06/08/2012

A encantadora de canindés

Hélia Ribeiro dos Santos (Na foto com Baby) é a encantadora de araras canindé. Ela que já morou em fazenda rodeada de animais e aves vive desde 1996 em cidade no interior de Goiás e com seu amor pelas araras recebe todos os dias a visita de cinco, seis, sete ou mais indivíduos dessa espécie em seu quintal. Encantadas com o carinho que recebem as canindés voam pelo município de Cavalcante, pousam nas serras, nas fazendas, no cerrado, mas sempre visitam o quintal de Hélia que não precisa prender as aves para tê-las por perto  
Hélia entre Baby e Linda fala da sensação de ter várias araras sempre por perto: "É maravilhoso. Cada dia eu me apaixo mais. Sou tão apaixonada que até sonho com as araras. Vejo um bando chegando, é lindo, lindo, lindo"
Hélia se emociona observando a beleza das araras canindés. Conversa com elas, acaricia, fica amiga a cada dia de novas aves que passam a frequentar sua casa mas estão sempre soltas para voar para onde quiserem. Na foto, Linda
"Elas têm muito ciúme de mim. Elas sabem que dou carinho. Ficam me esperando"
"A arara-canindé (Ara ararauna, Linnaeus, 1758), também conhecida como arara-de-barriga-amarela, arari, arara-amarela, arara-azul-e-amarela, araraí e canindé, é uma das mais conhecidas representantes do gênero Ara, sendo uma das espécies emblemáticas do cerrado brasileiro e importante para muitas comunidades indígenas. É muito apreciada como animal de estimação. Ocorre da América Central ao Brasil, Bolívia e Paraguai" (Wikipédia)
Hélia chama e as araras com carinho e elas pousam em sua casa. "Desce amor, vem comer a sementinha. Vem amor, vem. A sementinha está gostosa". E as araras vão para seu lado. Essa foto foi feita pela encantadora de araras
"Os indivíduos desta espécie pesam cerca de 1,1 quilogramas e chegam a medir até noventa centímetros de comprimento, com partes superiores azuis e inferiores amarelas, alto da cabeça verde, fileiras de penas faciais negras sobre o rosto glabro e branco, olhos de íris amarela e garganta negra. Têm uma longa cauda triangular, asas largas, um bico escuro grande e forte e as típicas patas zigodáctilas dos psitacídeos, com dois pares de dedos opostos, o que lhes dá grande destreza para escalar árvores e manipular os alimentos. Seu grito típico é um RRAAAAK gutural e áspero com entonação ascendente, mas podem produzir diversas outras vocalizações mais anasaladas e musicais" (Wikipédia)
"Ao abrir meu portão e ver um bichinho eu falo Bom Dia!. Eu cresci assim. Eu converso com as plantas. Se a planta estiver quase morrendo e você conversa com ela ela sente você dando atenção. Desde criança adoro os animais"
Admiradas as araras ficam bem a vontade, esticam as asas, exibem-se
"Desde criança sou apaixonada pelos animais. Quando tinha oito anos e morava em Cachoeira Alta, Goiás, eu dormia junto a uma cachorrinha 'Lilica' escondendo-a para meu tio não ver. Até um dia ele descobriu queria que eu desse a cachorrinha para alguém. Fiquei desesperada. Eu tinha encontrado a cachorrinha na rua, quase morta, precisando de carinho"
"Se fizeram algo com ela ela vem me contar. Um dia ouvi um grito e ela voou e pousou na minha frente. E ficou me contando. Perguntei: O que foi meu amor? O que fizeram com você? Ela levantava a asas e me mostrava de um lado, mostrava a asa do outro lado como se contasse que alguém jogou algo nela. Eu fico mais encantada ainda. Só falta entender o que ela está 'falando'"
As araras chegam logo cedo para o "café da manhã". Belo pouso para pegar o pedaço de maçã
"Come a sementinha. Está deliciosa. Olha só que dia maravilhoso"
"Olha que amarelo mais lindo do mundo. Que paixão"
Baby e Linda no quintal de Hélia
É uma sensação muito boa estar perto das aves, das araras canindés que visitam Hélia todos os dias, ver as belas cores da espécie brilhando com os raios de sol
As araras pousam no telhado ou árvores próximas, observam o local e ao se sentirem seguras pousam em locais mais baixos
Com confiança em Hélia elas foram se aproximando. Essa pousa até no braço e se exibe para fotos. Logo que deseja sai voando livremente
Preparando para voar...
Voam de um lado para o outro livres na natureza mas visitando Hélia todos os dias
Vôos pelo quintal de Hélia
Hélia pede para Linda levantar as asas. "Trato todos os animais com carinho. Peço licença até para um cachorro"
Pisou no meu pé? Depois deu umas boas bicadas. Brincadeira de arara é assim... rsrsrs
Em cima Dara e Titan que são visitantes mais recentes, ariscas. No braço a Baby, artista principal e que adora se exibir. Mas tem também muito ciúmes de Hélia
Essa é a Linda. Tem asas perfeitas e penas também mas não gosta muito de voar. É a mais caseira de todas. Anda pelo chão, sobe em alguns locais. Normalmente está por perto
Hélia e seu marido Paulo Antunes: "Gosto muito de aves também", diz Paulo
Amiga de Hélia, Adelionice Alves dos Santos, de Brasília: "Gosto muito da natureza e todo feriado estou aqui
Elas pousam nos muros mas nem por isso são tão amistosas com desconhecidos. Se não conhecem fazem barulho mesmo e não deixam se aproximar. Imagina então uma bicada dela em quem não tiver sua simpatia... Os bicos dessas aves são tão fortes que podem extrair castanhas, cortar cocos facilmente. Imagina então o que podem fazer com um dedinho de inimigo.... rsrsrs
Descobri a encantadora de araras caninde, Hélia, ao parar em um local para tomar um refrigerante. Logo ouvi sons de araras. Já estava escurecendo. A arara chamada Baby ainda não tinha ido dormir. Fiquei encantado e pedi uma foto

