08/06/2011


“Potência econômica
e ambiental também”

“Queremos crescer acima da média e com um baixo custo ambiental”

Goiás já tem região com conflitos pela água. Em Cristalina, um dos maiores pólos com agricultura irrigada no Brasil, os rios já estão sendo disputados para o abastecimento público, irrigação e produção de energia elétrica. Temos também, hoje, as barreiras ambientais enfrentadas por quem decide exportar seus produtos e respeitar o meio ambiente é essencial para as empresas sobreviverem. Goiás também já pode ser considerado potência econômica e ambiental. Essas e outras interessantes informações foram repassadas pelo secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Leonardo Vilela em palestra proferida dentro da Semana do Meio Ambiente da Faculdade de Tecnologia Senac, em Goiânia. Educação Ambiental em Goiás acompanhou o evento e você confere abaixo as principais partes.


Leonardo Vilela durante lançamento do 17º Simpósio Ambientalista Brasileiro no Cerrado na Câmara Municipal de Goiânia


“A questão ambiental passa a ter uma importância muito grande para a sobrevivência das empresas. Não só por causa das exigências ambientais, não só porque cada empreendimento, independentemente de sua natureza, tem de ter o mínimo de impacto ambiental possível. Mas também pela imagem que este estabelecimento, esta atividade tem perante os consumidores. Se uma empresa se envolve em um escândalo ambiental, causa danos ao meio ambiente, a imagem dela ficará irremediavelmente danificada frente ao consumidor. Isso pode significar o fim da linha dessa empresa. E normalmente significa”


“Se uma empresa se envolve em escândalo ambiental, causa danos ao meio ambiente, a imagem dela ficará irremediavelmente danificada”


“Há dez ou vinte anos as grandes barreiras para venda de produtos de Goiás para o exterior eram barreiras tarifárias, alfandegárias. Hoje, a Organização Mundial do Comércio é cada vez mais rigorosa com essas barreiras alfandegárias e tarifárias na forma de impostos cobrados principalmente pelos países desenvolvidos pela entrada de produtos de países em desenvolvimento. Essas barreiras passam a ser ambientais e sociais”


“Alguns países europeus, principalmente, colocaram que não vão comprar soja produzida na região amazônica. Isso é uma barreira ambiental. Outros países colocaram que não vão comprar etanol de usinas que não são ecologicamente corretas. Já outros países colocaram que não vão comprar carne bovina se estiver envolvida alguma propriedade que tenha ocorrência de trabalho escravo, que é uma barreira social”


“Goiás é uma potência agropecuária, uma potência mineral. No setor agropecuário estamos entre os quatro maiores produtores do país de produtos agropecuários. Somos a terceira e caminhamos para ser a segunda maior província mineral do país. Vamos ficar apenas atrás de Minas Gerais e estamos ultrapassando o Pará. Temos um potencial enorme em turismo, serviços, comércio. Goiás é um Estado com economia vibrante, forte. E todos nós queremos que o Estado cresça acima da média, gere empregos, melhore a qualidade de vida das pessoas, tenhamos uma renda per-capta cada vez maior e indicadores sociais, de saúde, de bem-estar social cada vez melhores. E queremos tudo isso com um baixo custo ambiental e que seja suportável”


“O potencial de Goiás para a produção de energia renovável é um dos maiores do Brasil e do mundo”


“Goiás é uma potência econômica, sim. Mas é uma potência ambiental também. Porque temos cerca de 50% da nossa vegetação nativa preservada. Apesar de termos áreas sensíveis, áreas que foram degradas é que é importante sua recuperação, cerca de 50% do cerrado goiano ainda está intacto. E isso representa uma riqueza de biodiversidade imensurável. Acredito que vai retornar em ganho econômico para os goianos em futuro cada vez mais próximo. E a segunda questão é o potencial de Goiás para a produção de energia renovável, de energia limpa, que é fabuloso, um dos maiores do Brasil e do mundo. A começar pela energia hidrelétrica. Já somos exportador de energia e o potencial que temos para a produção de usinas hidrelétricas, de pequenas centrais hidrelétricas é muito grande. E a energia hidrelétrica é uma energia limpa, renovável. Isso tem um valor muito grande na medida em que aumentamos a produção de energia hidrelétrica estamos reduzindo a energia proveniente de fontes sujas como, por exemplo, das termoelétricas a carvão mineral ou a óleo combustível, diesel. Isso passa a ter uma importância crucial”

“Unidades de conservação, além dos fins de pesquisa, educação ambiental, vão permitir a identificação de genes, de espécies”


