23/08/2013


IV CICLO DE PALESTRAS DE ENGENHARIA AMBIENTAL


P R O G R A M A Ç Ã O
Seção 1 – Palestras
Dia 26 de agosto de 2013 (segunda feira)
Local: Anfiteatro da Biblioteca da UNIUBE
Horário: das 19:00 horas às 22h: 30 min.
19 às 20:00
"O uso de indicadores de integridade biótica como ferramenta para a gestão de recursos hídricos em Minas Gerais"
Palestrante 1: Prof. Dr. Paulo dos Santos Pompeu.
Graduado em Ciências Biológicas - 1995 (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG). Mestrado em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre - 1997 (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG). Doutorado em Hidráulica e Recursos Hídricos - 2005 (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG). É professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenando a Pós-Graduação em Ecologia Aplicada desta instituição. Sua linha de pesquisa é Ecologia e Conservação de Peixes Neotropicais.
Palestrante 2: Prof. MSc. Carlos Bernardo Mascarenhas Alves.
Biólogo, Mestre em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre (UFMG), Consultor na área de ictiofauna, Coordenador do Subprojeto S.O.S. Rio das Velhas (Projeto Manuelzão - UFMG), Biólogo do Nuvelhas (Núcleo Transdisciplinar e Transinstitucional de Revitalização da Bacia do Rio das Velhas).
20 às 20:40
"A pesquisa e a prática de “peixamento” do Rio Grande a partir das experiências de Volta Grande".
Palestrante: Profª. MSc. Alessandra Gomes Bedore.
Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Uberlândia (1995), mestrado em Biologia Celular pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999), especialização em Gestão e Direito Ambiental pela UNIUBE. Bióloga pesquisadora na Estação Ambiental da UHE/Volta Grande.
20:40 às 22:20
“O Geoprocessamento com ferramenta de estudos e análises ambientais”.
Palestrante: Prof. Dr. Leonardo Campos de Assis.
Mestrado e doutorado em Engenharia Civil/Informações Espaciais na linha de pesquisa Geoprocessamento com ênfase em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal de Viçosa. Bacharel em Sistemas de Informação pela Universidade de Uberaba com experiência na área de Geociências e Hidrologia atuando principalmente nas seguintes linhas de pesquisa: Sensoriamento Remoto, Análises Espaciais em Sistemas de Informações Geográficas e Simulação de Processos Hidrológicos. Professor do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Uberaba (UNIUBE).
Seção 2 – Oficina e Relatos de pesquisas
Dia 27 de agosto de 2013 (terça feira feira)
Local: Anfiteatro da Biblioteca da UNIUBE
Horário: das 19:00 horas às 22h: 30 min.
14 às 16:30
Oficina: “Sistemas e processos de monitoramento de água campo/cidade/indústria”
Local: sala 2Z107
Responsáveis:
Engenheira Ambiental Juliana de Fátima Silva
Bacharel em Engenharia Ambiental pela Universidade de Uberaba – UNIUBE. Experiência na docência em Educação Ambiental. Experiência na área de produção de espécies nativas do Cerrado e na área de pesquisa com Recursos Hídricos, especificamente na área de monitoramento hídrico.
Engenheiro Ambiental Aires Humberto de Oliveira.
Bacharel Em Engenharia Ambiental pela Universidade de Uberaba (UNIUBE). Atualmente é OPI - Vale Fertilizantes - SA. Tem experiência na área de Engenharia Ambiental, com ênfase em Recursos Hídricos.
19 às 22:30
Apresentação de relatos de pesquisas na área da UHE/Volta Grande/CEMIG,  com os seguintes trabalhos:
*        “Metodologias de avaliação de habitats e suas relações com qualidade de água e biodiversidade bentônica: rede de pesquisas e abordagens de trabalho.” (UFMG)
*        “Aspectos geográficos associados à avaliação ambiental no entorno do reservatório de Volta Grande”. (UFMG)
*        “Aspectos sedimentológicos dos cursos d'água afluentes ao reservatório de Volta Grande”. (CEFET/MG)
*        “Estrutura e composição da comunidade de macroinvertebrados bentônicos em riachos da bacia de Volta Grande”. (UFMG)
*        “Avaliação da condição ecológica dos riachos de cabeceira da região de Volta Grande utilizando macroinvertebrados bentônicos como bioindicadores”. (UFMG)
*        “Diversidade de Ephemeroptera (Insecta) bioindicadores de qualidade de água em riachos tributários do reservatório de Volta Grande”. (UFMG)
*        “Peixes de riachos da região de Volta Grande como indicadores ambientais”. (UFLA)
*        “Macroinvertebrados bentônicos como bioindicadores na avaliação da qualidade ambiental no reservatório de Volta Grande”. (UFMG)
*        “Assembleia de peixes do reservatório de Volta Grande: Composição específica,  estrutura da comunidade e espécies exóticas”. (PUC/MG)
*        “Dieta da ictiofauna do reservatório de Volta Grande”. (PUC/MG)
Apresentações de Banners:

