27/12/2008




Letra da música Kananciuê
Carrapicho

Uandiê, E, E, A, A
Uandiê, E, Eh Karajá. Sie, sie, sie, sie
Cao-Era...
Kananciuê, Tatauapã,
Numia, Arapia, Numia
Sob a luz do luar he, he
Nas terras de berohokã Canãa, Canãa
Nas margens do Rio Araguaia
Aruanã, Aruanã, Aruanã, Aruanã
I nan so wera E, E, E, E
He
E se fez a luz
no sopro da vida A
Sie, sie, sie, sie, sie A... Karajá
Feiticeiro do fogo
Tentou ao cantar hei, hei
Afugentar
A Escuridão hei, hei
Feiticeiro da taba
Eleva o olhar
Vem clariar (oh lua)
Todo o meu chão. Meu chão
Numia, arapia, hei, hei, hei, hei
Cao-Era


Curso de especialização 


em Educação Ambiental


O Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da Universidade Federal de Goiás, vem tornar público aos interessados, que estarão abertas as inscrições ao curso de Especialização em Educação Ambiental, no período de 15/05/2009 a 16/06/2009, de 2ª feira a 6ª feira, exceto feriados, no horário de 8:00 às 11:30 horas e das 14:00 às 16:30 horas. Maiores informações e o Edital podem ser obtidos na Secretaria do curso, situada à Sala 01 do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais - IESA, Campus II (Samambaia) da UFG, CEP:74.001-970, Goiânia, Estado de Goiás, pelos site www.iesa.ufg. br/nupeat  e pelo endereço eletrônico sanfaoli@iesa. ufg.br e, pelo fax (0**62) 521-1077 ou ainda, pelo telefone (0**62) 521-1184 Ramal 200.


COORDENADORA: Profa. Dra. Sandra de Fátima Oliveira

DURAÇÃO: 375 horas

INFORMAÇÕES: e-mail: sanfaoli@iesa. ufg.br

FONE/FAX: 35821-1170 e 3521-1184 ramal 200.

OBJETIVOS DO CURSO:

  1. Instrumentalizar os profissionais que trabalham em educação Ambiental para participar de equipes multidisciplinares no estudo de problemas relativos à Educação Ambiental ;

  2. Ter um bom desempenho, quando exercerem atividades junto à comunidade ou a grupos específicos como escolares e trabalhadores;

  3. Integrar conhecimentos sobre Educação Ambiental e meio ambiente que os capacitem a analisar criticamente as inter-relações entre ser humano/sociedade/ natureza e sua cultura;

  4. Integrar conhecimentos, analisar criticamente e experimentar métodos e técnicas educativas, coerentes com abordagens teóricas de Educação Ambiental;

  5. Integrar a Educação Ambiental nos diversos níveis da educação formal, partindo de um pensamento global com ação local.

    .

    .

    .

    .

21/12/2008

Parque de Pireneus

Fotos de 

Lucas Oliveira

de São Paulo

Clique na foto e veja ampliada na tela
Lucas Oliveira do alto do Pico de Pireneus - 1385 metros de altitude. Por questão de segurança, à noite não é permitida a visitação de turistas. Mas é à noite que é possível ver luzes de cidades como Brasília, Pirenópolis, Alexânia, Anápolis e até de Goiânia ou um raio de mais de 150 quilômetros. Lucas Oliveira é de São Paulo e enviou essas fotos para o http://wagneroliveiragoias.blogspot.com/ pelo e-mail: computador31@yahoo.com.br

Clique na foto e veja ampliada na tela
Vista do alto do Pico de Pireneus, no Parque de Pireneus, municípios de Pirenópolis, Corumbá de Goiás e Cocalzinho.

Clique na foto e veja ampliada na tela
Piscinas naturais entre pedras. Água para animais e aves do Parque de Pireneus.

Clique na foto e veja ampliada na tela
Morro do Cabeludo. Um dos cartões postais do Parque de Pireneus. 