Baby observando tudo antes de voar para local seguro para passar a noite

 No outro dia passei pelo local e encontrei a Baby. Acho que ela me conheceu porque não mostrou resistência. Deixou até que eu passasse os dedos em sua cabeça
Enquanto eu andava pela rua a Baby me seguia voando bem baixo e pousando logo a frente como se estivesse aguardando-me
Não perdi a oportunidade de fazer um cafuné na Baby. E logo que dava mais alguns passos logo ela voava por cima da minha cabeça e pousava mais a frente
Baby fica observando-me e preparando novo vôo
Aproveitei para fazer um clique da Baby me seguindo. Fiquei encantado e lembrei que a Hélia me disse que a arara não tratava todos dessa forma. Há pessoas que não conseguem se aproximar delas. "Elas gostaram de você", disse Hélia. Hum... fiquei contente
Hélia lembra que um dia um vizinho denunciou para o Ibama as araras e o fiscal logo apareceu. Ela explicou que as araras visitavam o local mas estavam soltas e voavam para onde quisessem. O fiscal não apareceu mais. "Elas estão na natureza! Estão soltas. Elas vêm aqui porque gostam"


Cinco araras canindés visitando no mesmo dia Hélia. Mas já houve dias que muitas outras também estiveram no local. Visitantes sempre bem-vindas e amadas pela encantadora de araras


Veja os vídeos:

Encantadora de aves Parte 1



Encantadora de aves Parte 2


Encantadora de aves Parte 3



04/08/2012

DUBAI:

Cidade ecologicamente insustentável

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José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] Dubai é uma cidade que se vende como se fosse uma grande Itu do deserto. Em Dubai tudo é superlativo: o mais alto prédio do mundo, o hotel mais luxuoso e caro do globo, o maior shopping center, o maior aeroporto, etc. Além disto, construiram uma montanha de neve artificial para esqui, piscinas com ondas, um campo de golf que precisa de milhões de galões de água por dia, restaurante construído em gelo, hóteis feitos em granito, mármore e ouro, etc. E muito, muito automóveis e ar condicionados. Ninguém anda a pé.

Com o dinheiro do petróleo o governo dos Emirados Árabes Unidos investiu na construção de uma cidade totalmente artificial no meio das dunas quentes, como se fosse uma Dineylandia do deserto. Mas não foi uma cidade feita para economizar energia, água ou se adaptar às condições inóspidas do semi-árido, como faziam os antigos beduinos. Ao contrário, criaram uma cidade das Mil e Uma Noites voltada para o luxo, o desperdício, a desigualdade social, a falta de liberdade e a insustentabilidade ambiental.

Aliás o dinheiro do petróleo tem permitido a construção de cidades no Oriente Médio totalmente insustentávei do ponto de vista dos recursos naturais. Qatar é um país de 1,4 milhões de habitantes com uma pegada ecológica per capita de 11,68 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 2,05 gha. O Kwait é um país de 2,5 milhões de habitantes com pegada ecológica de 9,72 gha e biocapacidade de apenas 0,43 gha. Os Emirados Árabes Unidos tem uma população de 8,1 milhões de habitantes, uma pegada ecológica de 8,44 gha e uma biocapacidade de 0,64 gha. Estes são os 3 países com maior pegada ecológica do Planeta e com os maiores déficits ambientais. Isto quer dizer que eles só sobrevivem porque importam alimentos e matérias-primas do resto do mundo.

Mas Dubai é o ícone da insustentabilidade. A Shangri-La do Oriente Médio foi construída do nada em poucas décadas de bolha de crédito, com supressão de direitos, escravidão e ecocídio. Depois da crise de 2009 os segredos de Dubai e o lado obscuro da cidade estão aparecendo. Enquanto isto algumas ilhas artificiais (construidas em um conjunto em forma de palmeira) estão afundando e os lagos artificiais estão possibilitando a propagação de algas que emitem um odor fétido e atraem mosquitos, ao mesmo tempo que afastam os investidores.

A explosão imobiliária (e a especulação) foi construida com o suor dos trabalhadores estrangeiros, principalmente Filipinos, Etiopes, SriLanka, Paquistaneses e indianos. Vivendo em condições extremamente precárias, passam praticamente a vida toda trabalhando, para mandar dinheiro para casa (remessas) que nao é suficiente e não permite o mínimo de autonomia. A sub-classe de trabalhadores estrangeiros – que construiu a cidade – está escondida das vistas dos turistas em Sonapur (em hindu significa cidade do ouro) que é uma série de edifícios de concreto idênticas, onde 300.000 homens vivem amontoados entre o cheiro de esgoto e suor.

Sem os trabalhadores estrangeiros e sem o petróleo a cidade de Dubai não sobrevive. Pode até ser que o turismo gere alguma fonte de receita, mas as desigualdades sociais e a falta de liberdade política não é um modelo que atraia muita atenção do mundo. A família real se acha dona do país e vê as pessoas como seus servos. Aliás, prativamente toda a população nativa trabalha para o governo, que tem sua fonte de renda no petróleo e na renda de imóveis e terrenos.

Portanto, Dubai pode ser uma boa cidade para se comprovar a capacidade humana de construir obras dignas das Sete Maravilhas do Mundo. Mas como as pirâmides dos Faraós, Dubai também pode se tornar apenas um símbolo de uma cidade ecologicamente insustentável no meio do deserto que será incapaz de sobreviver depois do fim dos combustíveis fósseis e das bolhas imobiliárias.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br