“Por outro lado, Goiás é hoje o segundo maior produtor de etanol do Brasil, que é um biocombustível, um combustível renovável. Cresce cada vez mais e toma uma dimensão cada vez mais importante a produção de energia por meio da queima do bagaço de cana, que é chamada de co-geração de energia, também renovável e que substitui o combustível fóssil de origem do petróleo ou do carvão mineral. Além do potencial que temos de produção de biodiesel. Temos um potencial de produção de energia limpa e de energia renovável, seja através dos biocombustíveis, seja através de energia hidrelétrica, que é fantástico, fabuloso. E isso também tem uma possibilidade de gerar ganhos econômicos, além do obvio ganho ambiental, muito grande para nosso Estado. Tendo em vista essas questões definimos duas prioridades para nosso trabalho na Secretaria de Meio Ambiente. O primeiro deles é a criação de novas unidades de conservação. Hoje, o Estado tem 11 parques estaduais, temos cerca de cento e poucos mil hectares de áreas de preservação estaduais. Parques nacionais temos dois, somando aí mais de 200 mil hectares. Dois grandes parques nacionais: Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, com cerca de 100 mil hectares, e Parque Nacional das Emas, em torno de 131 mil hectares. A nossa intenção é criarmos pelo menos mais 100 mil hectares de parques estaduais, de unidades de conservação para preservação da biodiversidade, para pesquisa científica, para educação ambiental e, ocasionalmente, dependendo da região, dependendo da fragilidade do ecossistema do parque, para ecoturismo. Já iniciamos, estamos trabalhando em áreas de terras devolutas no nordeste goiano. Uma parte delas está bastante preservada. Defendo que essas áreas sejam tomadas como unidades de conservação. Não é necessário que sejam incorporadas ao processo produtivo, não temos essa necessidade. E por outro lado estamos também recebendo doações de grandes grupos econômicos, por exemplo, as siderúrgicas de Minas Gerais, que sempre usaram o carvão de Goiás, basicamente carvão vegetal de cerrado goiano que virou carvão nos fornos de Minas Gerais para a produção de aço. Por acordo de compensação ambiental já doaram ao Estado de Goiás uma área de 7 mil hectares, em Nova Roma, que será brevemente transformada em um parque estadual. Estamos negociando com outras grandes empresas que estão investindo em Goiás outras áreas para que se tornem também unidades de conservação. Isso é importante porque essas unidades de conservação, além dos fins de pesquisa, educação ambiental, vão no futuro permitir a identificação de genes, de espécies que poderão ser extremamente úteis na medicina. Grande parte das plantas do cerrado são desconhecidas do ponto de vista científico e poderemos ter possibilidades imensas de avanços da medicina com plantas do cerrado. Por outro lado, pelo estoque de carbono que elas representam, acredito que, no futuro não muito distante, elas representarão um ativo econômico muito grande”


“A nossa expectativa é que nos próximos quatro anos cheguemos a 20 comitês de bacia”


“A segunda grande linha nossa é a criação de comitês de bacia hidrográfica. Minas Gerais é um Estado um pouco maior do que Goiás e tem 36 comitês de bacias hidrográficas. Quando assumimos Goiás havia um comitê do Rio Meia Ponte e um comitê desativado do Rio dos Bois e Rio Turvo. Já reativamos o comitê do Rio dos Bois e Rio Turvo. Vamos instalar o comitê do Rio Vermelho e o comitê da bacia hidrográfica do Sudoeste goiano. Vamos instalar o comitê de bacia do Rio São Marcos e do Rio São Bartolomeu, em Cristalina, onde já há conflito de água em Goiás. Na região de Cristalina, que é talvez o maior pólo de irrigação do Brasil e que gerou uma riqueza muito grande para a região, esses rios já têm disputa de algumas empresas que construíram ou estão construindo hidrelétrica nos rios. Dizem que se tiver água para produção de energia vai faltar água para irrigação. Começa a preocupação das prefeituras, da Saneago, se haverá a água para abastecimento urbano. Por isso é importante criar os comitês de bacias. Os comitês de bacias envolvem toda a sociedade, o poder público nas suas diversas esferas e envolve os usuários da água. Estabelece diretrizes para utilização da água: o que vai ser utilizado para navegação, consumo humano, irrigação ou produção de energia. Quais são as medidas a serem tomadas para garantir a quantidade e qualidade da água que está sendo produzida. Não adianta ter quantidade de água se ela não tiver qualidade. É uma forma democrática, aberta, transparente de gerenciarmos os recursos hídricos. A nossa expectativa é que nos próximos quatro anos cheguemos a 20 comitês de bacia, envolvendo ou abrangendo todo o território goiano. Isso é um avanço na gestão dos recursos hídricos que são fundamentais”


“Para dar o exemplo de casa lançamos um programa extremamente interessante que é o Programa Compensar. Esse programa é o levantamento de todas as emissões de gás carbono nas atividades de governo, veículos utilizados pelas secretárias... O gasto de energia elétrica, papel, tudo aquilo que cause impacto ambiental, o Estado vai compensar esse impacto ambiental plantando árvores em áreas degradadas e recuperando áreas degradadas, criando novas unidades de conservação. Vamos fazer essa compensação e será importante o governo dar o próprio exemplo para depois cobrar da própria sociedade, do setor privado”


“Espero que em um ano tenhamos concluído o levantamento de todas as emissões de carbono feitas no Estado de Goiás através do inventário de todas as emissões do gás carbono, que é um gás que tem efeito estufa, causa mudanças climáticas, mudanças desde secas em algumas regiões até enchentes e inundações em outras, mudanças que têm impactos sobre a vida humana, sobre a agricultura, produção de alimentos, produção de energia e, principalmente, destruição nos conglomerados urbanos. A partir desse inventário das emissões de carbono vamos ter um instrumento para desenvolver programas de mecanismos limpos. Ou seja, programas que vão mitigar, reduzir as emissões de carbono. E isso poderá ser comercializado no mercado internacional. Tanto a produção de energias de fontes limpas que substitui a produção de combustível fóssil, petróleo e carvão mineral, quanto por meio de ações que mantenham a preservação de áreas de matas nativas de cerrado original. Isso passa a ser uma oportunidade extremamente interessante para os produtores rurais que mantêm áreas de conservação na sua propriedade e para os produtores de energia limpa. Sejam produtores rurais, sejam industriais”