Clique na foto e veja ampliada na tela
Lucas Oliveira registrou este momento. Educação Ambiental da Semarh e turistas em trilhas do Parque de Pireneus. Lucas estava com sua namorada e na foto aparecem também a educadora ambiental Odália Machado, o gestor do Parque de Pireneus Nenon Folha e eu. Valeu Lucas pelo envio das imagens. Mas alguns momentos para os visitantes do blog.

Veja matéria completa sobre Parque de Pireneus neste link:

.
.
.
.
.

15/12/2008


BOAS IDÉIAS



Aquecedor solar de pet


alunos no 9º Pensar

Arenópolis - Goiás

  

O trabalho desses alunos de Arenópolis chamou minha atenção.

No Centro de Cultura e Convenções foram expostos mais dois outros trabalhos sobre aquecimento de água a partir da luz e energia do sol. Mas o dos alunos de Arenópolis estava mais completo. A idéia vem do sul do país e já está bem experimentada. Funciona realmente e a conta de luz reduz bastante.

É uma belíssima idéia para economizar energia elétrica. Parabéns aos alunos de Arenópolis. Parabéns ao criador do aquecedor popular de água, o catarinense José Alcino Alano, que mora no sul do Brasil e sabe bem a importância de ter água quentinha e sem gastar energia elétrica.

Um bom exemplo do que deve ser desenvolvimento sustentável.


.

.

.

.

.

 

12/12/2008



BOAS IDÉIAS


Sorvetes e picolés

evitam extinção de

frutos do cerrado

Entrevista com Sr. Clóvis José de Almeida, que criou a Frutos do Cerrado Sorvetes e Picolés.

 

Empresa gera empregos, renda e mostra o potencial frutífero do Cerrado

 

Sem a compreensão de que um pé de gabiroba pode render reais no bolso do agricultor quando os frutos são vendidos, um pé de mangaba ou de corriola também podem gerar renda é que o Cerrado foi sendo transformado apenas em imensas lavouras de soja, milho, cana, lenha e carvão.

Com as transformações climáticas e catástrofes ocorrendo mais freqüentemente surge um momento de reflexão: até que ponto a nossa interferência no meio ambiente do cerrado está causando impacto no ciclo das águas, na intensidade das chuvas, na própria falta de chuvas nas épocas que elas são esperadas.

Sem chuvas não há pequi. Isso ficou evidente em 2007 quando por falta de chuvas faltou pequi em Goiás. Tivemos de importar pequi de Minas Gerais e outros Estados. Dá para imaginar uma situação dessas?


Picolé de pequi, picolé de murici, picolé de araça, picolé de mutamba... Há uns quatro anos, um picolezeiro ia gritando as variedades na Praça do Bandeirante, em Goiânia. Muitos que passavam até duvidavam. Inclusive eu. Mas era verdade. De tão desconhecidas, as frutas nativas do cerrado, pelas novas gerações não se imaginava que elas voltariam das histórias dos antigos no palito. Ainda bem porque sem motivação econômica esses sabores selvagens e raros já teriam desaparecido. Mas um exemplo do 'cerrado Fênix' que ressurge das cinzas em forma de gelo.


O trabalho do Sr. Clóvis José de Almeida mostra que é possível ganhar dinheiro com o cerrado só preservando e colhendo seus frutos. Custa muito menos hoje para o fazendeiro manter o cerrado em pé com plantas frutíferas e vendê-las para fabricação de picolés e sorvetes do que arrendá-las para terceiros.


Conheça mangaba e


bacupari no cerrado



Frutas como a Corriola são raríssimas atualmente. Possivelmente não existiriam mais se não tivessem sido criados parques estaduais como o Parque Estadual de Pireneus (municípios de Pirenópolis, Corumbá de Goiás e Cocalzinho) e reservas biológicas como a Reserva Biológica da Universidade Federal de Goiás, em Mossâmedes.

