20/11/2011

Fé no meio ambiente

Alto da Serra do Engenho Velho vista do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia (imagem captada a cerca de 3 quilômetros) em Muquém, município de Niquelândia. Desenvolvemos trabalho de educação ambiental durante a romaria que acontece todos os anos no mês de agosto
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Procissão realizada todas as manhãs durante a romaria de Nossa Senhora D'Abadia do Muquém
. Santuário de Nossa Senhora D'Abadia de Muquém logo após procissão por antes das 6 horas da manhã
. Procissão levando a imagem de Nossa Senhora D'Abadia de Niquelândia ao Muquém - distância de 45 quilômetros
. Entrada do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia de Muquém
. Distribuição de sacos de lixo e orientações sobre meio ambiente na entrada do santuário
.Trabalho de educação ambiental durante a romaria
. Imagem de Nossa Senhora D'Abadia de Muquém
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Procissão com centenas de pessoas caminhando os 45 quilômetros durante toda a noite. Alguns fazem o trajeto também durante o dia ou percorrem 60, 70 ou 100 quilômetros durante vários dias
. Procissões começam as 5:30 da manhã e ao amanhecer os fieis chegam a igreja para a primeira missa
. Em acampamento durante a romaria é muito importante cuidar da higiêne. Crianças participaram de oficinas de desenho e pintura durante a romaria como fez Gabrielly de 10 anos de Niquelândia
. Imagens de anjos na entrada esquerda do santuário
. Cachoeira do Rio São Bento é um dos atrativos do Muquém para toda a família
. Cavaleiros de Brazlândia chegam ao Muquém com imagem de Nossa Senhora da Abadia
.Bárbara Myllena e sua pintura: "Vamos construir esse mundo"
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Passeio no pônei pelo Muquém
. Oficina de educação ambiental com pintura e desenho na Cachoeira do Rio São Bento
. Por-do-sol visto dentro do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia. Ao fundo Serras em volta do Muquém
.Cavaleiros de Brazlândia, Distrito Federal, chegando ao Muquém. À frente o alfere Elton Tavares de Oliveira com a bandeira e ao lado a imagem de Nossa Senhora D'Abadia. "Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo com vosso valor", diz frase na camiseta azul de cada cavaleiro
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Coleta de lixo realizada pela prefeitura de Niquelândia
. Homem subindo Serra do Engenho Velho. Imagem captada a cerca de cinco quilômetros com lente de 800 milímetros
. Promessa cumprida. O homem teve o pé cortado por serra, fez promessa e veio cumprir ao conseguir a graça
. Imagem do Cristo e cruzeiros em outro lado da Serra acessado pela trilha dos escravos. Imagem captada apartir do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia com lente de 800 milímetros - distância de cerca de três quilômetros
. Maria Elizabete de Padre Bernardo fez seu desenho e pintou: cuidando do verde
. Por-do-sol atrás do cruzeiro na entrada do Santuário
. Maria Elisabete de Padre Bernardo mostra sua pintura: meio ambiente em equilíbrio
. Muitos acampamentos são montados em meio a vegetação que existe próxima ao santuário. Mas há fornecimento de água pela Saneago e energia pontos de energia elétrica para acampamentos autorizados
. Yuara Crescencio montando o varal com os trabalhos dos alunos que participaram da oficina de desenho e pintura sobre meio ambiente em Muquém
. Yuara Crescencio acompanhando o trabalho dos alunos
. Sandro de Niquelândia só caprichando
. Na Cachoeira do Rio São Bento, Fernando Henrique e a professora Cleonice Aparecida dos Santos de Campinorte
. Vitor Hugo de Água Fria - dedicado
. Yuara Crescencio conferindo se cada trabalho tinha o nome do autor ou autora
. Cada pintura mais bonita
. Ronald de Edilândia desenhou e pintou a fachada do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Dinâmica do pato porque ninguém é de ferro. Reflexão com brincadeira
. Como é bom ficar admirando os trabalhos depois expostos...
. Palestra de educação ambiental e meio ambiente. Quem quer participar?
. Por que é importante preservarmos o meio ambiente de Muquém? Os rios, as árvores, os animais, aves...
. Pôr-do-sol na Serra do Engenho Velho que contorna o Muquém
. Logo após a entrada do Muquém já é possível avistar a Serra do Engenho Velho e ao fundo à esquerda a trilha que fieis percorrem pagando promessas. Sobem no mais alto da serra em locais que até precisam ser escalados
. Palhaço Petequinha, equipe do Ibama (coordenada por Robson, de branco) e equipe de educação ambiental da Semarh
. Romeiros chegando em cavalos e já bem próximo do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Durante a romaria, queimada na Serra do Engenho Velho durante dia e noite: teve um autor, com certeza já que não havia causas naturais como raios. O que se pretende o autor de queimadas? Destroi a vida, ninhos de aves, sementes, um ambiente em equilíbrio