“O programa Mina de Ouro vai começar pela Bacia do João Leite. Vamos remunerar ao invés de só punir”


“Outra ação da maior importância é o programa de pagamento pela prestação de serviços ambientais. Um projeto de lei se encontra na Assembléia Legislativa em fase final de aprovação, um mecanismo adotado por outros países há muito tempo e mesmo em alguns Estados brasileiros que prevê, por exemplo, o programa de pagamento por serviços ambientais. Produtores de água, produtores que têm nascentes de água na sua propriedade. É fantástico. Remunera-se o produtor que tiver sua nascente florestada, seu manancial hídrico protegido por vegetação ciliar, contra erosões, fogo, caçador, lenhador, pescador. O produtor que cuida da sua nascente, do seu manancial, passa a receber uma remuneração periódica por isso. E ele passa a ser o maior guardião, o maior interessado em manter a qualidade e a quantidade daquela nascente. Esse projeto junto com a Agencia nacional de águas, a ANA, já está quase concluído. Vamos começar pela bacia do João Leite porque o reservatório do Ribeirão João Leite vai abastecer, dentro de pouco tempo, dois milhões de goianos de Goiânia e da Região Metropolitana. Um terço da população goiana será abastecido pela Bacia do João Leite. Nada mais justo que nos preocupemos com a qualidade que será oferecida a essa população. Vamos começar pela bacia do João Leite o programa que denominamos Mina de Ouro. Remunerar ao invés de só punir aqueles que não estão dentro da lei. É lógico que fiscalização, penalização, são instrumentos sim de política ambiental. Agora se premiamos de outro lado passa a ter uma importância muito maior”

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Artigo de Aziz Ab'Sáber

Do Código Florestal para o
Código da Biodiversidade



Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzido por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro, favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais. Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos, não têm qualquer ética com a natureza, nem buscam encontrar modelos tecnico-cientificos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.

Por muitas razões, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos esta ideia para Brasília, e recebemos em resposta que esta era uma ideia boa mas complexa e inoportuna (...). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal, razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país, sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras sobretudo de países hegemônicos venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (...). Ou seja, os revisores do atual Código Florestal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha!

O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território especifico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Polícia Federal rural, e o Exército Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que têm muito a aprender com um Código novo que envolve todos os macro-biomas do país, e os mini-biomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimático e fitogeográfico do território. Para pessoas inteligentes, capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da “estadualização”, é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e ecológico de todos os domínios de natureza do país. A saber, as duas principais faixas de florestas tropicais brasileiras (a zona amazônica e a zona das matas atlânticas), o domínio dos cerrados, cerrados e campestre, a complexa região semiárida dos sertões nordestinos, os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, além do nosso litoral e do Pantanal Mato-grossense.

Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo – a meu ver bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – que atualmente na Amazônia brasileira predomina um verdadeiro exército paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação tem mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília, e diferentes membros do executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinquenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres, o dono da fazenda e sua esposa, e os filhos em cavalos lindos. E os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E, alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bicicletistas meninos, deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.

Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que “a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser”. Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados, sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do cetro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os “seus negócios na Amazônia” (...). Ou seja, por meio de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo são libertados para madeireiros contumazes. E o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para reutilizar terras degradadas ou exigir dos governantes tecnologias adequadas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominadas por areias finas (siltizaçao).

Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora esta reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do país. Imagine-se que para o rio Amazonas, a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos, rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.

Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional. Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripario-biomas), e, depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).

Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma crítica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, porque na Amazônia a lei exige 80%? Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada destruição. Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as matas atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa, foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos “mares de morros”, colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma detruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².

Os relatores do Código Florestal falam em que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a “(re)florestamento” por espécies homogêneas, pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestamento. Esse último, pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades, sendo que eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas foi feito um plano de (re) organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: Projeto FLORAM. Os eucaliptologos perdem éticos quando alugam espaços por trinta anos, de incautos proprietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis, do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo.

Ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinos, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.

Por todas as razões somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo, que conhecemos há muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia, e, sendo político, tem que honrar a história de seus partidos. Mormente em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.

Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Trata-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições socioambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios, administrados técnica e cientificamente por órgãos do executivo federal, teríamos que conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia que envolve conexões com nove estados do Norte brasileiro. Em relação ao Brasil tropical atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de Norte a Sul do Brasil, e assim por diante.
Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.

Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres. Em qualquer espaço do território amazônico, que vem sendo estabelecidas glebas nas quais se poderia realizar um desmate de até 80%, haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Lembrando ainda que, nas propostas de revisão, propriedades de até 400 hectares teriam o direito de um desmate total em suas terras, vejo-me na obrigação de que a médio e longo prazo existiria um infernal caleidoscópio no espaço total de qualquer área da Amazônia. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas, ficarão à mercê de corte de árvores dotadas de madeiras nobres. E, além disso, a biodiversidade animal certamente será a primeira a ser afetada de modo radical.