Existem também casos isolados de fazendeiros que não desmataram todos os pés de corriola. Mas o fruto continua muito raro tanto quanto saboroso. Uma delícia. E o cheiro é tão marcante que quando a corriola está madura pode ser sentido seu cheiro no cerrado às vezes até por centenas de metros ou quilômetro. O que chama a atenção de animais e seus dispersores de sementes que ao se alimentarem vão plantando mais corriolas pelo cerrado. 


Clóvis Almeida em palestra na Universidade Católica de Goiás. Ele diz que um dia recebeu uma mensagem de um pastor quando vendia picolé na rua. Os pastor disse que ele ia fazer palestras e seria conhecido internacionalmente. Nesse dia ele empurrava um carrinho de picolé pelas ruas de Goiânia e não tinha vendido nenhum picolé. Foi difícil acreditar mas aconteceu como profetizado. Sr. Clóvis mostra internacionalmente que o cerrado em pé com seus frutos é viável economicamente, ecologicamente,... 


Sr. Clóvis está plantando mangaba e outras frutas do cerrado em sua chácara e doa sementes que obtém na produção de polpas para produção de mudas. Mas ainda não é o suficiente. É necessário surgirem outros Clóvis mostrando que o cerrado é viável em pé.


Sr. Clóvis lembra que fez o picolé de corriola e vendeu por quatro vezes mais o valor de um picolé de frutos do cerrado. Se o picolé hoje custa R$ 1,50, custaria R$ 6 reais um picolé de corriola. Procurei várias vezes o picolé de corriola em Goiânia e não encontrei. Para saber qual é o sabor da fruta tive de experimentar e saboreá-la em reservas ambientais. Hoje posso dizer que é realmente uma delícia. Agora se a fruta está tão escassa, não seria melhor muitos agricultores plantarem corriola. Melhor mesmo seria não ter desmatado o cerrado desenvolvido e adaptado às condições da nossa região durante milhões de anos. 


"Perguntei para meu avô que fruta do cerrado eu podia comer. Ele disse: a fruta que passarinho comer você pode comer"  


A corriola que encontrei em reservas ambientais não estava nas matas de galerias, nem nas matas ciliares. Estava no cerrado aberto, no campo sujo (dá para imaginar que um tipo de cerrado tão rico em espécies medicinais e frutíferas seja chamado de campo sujo? Deveria ser chamado é de CAMPO RICO. Quanto desconhecimento ainda nesse sentido). E é justamente esse cerrado que o fazendeiro não pensa duas vezes ao decidir desmatar. Extermina espécies vegetais milenares e de sabores indescritíveis e característicos da nossa região. Sabores de frutas endêmicas, que só existem no cerrado. Não existem nos outros biomas, nos outros países. São espécies que resistem ao calor, que vivem bem em terrenos arenosos, entre pedras, solos pobres, mas que produzem delícias que o mundo não conhece e nem mesmo a maioria dos goianos sabe o que é. Estão no vulgar campo sujo as riquezas desconhecidas do cerrado.

O exemplo do Sr. Clóvis que produz picolés com os frutos do cerrado mostra que não era preciso mudar muito o meio ambiente para gerar condições ideais de sobrevivência. É possível ter o desenvolvimento sustentável em uma propriedade rural, por exemplo, com a comercialização de frutos do cerrado.


Corriola: um dos frutos mais deliciosos do cerrado. Parece figo. Mas tem uma semente grande com polpa em volta. Um picolé de frutas do cerrado custa R$ 1,50 em Goiânia e R$ 1,00 em Paraúna. O picolé de corriola pode custar até quatro vezes mais: R$ 6,00 reais porque não há quantidade suficiente de frutos. Plantar corriola é uma ótima idéia


Em palestra na Universidade Católica de Goiás, Clóvis lembrou que tem muita dificuldade de encontrar esses frutos atualmente para fabricar os picolés e sorvetes. Viaja milhares de quilômetros todos os anos comprando frutos do cerrado. Em alguns lugares vê mangadas servindo de alimentos para o gado enquanto poderia render muito, muito mais se transformadas em polpas, em picolés, em sorvetes. A falta de conhecimento do potencial frutífero do cerrado leva a essas conseqüências.