*        Macroinvertebrados bentônicos em riachos em condições de referência na bacia do reservatório de Volta Grande. (UFMG)
*        Fotodocumentação científica: macroinvertebrados bentônicos bioindicadores de qualidade de água nos riachos tributários do reservatório de Volta Grande. (UFMG)
Exposições
*        Exposição itinerante de macroinvertebrados e peixes. (UFMG/UFLA)

04/08/2013

Cientistas descobrem o que está
matando as abelhas, e é mais
grave do que se pensava

10 milhões de colmeias, no valor de US $ 2 bilhões, morreram nos últimos seis anos nos EUA
As vendas de fungicidas cresceram mais de 30% e as vendas de inseticidas também cresceram significativamente no Brasil durante o primeiro trimestre de 2013. Divulgou a suíça Syngenta, uma das maiores empresas de agroquímicos e sementes do mundo. Crédito: Ben Margot/AP

Publicado por www.institutoecofaxina.org.br
Fonte: Quartz News
 

Como já é sabido, a misteriosa mortandade de abelhas que polinizam US $ 30 bilhões em cultura só nos EUA dizimou a população de Apis mellifera na América do Norte, e apenas um inverno ruim poderá deixar os campos improdutíveis. Agora, um novo estudo identificou algumas das prováveis causas ​​da morte das abelhas, e os resultados bastante assustadores mostram que evitar o Armagedom das abelhas será muito mais difícil do que se pensava anteriormente.
 
Os cientistas tinham dificuldade em encontrar o gatilho para a chamada Colony Collapse Disorder (CCD), (Desordem do Colapso das Colônias, em inglês), que dizimou cerca de 10 milhões de colmeias, no valor de US $ 2 bilhões, nos últimos seis anos. Os suspeitos incluem agrotóxicos, parasitas transmissores de doenças e má nutrição. Mas, em um estudo inédito publicado este mês na revista PLoS ONE, os cientistas da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos EUA identificaram um caldeirão de pesticidas e fungicidas contaminando o pólen recolhido pelas abelhas para alimentarem suas colmeias. Os resultados abrem novos caminhos para sabermos porque um grande número de abelhas está morrendo e a causa específica da DCC, que mata a colmeia inteira simultaneamente.

Quando os pesquisadores coletaram pólen de colmeias que fazem a polinização de cranberry, melancia e outras culturas, e alimentaram abelhas saudáveis, essas abelhas mostraram um declínio significativo na capacidade de resistir à infecção por um parasita chamado Nosema ceranae. O parasita tem sido relacionado a Desordem do Colapso das Colônias (DCC), embora os cientistas sejam cautelosos ao salientar que as conclusões não vinculam diretamente os pesticidas a DCC. O pólen foi contaminado, em média, por nove pesticidas e fungicidas diferentes, contudo os cientistas já descobriram 21 agrotóxicos em uma única amostra. Sendo oito deles associados ao maior risco de infecção pelo parasita.

O mais preocupante, as abelhas que comem pólen contaminado com fungicidas tiveram três vezes mais chances de serem infectadas pelo parasita. Amplamente utilizados, pensávamos que os fungicidas fossem inofensivos para as abelhas, já que são concebidos para matar fungos, não insetos, em culturas como a de maçã.

"Há evidências crescentes de que os fungicidas podem estar afetando as abelhas diretamente e eu acho que fica evidente a necessidade de reavaliarmos a forma como rotulamos esses produtos químicos agrícolas", disse Dennis vanEngelsdorp, autor principal do estudo.

Os rótulos dos agrotóxicos alertam os agricultores para não pulverizarem quando existem abelhas polinizadoras na vizinhança, mas essas precauções não são aplicadas aos fungicidas.

As populações de abelhas estão tão baixas que os EUA agora tem 60% das colônias sobreviventes do país apenas para polinizar uma cultura de amêndoas na Califórnia. E isso não é um problema apenas da costa oeste americana - a Califórnia fornece 80% das amêndoas do mundo, um mercado de US $ 4 bilhões.

Nos últimos anos, uma classe de substâncias químicas chamadas neonicotinóides tem sido associada à morte de abelhas e em abril os órgãos reguladores proibiram o uso do inseticida por dois anos na Europa, onde as populações de abelhas também despencaram. Mas Dennis vanEngelsdorp, um cientista assistente de pesquisa na Universidade de Maryland, diz que o novo estudo mostra que a interação de vários agrotóxicos está afetando a saúde das abelhas.

"A questão dos agrotóxicos em si é muito mais complexa do acreditávamos ser", diz ele. "É muito mais complicado do que apenas um produto, significando naturalmente que a solução não está em apenas proibir uma classe de produtos."

O estudo descobriu outra complicação nos esforços para salvar as abelhas: as abelhas norte-americanas, que são descendentes de abelhas europeias, não trazem para casa o pólen das culturas nativas norte-americanas, mas coletam de ervas daninhas e flores silvestres próximas. O pólen dessas plantas, no entanto, também estava contaminado com pesticidas, mesmo não sendo alvo de pulverização.