Uma cartografia simbólica dos desmates, em propriedades de diferentes tamanhos, permite uma previsão visual do que seria a dinâmica do cenário do desmatamento regional, antevisto a médio prazo. Baseados em fatos reais já acontecidos no vale do Tocantins (Pará) e nos planaltos interiores de São Paulo e Minas Gerais. No caso da Amazônia (o que mais nos preocupa), machadeiros e motoserristas – acompanhados de queimadas sincopadas – o roteiro dos desmatamentos seguiu por rodovias, ramais e sub-ramais, atingindo radicalmente as “espinhelas de peixe” dos loteamentos feitos em quarteirões especulativos no interior das matas biodiversas. Lotes de cinquenta a cem hectares, considerados pequenos na Amazônia, foram vendidos a incautos moradores de regiões distantes. Neste último caso, os numerosos aquisidores, que nem mesmo puderam chegar ao sítio das terras compradas à distância, cederam o espaço para madeireiras espertas e persistentes. Fato que pode ser visto e analisado em imagens de satélite na região norte do Mato Grosso, no médio Tocantins, na Bragantina, Acre sul - oriental, Rondônia, Oeste-noroeste do Maranhão, e diversos outros setores das terras amazônicas.

Insistimos em prever que se houver um Código que limite a área de proteção das florestas a apenas 20% do espaço total de cada propriedade, seja qual for o seu tamanho, de 400 a um milhão de hectares - o arrasamento a médio prazo será inimaginavelmente grande e progressivo.

Uma das justificativas mais frequentes para os que são favoráveis para a ampliação de áreas desmatáveis, - em cada propriedade de terra firme na Amazônia - é de que, assim, haverá mais emprego para trabalhadores amazonidas. Pouca gente lembra, entretanto, que em numerosas fazendas e fazendinhas da Amazônia brasileira predomina o trabalho semi-escravo. Desde o início da ampliação das chamadas fronteiras ditas agrícolas, predominaram o trabalho braçal periódico ou temporário, para machadeiros, criadores de gado, madeireiros e plantadores de eucaliptos. Sendo que, nas raras áreas de solos melhores, estabeleceu-se o vai-e-vem tradicional de empregos no preparo da terra e plantio, em períodos limitados. E, mais tarde, diversas atividades na época da colheita. Caminhoneiros fizeram penetrações esdrúxulas para atingir locais de madeiras nobres ou transportar troncos de árvores para serrarias ou para o transporte de produtos das raras commodities. Agora, em espaços da soja, da cana, e muito eventualmente do arroz. Sendo que somente os capatazes mandonistas ganham razoavelmente.

Quem procura um emprego qualquer, em uma fazenda, ainda que temporário, sofre um drama trágico e muito cansativo. Para chegar à fazenda escolhida, marcham a pé com sua matulinha mirrada de roupas singelas, caminhando por quilômetros nas estreitas trilhas das florestas, até atingir as propriedades onde conseguirão um emprego braçal – seja o preparo do solo para plantações, seja a ampliação dos capinzais para o gado, seja no corte de árvores para ampliação dos espaços ditos produtivos, seja no trabalho rápido e esgotante nas épocas de colheitas. Quando despedidos são obrigados a voltar para áreas de beira de estradas onde existem rústicas aldeias ou “ruas” pseudo-comerciais.

Temos acompanhado, desde 1972, os problemas criados por capatazes autoritários em propriedades amazônicas, pertencentes a pessoas ou grupos de pessoas alienígenas. Conflitos dos mais diferentes tipos acontecem entre pobres trabalhadores silvos-rurais e os donos de propriedades dos mais diferentes tipos. Há uma resistência permanente em face à remuneração dos que vem de fora em face dos minguados preços pagos aos que nasceram na própria Amazônia. Reciprocamente, o comportamento dos proprietários em relação aos poucos tratos de terras férteis pertencentes a reservas indígenas é catastrófico e quase insolúvel. Um dia encontrei em um aeroporto um proprietário de uma fazenda, que ia viajar para a Amazônia no noroeste da Roraima, onde possuía suas terras. Perguntei-lhe qual era a relação entre seus camaradas e os índios Yanomamis da região, e a resposta infeliz veio rápida e antiética: “Para eles, é o meu capataz que responde, erguendo seu perigoso facão”.

Numa ocasião, ao término de uma visita a uma fazenda dedicada à pecuária, nos pediram que em nossa volta levássemos para uma farmácia um camarada doente, que estava passando muito mal. Na realidade, era alguém que contraiu uma malária radical, designada por “tersã maligna”. Não dá para falar sobre o triste estado do pobre trabalhador, sentado no banco detrás do meu carro. Na farmácia, tomamos conhecimento que em casos similares a única providencia era um coquetel de remédios agressivos, por meio dos quais o pobre doente “melhorava ou morria”.