. Estudante Valéria (sentada) e outros voluntários ajudam na distribuição de sacos de lixo e na sensibilização dos romeiros e acampantes da Romaria do Muquém
. Enquanto a Romaria do Muquém ocorre a Serra do Engenho Velho vai sendo consumida pelo fogo. O mês é realmente muito seco mas nem por isso havia motivo para fogo. Com a grande queimada se espalhando, a altura da serra que bloqueia o vento, o Muquém fica muito quente. São vários dias de altas temperaturas
. De joelhos bem abaixo da imagem de Nossa Senhora D'Abadia
. Enquanto a romaria acontece ao fundo a Serra do Engenho Velho vai queimando. Lamentável
. Detalhe do fogo captado com lente de aproximação: cerca de três quilômetros é possível ver o fogo consumindo a vegetação rasteira e colocando em fuga os urubus. Animais lentos, ninhos, insetos são eliminados em poucos minutos com o avanço do fogo
. A romaria que acontece há dezenas de anos vai mantendo a tradição com romeiros chegando com cavalos transportando bagagem para a família passar alguns dias no local
. Cena lamentável captada a partir da área comercial do Muquém
. O fogo durante a noite enquanto na área comercial do Muquém pessoas procuram uma farmácia onde há ligação para celular com antena rural cobrada por minuto. Celular normalmente não pega no Muquém e só há um orelhão que nem sempre funciona mas sempre está com uma imensa fila
. Bombeiros combatendo queimada às margens da estrada que dá acesso a cachoeiras. Em muitas queimadas é preciso monitorar e utilizar até o contra-fogo: fogo na direção do fogo para tentar combater as chamas. Muito trabalho e muito risco para combater o fogo provocado muitas vezes por quem não demonstra a devida responsabilidade
. Fogo subindo a Serra do Engenho Velho. Fogo serra acima sem água serra abaixo... Durante a Romaria o tempo é muito seco e sem chuvas
. Integrante do grupo do Palhaço Petequinha
. Interior do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia antes das 6 horas da manhã quando chegou a procissão do dia
. Vista do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Muitas famílias também participam da Romaria, inclusive levando suas crianças, em busca de auxílio ou doações
. Pagamento de promessas com fiel subindo pelas escadas da igreja
. As crianças conferindo os trabalhos das oficinas de educação ambiental na Tenda do Ibama. Todo dia uma olhadinha: muito bom para a reflexão
. Integrante do grupo do Palhaço Petequinha
. Mastro com imagem de Nossa Senhora D'Abadia logo após a entrada principal do Muquém
. Velas no Cruzeiro em frente ao santuário
. Romeiros subindo a Serra do Engenho Velho. Imagem captada a cerca de 3 quilômetros
. Pela foto dá para ver a altura da Serra do Engenho Velho onde muitos romeiros sobem para cumprir suas promessas
. Imagem de Nossa Senhora D'Abadia dentro da igreja onde fieis beijam a fita
. Contraste da luz do pôr-do-sol com a fumaça da queimada
. Vista da região do Muquém a partir da Serra do Engenho Velho. A área comercial e depois o telhado do Santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Procissão que ocorre todos os dias a partir das 5:30 da manhã pelas ruas onde são instalados acampamentos de romeiros
. Para subir a Serra do Engenho Velho em muitos trechos é preciso escalar. Mas a corda foi colocada pela primeira vez em 2011. Antes nem corda tinha e os romeiros subiam assim mesmo correndo mais risco
. No meio do caminho que tinha várias pedras, ou melhor, no meio da trilha dá para avistar a área comercial do Muquém e depois o telhado do santuário. Mas para cima ainda tem muita trilha para ser percorrida ou escalada. Vamos seguindo...
. A fé estampada em cada rosto. Maioria de adultos e também idosos que acordam cedo para acompanhar a procissão e assistir logo após a missa
. Subindo mais um pouco dá para ter uma vista privilegiada e olhar para trás e ver mais gente subindo
. Choca ver o contraste da beleza do pôr-do-sol encobrida pela fumaça da queimada
. Um dos locais mais difíceis de escalar. E pensar que antes nem tinha corda e centenas ou milhares de pessoas subiam a cada ano pagando suas promessas
. Mais um ângulo da procissão já durante o amanhecer
. Detalhe: é preciso segurar firme para continuar subindo
. E na hora de descer segurar mais firme ainda
. Procissão em mais um final de madrugada
. Na área comercial é possível encontrar de tudo que se vende em um supermercado. Tem também drogaria, restaurantes e área para shows. Além de cumprir promessas os romeiros também podem levar para casa o que precisam
. Uma das recompensas de quem sobe a Serra do Engenho Velho percorrendo a trilha dos romeiros é ver bem distante o lago de Serra da Mesa que fica a uns 40 quilômetros do Muquém
. Mais um ângulo da procissão que saí no final da madrugada percorrendo o Muquém
. Procissão rumo ao santuário
. Nossa. Não foi fácil mas estou chegando ao topo da Serra do Engenho Velho. Lá em baixo o Muquém. Vamos ver o que tem aqui em cima que nem todos sabem ou já viram