O cerrado levou milhões de anos para se desenvolver. Mas foi destruído em poucas décadas. Nas próximas décadas e a cada dia vamos ter de reconstruir o que já existia. Temos de replantar as frutíferas da nossa região. Temos de plantar mangaba, corriola, gabiroba, murici, bacupari, pequi, barbatimão e muitas outras. Plantar espécies que viraram cinza nas queimadas indiscriminadas para limpar áreas para pasto ou para expansão das monoculturas de exportação. 


Muitas espécies endêmicas do Cerrado viraram carvão antes mesmo de serem melhor conhecidas por pesquisadores e pela própria população. Na expansão das monoculturas no cerrado utilizavam por exemplo grossas correntes amarradas em dois tratores. Por onde os tratores passavam tudo era derrubado. Hoje, leis ambientais proíbem e garantem punição para esse desmatamento descontrolado e criminoso. Mas somente a conscientização do proprietário da terra pode fazer com que ele saiba utilizar de forma sustentável sua propriedade. Muitos desmatam e tempos depois já estão vendo nascentes secarem dentro de suas propriedades. 


Sem água das chuvas não há água nas nascentes, não há frutos no cerrado nem mesmo vigam monoculturas para exportação. O prejuízo é de todos nós e do próprio fazendeiro que insiste em burlar as leis dos homens e as leis da natureza. Só grandes catástrofes naturais poderão fazer repensarmos nossas atitudes com o meio ambiente?  


Temos de replantar o que já existia, que a natureza proporcionava quando o homem começou a ocupar o bioma cerrado. Temos de refazer, reconstruir para aprender a preservar. “A natureza não se defende, mas vinga”. Então essa frase é verdadeira. A natureza não impede que uma árvore seja cortada. Mas o clima muda, as chuvas não vêm, os frutos não vingam, o calor é mais intenso e talvez um dia vamos poder entender mais que aquecimento global, mudanças climáticas, catástrofes climáticas, grandes tragédias ambientais com as que ocorreram em Santa Catarina têm de alguma forma a ver sim com um pé de mangaba ou de corriola que não existe mais.

Tudo está interligado neste mundo. Pouco ou muito, cada ser vivo tem uma determinada importância e interferência no meio ambiente. Na sua preservação ou destruição. O que estamos fazendo?


Vídeos exibidos no Globo Rural

Parte 1


Parte 2


.

.

.

.

.  

 

11/12/2008


O Cerrado merece reflexão

O Cerrado proporciona reflexão

Vista a partir do Parque 

Estadual da Serra Dourada

no Estado de Goiás


Clique na imagem para ver ampliada




.
.
.
.

07/12/2008

PARQUE DE PIRENEUS

Clique nas fotos para ampliá-las na tela

A beleza do cerrado que lembra as savanas africanas. Várias formações fisionômicas com campos limpos, campos sujos, veredas, cerrado Strictu sensus, matas de galerias e campos rupestres no Parque de Pireneus


Pôr-do-sol no Parque de Pireneus atrai muitos turistas

O Parque Estadual dos Pireneus foi criado em 1987 com objetivo básico de preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica e tem hoje uma área de 2.833 hectares. Ele possibilita a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza e turismo ecológico. Está localizado entre os municípios de Pirenópolis, Corumbá de Goiás e Cocalzinho e o órgão responsável pela gestão é a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos - Semarh. Tem altitudes que variam de 1.100 a 1.320 metros, com ponto culminante de 1.385 metros no Pico dos Pireneus. O Acesso é por meio das cidades de Pirenópolis (18 km) e Cocalzinho (7 km). Está a 120 quilômetros de Goiânia e 150 de Brasília.