Na rodovia entre Rio Branco e Brasiléia (Acre), pudemos sentir o ódio que alguns jovens tinham para o que chamavam de “paulistas”, os quais teriam comprado terras durante os trabalhos de construção da estrada. O desmate interfluvial fez com que as cabeceiras de igarapés secassem; e que muitas propriedades da terra firme desmatada, ficassem sem qualquer atividade produtiva. Explicação dos acreanos: inadimplência dos proprietários alienígenas “porque nunca eles quiseram fazer uma parceria conosco, que temos muito mais experiência sobre atividades agrárias em nossa região”. Note-se que o termo “paulista” dizia respeito a qualquer pessoa procedente do centro sul do Brasil. Tal como nessa imensa área, todos os migrantes são designados por “baianos”, independentemente de onde tenham vindo.

Aqui chegados em nossas considerações, torna-se indispensável referir-se a atividades de pequenos produtores familiares, dotados de terras mais férteis, de dimensões limitadas, tais como várzeas de ricos solos fluvio-aluviais ao longo do rio Amazonas, ou de pequenas áreas de terra firme dotadas de oxisolos oriundos da decomposição de basaltos ou diabásios [infelizmente, porém, essas últimas áreas são bastante raras, envolvendo em seu espaço total menos de oito mil quilômetros quadrados]. Ou em um modelo localizado de plantações em praias de estiagem do rio Acre. Ou, onde vicejam linearmente melancias, melões e algumas plantas alimentares. Ou em bordas de florestas restantes em terrenos de projetos falidos, onde se estabeleceu o importante e famoso projeto RECA. Houve um tempo em que muito se falou em reservas extrativistas, a partir do Acre de Chico Mendes, ampliado para todo o território amazônico. Evidentemente, houve muito exagero nessa campanha, tão simpática quanto inviável. Mas aconteceu felizmente uma proposta bem mais complexa e diversificada, que pode ter grande aplicação a curto e médio prazo; a qual introduzia atividades mais lógicas e produtivas, sem de tudo eliminar o sentido complementar do extrativismo. Trata-se de um modelo pioneiro, inventado por um ex-padre francês, de origem rural, que após conhecer o Paraná foi para o Acre com a ideia de trabalhar na reutilização de áreas degradadas. Após conversar com o inteligente Bispo Don Grec, em Rio Branco, resolveu fazer uma experiência extremamente válida e quase científica porque se utilizou do chamado “efeito de borda” para iniciar plantações com espécies amazônicas, tais como açaí, cupuaçu e pupunha. Seu projeto foi feito em cooperação com amazonidas residentes na fronteira da Rondônia com o Acre, tendo foco inicial na pequena cidade de Nova Califórnia.

Nenhum governo soube perceber o quanto o projeto ali instalado e desenvolvido, poderia ser útil para numerosas outras áreas de borda de matas remanescentes. Sem falar que no seio da floresta continuava o projeto extrativista tão caro aos companheiros do extraordinário acreano Chico Mendes. Além do que, o chamado “reflorestamento econômico concentrado e adensado” (RECA), teve um caráter didático para os cooperados que se integraram no trabalho, produzindo espécies amazônicas e produtos comestíveis importantes para sua alimentação (como açaí, abacaxis, castanhas e, sobretudo, mandioca). Na borda das florestas, devido à forte luminosidade e hidratação caída das folhas e galhos poderão ser produzidas muito mais coisas ainda, a favor dos amazonidas, tais como bananeiras e mamoeiros, e diversas outras plantas frutíferas. Muita coisa ainda resta ser analisada, no famoso projeto, que infelizmente foi muito pouco compreendido por técnicos e governantes.

Nas mudanças que se pretendem fazer para o atual Código Florestal existem alguns tópicos extremamente criticáveis. Ao se discutir o tamanho de propriedades familiares se definiu as mesmas até quatrocentos hectares. Fato que significa que todas as pequenas e médias propriedades produtoras, ou parcialmente aproveitadas, até 400 hectares poderão ser totalmente desmatadas. O fato de considerar o espaço de propriedades familiares até o nível de 400 hectares é um absurdo total. Trata-se de uma excessiva flexibilização que poderá produzir um mosaico detruidor de florestas ao longo de rodovias, estradas, riozinhos e igarapés. Um cenário trágico para o futuro, em processo no interior da Amazônia brasileira. No entanto, propriedade de 100 a 400 hectares, que conservassem um razoável percentual de matas no seu entorno, poderiam receber esquemas parecidos com o projeto RECA, na borda dos remanescentes florestais. Fato que não foi considerado nem de passagem pelos idealizadores e relatores de um novo Código Florestal. Razão pela qual deixamos aqui além de uma crítica, que julgamos absolutamente necessária, uma proposição de acréscimos de atividades para pequenas e médias propriedade familiares. Lembrando que quem faz críticas tem que elaborar propostas bem planejadas para resolver as situações consideradas negativas.