. Procissão rumo ao santuário por volta das 6 da manhã
. A alvorada e a fé dos romeiros do Muquém. Gente que saí de vários municípios de Goiás e todos os anos monta acampamento para cumprir suas promessas a Nossa Senhora D'Abadia
. Administração do Santuário e Rádio
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Vista da igreja lotada
. Detalhe da romeira com o terço ou rosário nas mãos acompanhando a procissão
. Romeiros dentro da igreja tocando na imagem de Nossa Senhora D'Abadia
. Subindo a rampa para beijar a fita que desce da imagem da santa
. Imagem de Nossa Senhora D'Abadia que é conduzida na procissão durante a madrugada
. Palhaço Petequinha coloca crianças para procurar objeto com a boca dentro de bacia cheia de farinha de trigo. Advinha no que vai dar...
. Procissão da manhã chegando ao santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Trabalho de educação ambiental realizado também com as crianças na praça em frente ao Santuário de Nossa Senhora D'Abadia
. Pintura de Bárbara
. E as crianças participando da brincadeira do coração quente e respondendo pergunta sobre meio ambiente e como melhorar o Muquém
. Yasmim de 10 anos, de Pirenópolis, desenhou e pintou a arara-azul e o bicho preguiça com o texto: "No cerrado existem vários bichos silvestres como a arara-azul, o bicho preguiça e vários outros. Os rios também são muito bonitos e apreciados por muita gente. É o caso também do Muquém que tem vários rios lindos."
. Detalhe dos pés de uma romeira que chegou ao santuário com os pés enfaixado depois de percorrer muitos quilômetros a pé cumprindo sua promessa. Só de Niquelândia ao Muquém são 45 quilômetros e muitos romeiros fazem percurso ainda maior
. Chegada da Imagem de Nossa Senhora D'Abaida que saiu de Niquelândia no final da tarde e só vai chegar ao Muquém no outro dia de madrugada. Romeiros passam a noite na procissão de cerca de 45 quilômetros
. Detalhe da Serra do Engenho Velho em local que não foi atingido pelo fogo. Na época muitas árvores com flores que antecedem o período de sementes e muitas outras já dispersando suas sementes. Se ocorre uma queimada nesse momento toda a produção de sementes do ano é eliminada impedindo a germinação de novas plantas. O cerrado se recupera com as plantas já existentes que conseguem rebrotar. Mas a perda sempre é considerável e bem poderia ser evitada com a conscientização das pessoas
. Missa no Santuário de Nossa Senhora D'Abadia às 6 horas da manhã e logo após a procissão
. A imagem de Nossa Senhora D'Abadia chegando ao Muquém depois de percorrer 45 quilômetros entre a cidade de Niquelândia e o Muquém. Todos muito cansados mais com muita fé
. Primeiro santuário de Nossa Senhora D'Abadia. A foto é reprodução de foto exposta no interior do santuário
. A cada dia mais uma procissão
. A fé nas mãos
. Equipe da Seduc de Goiás também fez palestra e oficinas durante o Muquém
. Nárya Cristina Almeida, de Niquelândia, 11 anos: "No cerrado há arara, bicho preguiça, tamanduá, ema e até o pica-pau"
. Procissão durante a noite toda entre a cidade de Niquelândia e o Muquém
. Reflexão sobre os cuidados com o meio ambiente durante a Romaria do Muquém
. Olha a turminha mostrando seus trabalhos na oficina de desenho e pintura da Semarh na tenda do Ibama
. A tia Yuara e o tio Wagner mostrando todo o potencial do Cerrado e por que preservá-lo
. Vídeos sobre meio ambiente também exibidos para as crianças durante a Romaria do Muquém
. E nada melhor do que depois ficar um tempão admirando os trabalhos que fez ou os trabalhos dos colegas. E assim vão refletindo sobre a reação situação do Muquém durante a romaria. Muita árvore na região mas também fogo e lixo que precisa ser reciclado. O que fazer?
. Equipe da TV Câmara dos Deputados de Brasília acompanhou o trabalho de educação ambiental da Semarh
. Por todos os lados no Muquém se vê morros, serras e o cerrado resistindo aos meses mais secos do ano
. Enquanto isso os trabalhos dos alunos nas oficinas de desenho e pintura vão sendo exibidos nos varais. Muitos feitos com extremo capricho
. Davi Lima preferiu fazer um texto: O ar
. Olha a turminha mostrando com satisfação o trabalho na oficina de meio ambiente
. Luz da lanterna na descida da trilha. Já estava escuro porque o melhor horário para subir a serra é durante a tarde e se demorar lá em cima tem de descer no escuro. Mas foi preciso para fazer os registros em fotos e vídeos
. Depois de Muquém o trabalho de educação ambiental da Semarh foi realizado na comunidade Calunga de Vão de Almas, município de Cavalcante. Mas essa já é uma outra história para breve, se Deus quiser
. O cerrado do município de Niquelândia, no Muquém, em cima da Serra do Engenho Velho chamou muito minha atenção. Belo, rústico, original. A imagem foi captada com lente de 800 milímetros para mostrar de perto o que os romeiros do Muquém vêem de longe. . . .
PERSPECTIVAS PARA O CERRADO BRASILEIRO:


Passado, presente e futuro


Prof. Ms. Valter Machado da Fonseca*

Meus caros (as) leitores (as)!


Falar do Cerrado brasileiro já está ficando algo apaixonante. Falar do nosso Cerrado já não é apenas uma questão de homenagem a um bioma ímpar com características singulares, mas, sobretudo, trata-se de uma necessidade urgente, diante do quadro altamente preocupante que se desenha para este valiosíssimo bioma.

Dias atrás, eu comentava com colegas professores, que também compartilham dessa preocupação com o futuro incerto do nosso Cerrado, que sinto saudades dos tempos de outrora, tempos de criança, onde podíamos correr livremente pelo Campo em busca de aventuras, comuns no imaginário de crianças e adolescentes. Lembrávamo-nos da flora e da fauna características do bioma. Em especial dos frutos silvestres como a gabiroba, o Araçá, o Murici, a goiabinha do mato, o araticum silvestre, o gravatá (uma flor de excelente sabor e que fazia parte da culinária cerradeira), o bacupari, o jambo do Cerrado, do pequi, do jenipapo. Lembrávamos ainda dos condimentos como o açafrão, a pimenta do brejo, além de palmitos com a guariroba (uma espécie de palmito amargo). A tabela abaixo, demonstra a riqueza florística do Cerrado.


Uso

Exemplares

Alimentício

Pequi; palmito guariroba.

Condimentar, aromatizante e corante

Pimenta-de-macaco; canela-batalha (condimentos); baunilha e o arcassu (aromatizantes); açafrão-do-cerrado (corante)

Têxtil

Sementes, folhas e entre-casca: plantas dos gêneros Chorisia, Eriotheca, Pseudobombax, Mauritia, Attalea, Xylopia, Luehea e Guazuma.

Corticeiro

Pau-santo, mama-de-porca, cervejinha, tamboril-do-cerrado; fruta-de-papagaio

Tanífero

Barbatimão; angico; carvoeiro; acácia-negra

Exsudato (resina, goma, bálsamo e látex)

Jatobá; breu, laranjinha-do-campo (resina); Vochysia sp.,

angicovermelho, aroeira (gomeiras); bálsamo, cabreúva,

copaíba, ou pau-d'óleo (bálsamo); mangabeira, Himatanthus obovatus, leiteiro, algumas espécies de Ficus (látex)

Produção de óleos e gorduras

Babaçu, macaúba, pequi

Medicinal

Poaia, arnica

Ornamental

Ervas, samambaias e avencas, até o jequitibá e o tamboril da mata; as quaresmeiras, os ipês, e a guariroba.

Artesanal

Flores, sementes e folhas de mais de 100 espécies.

Apícola

Diversas espécies usadas pelas abelhas

Aparentado de cultivos comerciais

Anacardium (caju), Manihot (mandioca), Ananas (abacaxi), Annona (ata, pinha), Dioscorea (cará), Diospyrus (caqui),

Psidium (goiaba), Passiflora (maracujá), Arachis (amendoim) e Pauilinia (guaraná)

Figura 4 - Plantas do cerrado

Fonte: BDT (2003).

Org.: S. R. Braga (2003).

