionada a possibilidade de conhecimento futuro. Se não prerservar não poderá saber mais. Novas teorias podem surgir. Novos cientistas precisam pesquisar o cerrado e trazer maiores informações. E certamente serão surpreendentes.


Terremotos de Goiás de 1826 a 2010

1826

Natividade, GO (Hoje TO), 1826: 2,6 graus

1834

Natividade, GO, (Hoje TO) 1834: 2,6 graus

1970

• Porangatu, GO, 14/08/1970: 3,0 graus

Porangatu, GO, 20/11/1970: 3,6 graus

1971

Porangatu, GO, 16/07/1971: 3,5 graus

1972

SW de GO, 29/01/1972: 3,0 graus

1976

Itapirapuan, GO, 05/01/1976: 3,7 graus

1979

Rubiataba, GO, 22/08/1979: 3,5 graus

1980

Itacaja, GO, 12/01/1980: 2,9 graus

Porangatu, GO, 24/10/1980: 3,1 graus

1981

Natividade, GO (Hoje TO), 09/01/1981: 2,8 graus

1982

Paranã, GO (Hoje TO), 17/05/1982: 3,0 graus

1983

Manha, GO, 07/06/1983: 3,0 graus

Aruanã, GO, 02/09/1983: 2,8 graus

Quirinópolis, GO, 12/09/1983: 2,1 graus

Britania, GO, 05/10/1983: 2,7 graus

1984

Santa Terezinha, GO (Hoje TO), 26/06/1984: 3,1 graus

Porangatu, GO, 12/12/1984: 3,3 graus

1985

Palmeiropolis, GO (Hoje TO), 20/07/1985: 3,5 graus

1986

Araguapaz GO, 14/01/1986: 3,7 graus

Palmeiropolis, GO, 21/02/1986: 3,1 graus

São Miguel, GO, 01/05/1986: 2,7 graus

1988

Niquelandia, GO, 29/12/1988: 2,4 graus

Porangatu, GO, 29/03/1989: 3,6 graus

Paranã, GO (Hoje TO), 05/12/1990: 3,0 graus

1991

Porangatu, GO, 02/08/1991: 2,3 graus

São Domingos, GO, 13/12/1991: 3,2 graus

1995

Pires do Rio, GO, 11/01/1995: 2,5 graus

Cavalcante, GO, 14/03/1995: 2,4 graus

Porangatu, GO, 07/05/1995: 2,0 graus

Vazante, GO, 03/06/1995: 3,1 graus

Dois Irmãos, GO (Hoje TO), 04/10/1995: 2,0 graus

Santa Terezinha de Goiás, GO, 02/11/1995: 2,5 graus

Formoso, GO, 11/12/1995: 2,7 graus

Mutunópolis, GO, 29/12/1995: 2,4 graus

1996

Hidrolândia, GO, 29/01/1996: 2,2 graus

Santa Maria do Araguaia, GO, 03/06/1996: 2,7 graus

Campinacu, GO, 18/06/1996: 2,2 graus

Campinacu, GO, 19/06/1996: 2,2 graus

Minacu, GO, 26/06/1996: 2,5 graus

Campinacu, GO, 18/07/1996: 2,3 graus

Campinacu, GO, 02/08/1996: 2,2 graus

Piranhas, GO, 18/10/1996: 2,3 graus

Porangatu, GO, 25/11/1996: 2,1 graus

Porangatu, GO, 25/11/1996: 2,4 graus

1997

Jataí, GO, 11/07/1997: 2,8 graus

Mozarlândia, GO, 16/08/1997: 3,0 graus

Porangatu, GO, 04/12/1997: 2,3 graus

Poranguta, GO, 06/12/1997: 2,4 graus

1998

Aruanã, GO, 20/09/1998: 3,0 graus

1999

Iporá, GO, 20/09/1999: 2,5 graus

Natividade, TO, 16/12/1999: 3,4 graus

2000

São Sebastião, DF, 20/11/2000: 4,2 graus

Águas LGO, GO, 10/12/2000: 2,7 graus

2001

Jussara, GO, 03/07/2001: 2,6 graus

Aruanã, GO, 27/10/2001: 2,7 graus

2002

Santa Rosa, GO, 26/08/2002: 3,3 graus

2003

Jacilândia, GO, 15/07/2003: 2,5 graus

2006

Alto Paraíso, GO, 24/02/2006: 2,6 graus

2009

Campinorte, GO, 28/03/2009: 2,4 graus

Campinacu, GO, 30/07/2009: 2,7 graus

2010

Mara Rosa, GO, 04/10/2010: 3,6 graus

• Mara Rosa, GO, 08/10/2010: 5 graus

(Fonte: Departamento de Geodésia – UFRGS. Trabalho de Iran Carlos Stalliviere Corrêa)

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Veja vídeo com imagens de local, no Parque de Pireneus, com rochas que podem ter sido deslocadas pela força de terremoto:

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Simulação de terremoto de 7 graus

Em Goiás o terremoto de maior intensidade na história recente foi registrado com 5 graus. Na vídeo simulação de terremoto de 7 graus. É difícil manter-se de pé e a maioria dos móveis se mexem. Além da sensação do tremor, se a estrutura da casa ou prédio não resistir pode cair causando prejuízos materiais e vítimas.


Documentário Terremoto Parte 1


Documentário Terremoto Parte 2


Leia mais sobre Parque de Pireneus AQUI.


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