Anotamos ainda que a ideia de reduzir para 15 metros faixas de proteção de florestas beiradeiras (mini-biomas ripários) tem um caráter extremamente genérico e de duvidosa aplicabilidade. A nosso ver não é possível limitar, generalizadamente, as áreas beiradeiras, em termos de alguns metros de largura. Pelo contrário, é necessário considerar os fatos relacionados a igarapés, riozinhos, rios, e “parás” (grandes rios), utilizando a tipologia popular amazonida. A impressão que se tem é de que, determinando uma largura geral para proteção, estaríamos possibilitando desmates no nível de todos os espaços situados entre a beira de cursos d’água até muito além onde se situam os interflúvios de colinas ou encostas de pequenas serranias amazônicas. Existe toda uma aula a ser dada sobre essa problemática que tende a criar cenários extremamente caóticos em relação ao futuro a diferentes profundidades de tempo.

Um comentário quase final: não se faz qualquer projeto de interesse nacional pensando apenas em favorecer de imediato só uma geração do presente, em termos de especulação com espaços ecológicos, mesmo porque somos de opinião que devemos pensar no sucesso de todos os grupos humanos, ao longo de muito tempo. Uma questão de bioética com o futuro. Sem pensar na grande capacidade que o conjunto das imensas florestas equatoriais zonais preservadas da Amazônia tem em relação ao clima do planeta Terra; assunto que preocupa todos os pesquisadores sensíveis do mundo. Gente que espera que o Brasil faça uma proteção integrada da maior área de vegetação florestal que ainda resta em regiões equatoriais e sub-equatorias do mundo. Será muito triste, cultural e politicamente falando, que pessoas de diversas partes do mundo ao lerem as mudanças absurdas pretendidas para o Código Florestal, venham a dizer que fica comprovado que “o Brasil não tem capacidade para administrar e gerenciar a Amazônia”. Ainda que em outros países haja um interesse permanente em adquirir por preços irrisórios as madeiras do território amazônico. Tristes frases que sempre vem sendo ditas ao sabor de trágicos acontecimentos ocorridos em nossa principal área de vegetação florestal, que se estende por alguns milhões de quilômetros quadrados.

A utopia de um desenvolvimento com o máximo de florestas em pé não pode ser eliminada por princípio em função de mudanças radicais do Código Florestal, sendo necessário pensar no território total de nosso país, sob um ampliado e correto Código de Biodiversidade. Ou seja, um pensamento que envolva as nossas grandes florestas (Amazônia e Matas Tropicais Atlânticas), o domínio das caatingas e agrestes sertanejos, planaltos centrais com cerrados, cerradões e campestres; os planaltos de araucárias sul-brasileiros, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, e os redutos e mini-biomas da costa brasileira e do Pantanal mato-grossense, e faixas de transição e contrato (core-áreas) de todos os domínios morfoclimáticos e fitogeográficos brasileiros).

Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de quinhentos a milhares de hectares, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em espaços de quarteirões implantados para venda de lotes de cinquenta a cem hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente, decorridos poucos anos.

Aziz Nacib Ab Sáber
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06/06/2011

17º SABC
em Itumbiara






ENCONTRO REGIONAL ITUMBIARA

21/06/2011


Local: Auditório do Palácio 12 de outubro


End.: Avenida Itumbiara, nº 01, Vila de Furnas


08h às 08h30min – Inscrições


- Café no Cerrado


08h30min – Abertura Solene


- Composição da Mesa


- Hino Nacional


- Boas Vindas das Autoridades


09h – Palestras


9h às 10h – Legislação Ambiental


Dr. Paulo Rangel de Vieira – Promotor de Justiça - em Auxílio no Centro
Operacional do Meio Ambiente - Ministério Público - Goiás


10h às 11h – Pagamentos por Serviços Ambientais

Dr. Ary Soares dos Santos – Superintendente do IBAMA-Goiás

11h às 12h – Mesa Redonda


12h – Intervalo – Almoço


13h30min – Apresentação de Vídeo


14h – Palestra: Sustentabilidade do Cerrado


- Prof.Dr. Altair Sales Barbosa – Diretor do ITS/ PUCGoiás


15h às 16h – Mesa Redonda


16h – Encerramento


- Café no Cerrado


- Entrega dos Certificados


Inscrições e Informações:


Agência Municipal do Meio Ambiente de Itumbiara - AMMAI


Rua Paranaíba, nº 129 - Centro

Presidente: José Margonari

Telefone: (64) 3433-0316 (Tatiane; Letícia ou Gerusa)


Email: jmmargonari@gmail.com


tatianegoulart@htomail.com


Secretaria do 17º SABC - Goiânia


Telefone: (62) 3524-4244/8177-4778 (Mayza Toledo)


Site: www.sabc.org.br - Email: secretariasabc@gmail.com


Inscrições Gratuitas. Número Limitado de Vagas!!