"O ser humano só muda
com educação ambiental"


Nenon Pereira Folha completa em janeiro de 2009 dois anos na gestão do Parque Estadual de Pireneus. Ele lembra que durante este período buscou melhorar as vias internas do parque, conseguiu coibir várias formas de vandalismo com diálogo e conscientização ao invés de repressão. Antes de gerir o parque, Nenon Folha trabalhou no Núcleo de Educação Ambiental da antiga Agência Ambiental e levou para sua administração a mesma filosofia do seu trabalho em palestras em escolas e universidades de Goiás. Assim, muitas vezes foi visto no parque vestindo colete verde da Educação Ambiental. Além disso, continua realizando suas palestras para estudantes e turistas que visitam o local. Nenon e José Francisco apresentaram os principais pontos do parque aos educadores ambientais Odália Machado e Wagner Oliveira. Leia entrevista a Wagner Oliveira na sede do Parque Estadual de Pireneus.

"O ser humano só muda de comportamento e de atitude de espírito por meio da educação ambiental. E ela é importante não só no Parque de Pireneus, mas começa em casa"


Wagner Oliveira - Por que educação ambiental é importante no Parque de Pireneus?

Nenon - Porque o ser humano só muda de comportamento e de atitude de espírito por meio da educação ambiental. E ela é importante não só no Parque de Pireneus, mas começa em casa. Você começa a ter essa mudança quando começa a agregar valores aos recursos naturais. Educação ambiental não é fácil porque quem tem de mudar sou eu. Está escrito no artigo 225 da Constituição Federal que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Mas para que aconteça isso eu tenho de mudar. Por isso precisamos da educação ambiental.

Wagner Oliveira - O que o Parque de Pireneus tem a oferecer para os turistas?

Nenon - Ele é rico em formação e monumentos naturais, cachoeiras, plantas medicinais, fauna e flora típicas do cerrado.

Wagner Oliveira - Estou ouvindo uma seriema cantando. Há muitos animais aqui. Há onças?

Nenon - Com certeza. Temos visto rasto de onça suçuarana, onça-preta e outros animais como seriema, ema, veado campeiro, tamanduá-bandeira, tatu-china, tatu-galinha, capivara, várias famílias de macacos, várias espécies de gaviões.

Entrada do Parque a partir de Pirenópolis

Wagner Oliveira - Quem são os pesquisadores que fazem trabalhos aqui e quais resultados interessantes já podemos citar?

Nenon - São biólogos e geólogos. Temos recebido várias turmas da Universidade Estadual de Goiás - UEG, Universidade Federal de Goiás – UFG, Universidade de Brasília - UnB e também de outras escolas particulares que ministram cursos, fazem pesquisas. Não temos resultados em mãos, mas a importância das pesquisas está em estar catalogando para cuidarmos, preservarmos e levarmos a informação a outros alunos e outras entidades que procuram o parque.

“já está provado por geólogos e outros estudiosos que fazem pesquisas que no passado tudo isso aqui era submerso”




Morro do cabeludo: um dos cartões postais do parque

"Temos feito um trabalho muito sério no sentido de proibir que as pessoas levem qualquer tipo de produtos ou espécies para casa ou que retire do lugar onde está"

Wagner Oliveira - Quais comprovações existem no Parque de Pireneus de que o cerrado já foi fundo de mar?

Nenon - Várias características nas formações rochosas dentro do parque que indicam que aqui no passado foi mar. Isso já está provado por geólogos e outros estudiosos que fazem pesquisas que no passado tudo isso aqui era submerso.

Wagner Oliveira - O sr. também conhece bem o cerrado e quando recebe turistas acaba fazendo um trabalho de guia. O que podemos falar sobre as espécies vegetais existentes no Parque de Pireneus?

Nenon - Temos caju, mangaba, pequi, mamacadela, bacupari. E várias espécies são endêmicas e típicas dessa região.

"Uma vez tirada a cobertura vegetal do cerrado vai levar uns 30 anos para ela regenerar"

Wagner Oliveira - Destruir o cerrado afeta essas espécies.

