
Plantas do cerrado
.
vieram de todo o Brasil
.
RICARDO MIOTO
Folha de S. Paulo
.
A vegetação que ocupou o cerrado saiu de todos os cantos do Brasil. Escolha uma espécie qualquer e ela pode ter origens tanto na Amazônia quanto no sertão nordestino ou nos pampas gaúchos -a flora é um mosaico de origens muito diversas.
RICARDO MIOTO
Folha de S. Paulo
.
A vegetação que ocupou o cerrado saiu de todos os cantos do Brasil. Escolha uma espécie qualquer e ela pode ter origens tanto na Amazônia quanto no sertão nordestino ou nos pampas gaúchos -a flora é um mosaico de origens muito diversas.
.
Justamente por ter se formado pegando um pouco de cada lugar distante, o cerrado possui uma biodiversidade tão grande.
.
Os cientistas brasileiros que descobriram isso, fazendo análises no DNA das plantas, ficaram surpresos, porque, em geral, ecossistemas não se formam assim.
Justamente por ter se formado pegando um pouco de cada lugar distante, o cerrado possui uma biodiversidade tão grande.
.
Os cientistas brasileiros que descobriram isso, fazendo análises no DNA das plantas, ficaram surpresos, porque, em geral, ecossistemas não se formam assim.
.
Para ajudar a entender como eles surgem, Marcelo Simon, biólogo da Embrapa em Brasília e um dos autores do estudo, dá um exemplo: a vegetação da cordilheira dos Andes.
Para ajudar a entender como eles surgem, Marcelo Simon, biólogo da Embrapa em Brasília e um dos autores do estudo, dá um exemplo: a vegetação da cordilheira dos Andes.
.
.
Quando os Andes se elevaram, há milhões de anos, foram ocupados, em seguida, por uma vegetação adaptada à nova temperatura (regiões altas são mais frias). Ela veio dos climas temperados da América do Norte e migrou como um todo.
.
Quando os Andes se elevaram, há milhões de anos, foram ocupados, em seguida, por uma vegetação adaptada à nova temperatura (regiões altas são mais frias). Ela veio dos climas temperados da América do Norte e migrou como um todo.
.
Ao descobrir que as origens do cerrado eram variadas, os cientistas ficaram intrigados. Por que a mistura ocorreu?
.
A resposta começa pela ideia de que, se uma planta "quiser" viver nos Andes, terá de vencer o frio. Mas, se tentar se espalhar pelo cerrado, o maior problema será o fogo que aparece nas épocas quentes --o clima seco permite que incêndios naturais ocorram sempre.
.
Mas o fogo, os cientistas descobriram agora, não é uma barreira muito grande, ao contrário do frio. As plantas têm facilidade para criar resistência a queimaduras. Vencer o frio requer uma adaptação prévia a ele, em outro bioma. Já o fogo não é um inimigo tão grande -uma planta pode se acostumar fácil, venha de onde vier.
.
A resposta começa pela ideia de que, se uma planta "quiser" viver nos Andes, terá de vencer o frio. Mas, se tentar se espalhar pelo cerrado, o maior problema será o fogo que aparece nas épocas quentes --o clima seco permite que incêndios naturais ocorram sempre.
.
Mas o fogo, os cientistas descobriram agora, não é uma barreira muito grande, ao contrário do frio. As plantas têm facilidade para criar resistência a queimaduras. Vencer o frio requer uma adaptação prévia a ele, em outro bioma. Já o fogo não é um inimigo tão grande -uma planta pode se acostumar fácil, venha de onde vier.
.
Vegetação casca-grossa
.
O programa de treinamento das plantas para lidar com o fogo consiste, basicamente, em dois pontos: é preciso virar casca-grossa e não ter medo de ir parar debaixo da terra.
.
Quando o fogo surge, a casca resistente e grossa até queima, mas ela não deixa o interior da planta ser danificado -é como se a planta tivesse uma pele tão grossa que pudesse passar pelo meio de um incêndio.
.
A outra adaptação é ter raízes bem grossas. Faz sentido: com isso, a maior parte da massa da planta fica por baixo do solo. Aí, mesmo que passe um apocalipse de fogo pela região onde a coitada está, ela vai sobreviver.
.
São características relativamente simples. Então, poucas gerações após a colonização, as plantas sobreviventes já estavam adaptadas ao cerrado.
.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u666120.shtml
.
.
.
.
O programa de treinamento das plantas para lidar com o fogo consiste, basicamente, em dois pontos: é preciso virar casca-grossa e não ter medo de ir parar debaixo da terra.
.
Quando o fogo surge, a casca resistente e grossa até queima, mas ela não deixa o interior da planta ser danificado -é como se a planta tivesse uma pele tão grossa que pudesse passar pelo meio de um incêndio.
.
A outra adaptação é ter raízes bem grossas. Faz sentido: com isso, a maior parte da massa da planta fica por baixo do solo. Aí, mesmo que passe um apocalipse de fogo pela região onde a coitada está, ela vai sobreviver.
.
São características relativamente simples. Então, poucas gerações após a colonização, as plantas sobreviventes já estavam adaptadas ao cerrado.
.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u666120.shtml
.
.
.

Nenhum comentário:
Postar um comentário