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05/06/2011

DIA DO MEIO AMBIENTE

Araguaia:
a relação água e vida
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Foto do Google Earth mostra local entre Pará e Tocantins com mata ciliar reduzida pelo desmatamento. Com a terra desprotegida as águas não infiltram como antes e o rio vai perdendo quantidade e qualidade das águas

Ao conversar com ribeirinhos, índios Karajá ou quem conheceu o Rio Araguaia das décadas de 60 e 70 já é possível constatar que o rio sofre as consequências da ação antrópica com a ocupação dos cerrados com a expansão das froteiras agrícolas e das cidades. Há dois anos conversei com o cacique Raul da aldeia Buridina e ele relatava que o Araguaia tinha muito mais água e muito mais peixes na mesma época do ano em que hoje observamos o rio. Antigos pescadores também observam o mesmo. E análises da água realizadas por órgãos ambientais também mostram alterações. Realmente não é possível o homem ocupar o meio ambiente sem causar alterações e impactos ambientais. Ainda mais tendo de produzir alimentos para bilhões de pessoas que vivem na Terra. Mas o que se procura é minimizar esses impactos com, por exemplo, o cumprimento das leis. E para sensibilizar e conscientizar é muito importante conhecer. Só assim sabe-se a verdadeira importância de preservar. As águas do Rio Araguaia mantêm múltiplas vidas dentro e fora do rio. Não só os animais e peixes dependem do rio como o ser humano também que não só pode se alimentar dos frutos do rio como depende também do equilíbrio no tempo, no clima, que vão afetar as colheitas de grãos. Tudo está interligado no meio ambiente e para sobrevivermos bem nesta Terra dependemos desde uma pequena nascente ou córrego a um grande rio. Podemos viver na Terra porque ela mantém as condições ideais para a vida desenvolvidas ao longo de milhões, bilhões de anos. E todos devem ter o compromisso de preservar: ribeirinhos, fazendeiros, turistas, pescadores, índios e poder público. A ação conjunta de todos na preservação é a melhor alternativa para mantermos as belezas naturais do Rio Araguaia e inclusive a nossa própria vida.


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Abaixo matéria publicado pelo jornal O Popular


Araguaia já perdeu 44,5%
da vegetação permanente


Estudo revela que devastação das APPs do rio coloca em risco qualidade e quantidade de água


Almiro Marcos
O Popular 4-6-2011


Um Dia Mundial do Meio Ambiente sem muitos motivos para comemorar. Pelo menos é assim que pode ser considerado em relação ao Rio Araguaia. Os títulos de principal rio goiano e paixão do povo de Goiás não são garantia de preservação para ele. A importância que ele tem no discurso não se transporta para o mundo da prática. A realidade é ingrata e revela que a devastação já atinge quase metade das matas localizadas às margens e nas nascentes do Araguaia e de outros rios da bacia em Goiás.

Chamadas de áreas de preservação permanente (APPs), tais tipos de vegetação são teoricamente protegidas por lei e não poderiam ser retiradas. Mas foram e, o pior, é que talvez não precisem ser recuperadas. Ocorre que mudança proposta na atualização do Código Florestal Brasileiro (que encontra-se atualmente no Senado) dá margem para que situações como a da Bacia do Araguaia sejam consolidadas da forma como estão. Ou seja, sem recuperação do que já foi desmatado e ameaçando a disponibilidade dos recursos hídricos e a biodiversidade.

Estudo feito por pesquisadores então vinculados à Universidade Federal de Goiás (UFG) e publicado em 2009 tentou apontar o impacto do desmatamento em APPs nas bacias do Alto e Médio Araguaia, que abrangem justamente o território goiano. A área pesquisada, com base em imagens de satélites fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi desde as nascentes, em Mineiros, até a divisa com o Tocantins (Conceição do Araguaia).

Foi feito um recorte nas duas regiões, abrangendo, além do próprio Araguaia, rios que o abastecem, como Vermelho, Caiapó e Crixás. As referências das informações foram os meses de julho e agosto de 2006. A situação verificada não foi nada alentadora: 44,58% das APPs da bacia do Alto e Médio Araguaia já foram desmatadas. Isso representa uma área de 635.256 hectares (ou pouco mais de 635 mil campos de futebol).

"A situação já era preocupante. Apesar de não termos feito uma verificação posterior, é certo que a situação mudou para pior. Afinal, o que observamos como regra é que a devastação sempre aumenta, enquanto as ações de recuperação são pontuais", justifica a professora Luciane Martins de Araújo Mascarenhas, hoje vinculada à Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e que na época do estudo era doutoranda em Ciências Ambientais pela UFG.

Implicações

Mais do que um desrespeito à legislação ambiental em vigor, que prevê proteção das matas ciliares dos cursos d'água (no caso do Araguaia são 100 metros a contar de cada uma das margens), as constatações do estudo têm implicações práticas. "Sem a proteção das matas ciliares e nascentes, colocamos em risco a disponibilidade e a qualidade da água", acrescenta o professor Manuel Eduardo Ferreira, doutor em Ciências Ambientais e vinculado à UFG, que também participou do trabalho.

O titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente, Luziano Carvalho, desenvolve um projeto de recuperação de nascentes em Goiás desde 1999. É com conhecimento de causa que ele salienta que a proteção vegetal natural favorece os mananciais. "As árvores, principalmente nas áreas de nascentes, fazem com que a água da chuva se infiltre e abasteça os lençóis subterrâneos. Sem a proteção, não há recarga, aumenta a evaporação da água que brota e diminuiu a quantidade", diz.

Fonte: Jornal O Popular


Ocupação da área pesquisada
foi intensificada a partir de 1970


A área da bacia pesquisada no estudo não tem ocupação antiga. A intensificação se deu a partir da década de 1970, com a expansão da fronteira agropecuária nacional. A vegetação natural foi gradativamente derrubada para dar espaço para pastagens e lavouras.