Nenon - Se destruir a vegetação típica do cerrado essas espécies vão desaparecer. Uma vez tirada a cobertura vegetal do cerrado vai levar uns 30 anos para ela regenerar. Por isso temos de cuidar dessas riquezas do cerrado.


Wagner Oliveira - O que o turista não pode fazer no parque?

Nenon - Há áreas que não podem ser visitadas a não ser para realização de pesquisas. Temos feito um trabalho de monitoramento dessas áreas para que elas não sejam degradadas por pessoas. Não é permitido esporte radical com jipeiros, motocross e até cavalgada. Som automotivo, bebidas e animais domésticos também são proibidos. Trabalhamos de acordo com as normas do plano de manejo e ele não permite. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC também prevê essas restrições.


Wagner Oliveira - O sr. já observa mudanças de comportamento de quem visita o parque? Hoje há mais conscientização? Há bons resultados obtidos a partir do trabalho de educação ambiental realizado no parque?
Nenon - Com certeza. Temos mantido uma presença constante no parque, conversando, informando o que pode o que não pode. Por que temos de preservar o parque e as espécies. E já observo mudanças de comportamento


Odália Machado e Nenon Folha no Pico de Pireneus: 1385 metros de altitude. Ao fundo o Morro do Cabeludo

Wagner Oliveira - Quais são os maiores desafios hoje do Parque de Pireneus?

Nenon - Temos vários. O primeiro é cercar o parque. Embora não impeça a ação de vândalos, mas pode minimizar. Estamos também lutando para a construção do Centro de Visitação do Parque de Pireneus. É onde vamos catalogar as informações que vão estar à disposição dos visitantes.

Wagner Oliveira - O que o turista ou visitante tem de fazer para ter acesso ao parque?

Nenon - Em Pirenópolis temos o Centro de Atendimento ao Turista – CAT, guias, todas as informações sobre as áreas de visitações dentro do parque. Estamos lutando para que o plano de manejo seja aprovado, mas o parque já está aberto à visitação. Há várias áreas e monumentos que podem ser visitados por turistas e pela comunidade dos três municípios que formam o parque: Pirenópolis, Cocalzinho e Corumbá de Goiás.


Várias nascentes dentro do parque mantêm viva a flora, a fauna e juntam-se a rios que correm para outros Estados brasileiros


Wagner Oliveira - A água que cai no Pico de Pireneus a 1.385 metros de altitude em relação ao nível do mar corre para três bacias hidrográficas no Brasil.

Nenon - Aqui é um divisor de águas. O parque tem importância relevante nesse sentido. Uma parte da água que caí e vai para a Bacia do rio Corumbá, caí no Rio São Francisco, Rio do Prata, que abastece Paraguaia, Uruguai e Argentina. Temos também a Bacia do Rio das Almas que leva para a Bacia Amazônica. Ainda temos a Bacia do Rio Maranhão que leva para o Rio Tocantins que, posteriormente, vai estar abastecendo a Bacia Amazônica. São três bacias importantes com nascentes no Parque de Pireneus.

Wagner Oliveira - Que tipos de fisionomias do Cerrado existem no Parque de Pireneus além do campo rupestre que ocorre em locais de mais de 900 metros de altitude?

Nenon - Tem o campo limpo e veredas, locais onde há espécies de arnica, o cerrado alto, as matas de galerias que regulam a temperatura e abriga a fauna e a flora existente dentro do parque. E nos campos limpos ocorre muito o chuveirinho ou Paepalanthus que é muito bonito.


Rochas quartiziticas enormes que seriam trituradas em pedreiras foram preservadas com a criação do Parque de Pireneus. Muitas lembram formas de pessoas ou de animais como a Pedra do Rei, Família Peri, Pedra da Tartaruga, Calango e outras

Wagner Oliveira - As canelas de ema também ocorrem em altitudes e aqui no parque podemos vê-las em vários locais. E elas resistem às queimadas.