Observem que os destaques da tabela não chegam a 2% das espécies que compõem o nosso Cerrado. Das centenas de espécies nativas do Cerrado, cerca de, apenas 20% têm o princípio ativo conhecido.

Quanta falta nos fazem as diversas espécies de madeira de lei, como o Jatobá, a aroeira, o Jacarandá, o Pau Ferro, a cerejinha, dentre outras espécies que, paulatinamente vão sumindo da paisagem do Cerrado. Lembrávamos ainda de diversas espécies de aves do Cerrado, a exemplo do pintassilgo, do azulão, dos papa-capins, dos periquitos do Cerrado, das Seriemas, do Canário da Terra.

Hoje, quando passamos nas autoestradas que cortam o bioma vemos milhares e milhares de hectares de soja ou cana de açúcar, ou os dois. Estas monoculturas vêm homogeneizando as espécies, eliminado a competição biológica e fazendo proliferar as espécies dominantes [que outrora faziam parte de um ecossistema equilibrado], mas que hoje se transformaram em grandes vilãs, as pragas. A retirada da vegetação original faz com que centenas de microrganismos do solo se extinguissem. A ocupação do ecossistema por gramíneas e leguminosas invasoras tem também desequilibrado, substancialmente, o ecossistema e aumentado o número de pragas, tem certos locais que, mesmo os frutos originais do Cerrado têm perdido seu sabor delicado e original, para se transformar em espécies geneticamente modificadas em laboratório.

Diante disso, eu reafirmo que o nosso Cerrado é totalmente injustiçado com a marginalidade que lhe foi (é) imposta pelas novas tecnologias do campo, voltadas exclusivamente para o agronegócio e a agroindústria. Assim, nunca devemos nos esquecer de que este bioma, sustentáculo de um solo ácido (rico em alumínio), uma vegetação composta por espécies de troncos e galhos tortuosos e retorcidos, de folhas ásperas, de raízes profundas e adaptadas à captação de água em grandes profundidades, na verdade, trata-se do mesmo ecossistema que abriga em suas entranhas o Guarani, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo. Trata-se do mesmo bioma que abriga em suas encostas um gigantesco mosaico de nascentes dos principais rios do continente sul americano, constituindo-se, desta forma, na grande caixa d’água de nosso continente. O mesmo Cerrado que, para muitos, trata-se somente de um ecossistema secundário e “feio” nos mostra sua adaptação milenar às condições adversas de temperatura e mudanças climáticas. Ao mesmo tempo sua vegetação ostenta flores extremamente belas pela sua singeleza e simplicidade. Neste sentido, este artigo visa a homenagear o nosso Cerrado que, para quem admira a natureza como “uma senhora muito experiente e extremamente sábia”, que soube construir um ecossistema simples, rico e belo não somente na aparência, mas, sobretudo, na profundidade infinitamente exuberante na essência. Sou cerradeiro, nasci no Cerrado e nele hei de descansar por toda a eternidade.

Referências

FONSECA, Valter Machado da; BRAGA, Sandra Rodrigues. O Cerrado e o desafio da sustentabilidade. II Encontro dos povos do Cerrado. UNIMONTES, Pirapora (MG): 2004. CD-ROM (anais)

______. O Cerrado brasileiro: a biodiversidade ameaçada. III Encontro dos povos do Cerrado. UNIMONTES, Pirapora (MG): 2004. CD-ROM (anais)

FONSECA, Valter Machado da. Cerrado Brasileiro: Estado de conservação, Fronteira Agrícola e unidades de conservação. Periódico Científico Fórum Ambiental da Alta Paulista, UNESP, Tupã (SP): ANAP, 2008, p.40-66.


* Técnico em Mineração e Geólogo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP/MG), Geógrafo, Mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU/MG). É professor dos cursos de Engenharias de Produção, Civil e Ambiental da Universidade de Uberaba (UNIUBE). É diretor da Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Uberaba – AGB/Uberaba. Possui inúmeros trabalhos relativos às áreas de Educação, Geografia e Geociências, publicadas em anais de Congressos e Seminários nacionais e internacionais, além de vários artigos publicados em periódicos científicos. É pesquisador das áreas de “Alterações Climáticas” e “Impactos socioambientais das monoculturas sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos”. É membro-fundador e coordenador do Núcleo de Estudos em Educação, Filosofia e Ciências Sociais do Triângulo Mineiro (NEEFICS). É autor dos livros: “A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA PÚBLICA: entrelaçando saberes, unificando conteúdos” (2009), “ENTRE O AMBIENTE E AS CIÊNCIAS HUMANAS: artigos escolhidos, ideias compartilhadas” (2010) e “O SUJEITO & O OBJETO: educação e outros ensaios” (2010).