O fato levou à futura degradação de áreas que, até pelo bom senso, não poderiam ter sido convertidas, como margens de córregos e próximas a nascentes, essenciais para a disponibilidade dos recursos hídricos. Hoje, o quadro consolidado na metade das áreas de preservação permanente (APPs) é o da falta da cobertura natural. Um dos problemas decorrentes foi o surgimento de erosões (voçorocas).

A professora Luciane Martins, que participou do estudo sobre a degradação de APPs, explica que o tipo de solo do Alto e Médio Araguaia favorece o surgimento de erosões e o assoreamento dos rios, já que o material, sem a proteção das árvores e suas raízes, é levado direto para o leito dos cursos d'água. Em situações normais, árvores e raízes funcionam como filtro para esse material, além de impedir, é claro, o surgimento do processo erosivo.

A ocupação do Cerrado como um todo foi feita, no passado, com incentivo do governo. Por isso, produtores rurais se defendem. "Houve incentivo. O governo financiou. As cidades cresceram e a economia desenvolveu. A lei da reserva legal, que definiu área a ser mantida de 20%, veio em 1989. Agora, como vão punir pessoas que vieram e ocuparam as áreas antes disso?", argumenta o presidente da Federação da Agricultura e da Pecuária em Goiás (Faeg), José Mário Schreiner.

Fonte: Jornal O Popular



Outros levantamentos
mostraram problema


O levantamento feito sobre a situação das áreas de preservação permanentes (APPs) da Bacia do Araguaia em Goiás não é o primeiro que indica problemas para o rio. Outros estudos ao longo dos últimos anos indicam problemas preocupantes na bacia, sejam recentes ou antigos.


Em 2004, uma expedição organizada pelo governo de Goiás, chamada de Couto de Magalhães, percorreu boa parte do rio levando técnicos e colhendo informações a respeito do grau de devastação e conservação do rio.

Foi verificada a presença de construções irregulares nas margens do rio e também de desmatamento dentro da faixa que deveria ser preservada. O Ministério Público (MP), que enviou um perito ambiental com o grupo de pesquisadores, constatou que o desmatamento irregular continuava ocorrendo em APPs, a despeito da tese de que a devastação na região já havia sido consolidada no passado.

Além disso, amostras de água foram coletadas em vários pontos do rio, avaliando vários itens, dentre eles a qualidade da água. Um dos pontos que chamaram a atenção dos técnicos foi o alto índice de sedimentos transportados, acima do que o rio normalmente leva.

Outro estudo a respeito da qualidade da água do Araguaia foi feito pelo pesquisador suíço Gérard Moss, que percorreu vários países fazendo análise de água. No País, com o Projeto Brasil das Águas, ele coletou amostras em várias bacias. A verificação da questão do Araguaia indicou a alteração da composição natural da água do rio em função da ação humana em suas margens.

Dos dez pontos onde o pesquisador fez coleta de água na Bacia do Araguaia em Goiás, em apenas dois a água foi considerada natural (sem alterações). Em quatro pontos, a análise indicou impacto de baixo a moderado. Em outros quatro pontos, a situação da água foi considerada com impacto da atividade agropecuária.

Fonte: Jornal O Popular


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04/06/2011

EA é o 3º pilar
da Nova Semarh

.Estudantes participaram de oficinas de música
com instrumentos de recicláveis


A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Semarh apresentou o Programa Nova Semarh. Titular da pasta, Leonardo Vilela lançou um pacote de ações voltadas para a preservação ambiental e atendimento ao cidadão no Centro Cultural Oscar Niemayer, em Goiânia. São ações que já estão em fase de implantação ou que foram implantadas e continuam recebendo a devida atenção pelo órgão.


Evento contou também com oficina com sementes do cerrado

Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Leonardo Vilela

Nesse novo planejamento da Semarh as ações são divididas em três pilares: Gestão Transparente e Eficiente; Desenvolvimento Sustentável e Educação Ambiental.

A superintendente Executiva Jacqueline Vieira com o governador Marconi Perillo durante o lançamento da Nova Semarh

O terceiro pilar, a Educação Ambiental, envolve toda a sociedade, precisa que todos os cidadãos estejam engajados para a preservação do meio ambiente. “Essa não é uma ação só do governo. Tem que envolver a mudança de cada cidadão, a mudança de hábito, de comportamento, só assim a gente conseguirá ter um ambiente plenamente sustentável e os recursos naturais bem utilizados e uma qualidade de vida cada vez melhor. Eu acredito nisso”, disse Leonardo Vilela.

Som a partir de instrumentos que utilizam materiais reaproveitados

Entre os programas de educação ambiental destaca-se o Programa Araguaia o Ano Inteiro. As fiscalizações não seriam realizadas somente em julho. “Queremos durante todo o ano fazer com que o Araguaia não só seja fiscalizado, mas que as nossas equipes de educação ambiental estejam permanentemente visitando os municípios, como estão hoje, visitando os ribeirinhos, conversando com a população, e transmitindo práticas sustentáveis de proteção ao Araguaia. Fazer com que cada ribeirinho, cada habitante do Araguaia seja um guardião do nosso rio e do nosso estado”, conclui Leonardo. (Com informações de Brenno Sarques)