Nenon - O cerrado está adaptado a essa interferência e várias espécies só brotam após o fogo. Fogo de 15 minutos e temperatura de cerca de 600 graus. Há espécies que precisam desse calor para levar um choque térmico para nascer. Há plantas que só lançam a flor após o fogo. Apesar de lutarmos para que o cerrado não seja queimado ele está adaptado para esses tipos de interferências

Estudos apontam que desgastes nas rochas foram feitos por animais aquáticos que se alimentavam na rocha. Daí a conclusão de que as rochas estiveram um dia no fundo do mar. Mares rasos no coração do Brasil onde hoje é cerrado


Wagner Oliveira - Foi fotografada aqui no Parque de Pireneus águia chilena. Veio migrando do Chile? Como está essa águia hoje?

Nenon - Têm cerca de dois metros da ponta de uma asa a outra. O lugar aqui é bem propício para que ela se reproduza. Mas é uma ave muito arisca que não gosta da presença de ser humano. Por isso temos áreas dentro do parque com restrições a visitação.

Wagner Oliveira - Há no Parque nascentes que não secam mesmo depois do período chuvoso.

Nenon - Notamos nisso a importância do cerrado. Ele funciona como uma esponja. Recebe água e dispensa o excesso. Essas nascentes são de águas que estão armazenadas e ficam correndo de acordo com temperatura.


Foram construídas guaritas e reformado o posto fiscal


Wagner Oliveira - Dentro do Parque de Pireneus há lugares ainda pouco conhecidos que o sr. já visitou?

Nenon - Há vários pontos que podem ser trabalhados de acordo com o plano de manejo para que as pessoas tenham acesso como cachoeiras, pedras, cavernas, monumentos e vários outros locais importantes, mas que ainda não há acesso.



Administração do Parque de Pireneus

"Precisamos preservar justamente para que seja feito trabalho de educação ambiental, de pesquisa de universidades, órgãos governamentais e não governamentais"

Festa religiosa anual no Pico de Pireneus. Em cima do pico uma capela dedicada à Santíssima Trindade


Educadora ambiental Rossana Gehler mostra um pequeno pé de mangaba: renovação do cerrado


Wagner Oliveira - O Parque de Pireneus abriga hoje uma riqueza de informações da história do cerrado e até da própria formação da Terra.

Nenon - Exatamente.

Odália Machado, José Francisco, Nenon Folha, Wagner Oliveira, Rossana e Fernando Madueño na sede do Parque de Pireneus


"Apesar de lutarmos para que o cerrado não seja queimado ele está adaptado para esses tipos de interferências"


Combate a queimada em 2007


Wagner Oliveira - Há rochas enormes de dezenas, centenas de toneladas ou muito mais que são grandes atrativos para turistas e o que podemos perceber é que em algum momento da história geológica elas se movimentaram. Há cientistas pesquisando essas rochas? Já se sabe como elas se movimentaram, partiram-se?

Nenon - Na minha opinião pode ser uma movimentação de solo, terremoto, divisão de continentes que ocorreu tudo isso. São fatos que precisam ser pesquisados com mais profundidade para darmos informação mais precisa. Precisamos preservar justamente para que seja feito trabalho de educação ambiental, de pesquisa de universidades, órgãos governamentais e não governamentais.


Equipe de bombeiros, servidores da Semarh e voluntários no combate a queimadas


Fenômeno interessante: depois de uma queimada em 2007 o cerrado ressurgindo das cinzas


Wagner Oliveira - Corriola é hoje uma fruta rara encontrada no Parque de Pireneus. Mas vi também a gabiroba, mangaba e muito mais de potencial frutífero dentro do parque.

Nenon - Com certeza. E essa grande quantidade de frutas tem a ver com o trabalho que desenvolvemos no sentido de coibir a coleta dessas frutas até porque é proibida a coleta de frutas dentro de unidade de conservação. Temos feito um trabalho muito sério no sentido de proibir que as pessoas levem qualquer tipo de produtos ou espécies para casa ou que retire do lugar onde está.


Muro construído por escravos. As fazendas foram desapropriadas para a construção do parque e ficaram a história. Mais um ponto turístico poderá surgir


Wagner Oliveira - Existe no Parque de Pireneus até o guaranazinho do Cerrado?

Nenon - Com certeza. É uma espécie típica do cerrado, só ocorre no cerrado. Pouca conhecida por pessoas que visitam o parque.


Para conhecer mirantes é preciso passar por pequenas cavernas entre rochas. Mas compensa ao vermos uma vista de altura semelhante a de um prédio de 14 andares

Wagner Oliveira - Já tive o prazer de experimentar a uvinha do cerrado em Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, em Serranópolis. Uma delícia. Aqui temos também o angelim?

Nenon - Não consumido por humanos, mas os animais se alimentam do angelim. Roedores endêmicos do cerrado se alimentam do angelim, gabiroba, bacupari, pequi, tucum, outros tipos de cocos servem de alimentação para a fauna.


Nascentes dentro do Parque de Pireneus: águas cristalinas que correm para várias bacias hidrográficas


Normas para visitação do

Parque Estadual dos Pireneus:

1 – Número máximo de 20 pessoas por trilha.

2 – Proibida a entrada e consumo de bebidas alcoólicas sob pena de multa e apreensão do veículo e condutor.

3 – Proibido o uso de quaisquer tipo de arma dentro da área do parque.

4 – Veículos serão revistados na entrada e saída do parque.

5 – Condutor de quaisquer espécie da fauna ou flora silvestre será advertido por crime ambiental.

6 – Não é permitido o uso de fogo dentro e fora do parque.

7 – Proibida a extração ou coleta de quaisquer espécies de plantas ou animais silvestres sem autorização do órgão gestor.

8 – O recolhimento do lixo é de inteira responsabilidade daquele que o originou, devendo o mesmo deixá-lo nos pontos de coletas ou na guarita de entrada do parque.

9 – A supervisão do parque não será responsável por quaisquer objetos esquecidos, perdidos ou danificados no interior do parque, inclusive veículos.

10 – Não será permitida a permanência de pessoas no período noturno; exceto com justificativa ou autorização do órgão gestor.

11 – Proibido o uso de som de quaisquer natureza.

12 – Não será permitida a visitação pública nas áreas intangíveis ou de refúgio de vida silvestre.

13 – Não será permitida a entrada de animais domésticos


Comentários para: computador31@yahoo.com.br

Comentário 1:

Prezado companheiro Wagner. Conhecemo-nos no Congea e no SABC, quando solicitei de você alguns exemplares da cartilha de meio ambiente (pintura). Lembra disto?

Acho seu trabalho muito importante. Mas este do Parque dos Pireneus é formidável, que belo parque.

Pois bem, não conheço este parque. Como seria possível visitar o parque e percorrer estes locais que você mostra nos slides? Será que em um dia daria para ver tudo isto? Caso não seja possível, qual é o procedimento? Pois tenho artigo que relata sobre a importância dos parques (todos de Goiás) na conservação e preservação do Cerrado goiano.


É possível pernoitar no parque sobre autorização? Desejaria muito conhecer este parque, pois ouço falar muito do mesmo. Como manter contato com o gestor do parque, Sr. Nenon Folha?


Fico no aguardo de resposta e estou a seu dispor.

Obrigado.

Professor Ms. Agostinho C. Campos

Universidade Católica de Goiás - UCG


Resposta: enviada ao remetente


*****************


Comentário 2:


Wagner,


Adicionei seu Blog aqui, na minha lista de Blogs, porque o assunto é muito interessante. Visitei seu Blog e fiquei feliz em saber que a Revista Cerrado está com uma versão on-line. É uma Revista muito boa.

Eu tenho um exemplar há alguns anos e, de certa forma, foi a leitura da Revista que me incentivou a pesquisar mais sobre o assunto e criar o Blog.

Então, só tenho a agradecer a você e ao Sidney pelo importante trabalho realizado para a publicação da Revista Cerrado.

Grata,

Iliana

.
.
.
.
.