"Não está claro se os pesticidas estão se dispersando sobre essas plantas, mas precisamos ter um novo olhar sobre as práticas de pulverização agrícola", diz vanEngelsdorp.
 
Fonte: Quartz News

 

09/06/2013

Estudo mostra como herbicida usado nas culturas de 
soja e cana é cancerígeno para ratos


O diuron, amplamente empregado no país, pode provocar câncer de bexiga nos animais mesmo em doses cinco vezes menores do que se supunha. Pesquisa investigou também alguns efeitos de praguicidas encontrados no tomate (Wikimedia)
Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou o modo de ação do diuron, um herbicida amplamente utilizado nas culturas de soja e cana-de-açúcar, que provocou câncer na bexiga de ratos.

“Mostramos que, quando eliminados pela urina, o diuron ou seus metabolitos provocam necrose em múltiplos focos do urotélio, o revestimento da bexiga. Em resposta, esse revestimento prolifera para substituir as áreas lesadas. A proliferação celular contínua, se mantida durante muito tempo, acaba levando a erros nas sucessivas cópias do DNA, alguns deles predispondo ao desenvolvimento de tumores”, disse o médico João Lauro Viana de Camargo, professor titular de Patologia da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do estudo, que teve apoio da FAPESP.

Segundo o pesquisador, esse modo de ação evidencia que o diuron atua de forma não genotóxica, isto é, não provoca, de início ou diretamente, lesão de DNA. Tal lesão tende a ocorrer em momentos posteriores, se a exposição for mantida por tempo longo. O potencial cancerígeno desse herbicida para a espécie humana já havia sido alertado pela United States Environmental Protection Agency (EPA), a agência de proteção ambiental do governo dos Estados Unidos.

O estudo realizado na Unesp por pesquisadores da Faculdade de Medicina e do Instituto de Biociências do campus de Botucatu, e do Instituto de Química do campus de Araraquara – que contou com a participação de pesquisadores da EPA e da University of Nebraska, em um total de 25 profissionais envolvidos – confirmou o potencial cancerígeno do diuron para os ratos e mostrou que tal condição pode ocorrer mesmo com doses cinco vezes menores do que aquelas antes consideradas nocivas.

“As alterações provocadas pelo diuron na bexiga do rato ocorrem segundo uma relação dose-resposta, isto é, quanto maior a dose, mais alterações moleculares, ultraestruturais e histológicas acontecem”, explicou Camargo. “Nesta linha, identificamos a chamada ‘dose limiar’ – uma quantidade abaixo da qual o herbicida não é cancerígeno, mesmo se o animal for exposto a ele por tempo prolongado.”

De acordo com o pesquisador, a toxicidade do produto manifesta-se bem cedo, já no primeiro dia de exposição a altas doses. “Avaliada por sua expressão gênica, a resposta do urotélio é aparentemente adaptativa, sugerindo que, se a exposição for interrompida, a bexiga voltará ao normal. O problema existirá se as doses forem altas e a exposição mantida por longo tempo”, afirmou.
Outra observação feita durante os sucessivos estudos foi que, quando fornecido em doses relativamente altas para ratos, o diuron provoca toxicidade sanguínea.

“Nesse caso, o alvo predominante é o baço, um órgão relacionado à imunidade e ao suprimento sanguíneo, que de modo consistente mostrou volume aumentado devido a excesso de sangue e acúmulo de restos celulares”, disse Camargo. Essa alteração também foi verificada na prole masculina de ratas prenhes que haviam recebido o diuron em altas doses.

O estudo sobre o diuron fez parte de uma pesquisa mais abrangente – o Projeto Temático “Praguicidas agrícolas como fator de risco” –, realizada com apoio da FAPESP de 2007 a 2012.

No Temático, além do diuron os pesquisadores investigaram também os efeitos, em ratos e camundongos, de cinco praguicidas cujos resíduos foram encontrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no tomate à disposição da população brasileira.

“Ratos machos, alimentados durante oito semanas com ração contendo aquela mistura de praguicidas em doses relativamente baixas, apresentaram o sistema hepático de biotransformação de substâncias químicas potencialmente mais ativo”, disse Camargo.

Essa descoberta sugere que os organismos dos animais estariam fazendo um esforço extra para se livrar das substâncias estranhas a que estavam sendo expostos. Mas a mistura não promoveu o desenvolvimento de câncer hepático em ratos que haviam sido tornados artificialmente predispostos a este tipo de doença.

No entanto, outro efeito preocupante foi constatado. Os ratos machos alimentados com a ração contendo os praguicidas apresentaram redução na mobilidade dos espermatozoides. “Este achado pode indicar o comprometimento da fertilidade dos animais”, disse Camargo.

Seu cuidado em dizer “pode indicar”, e não “indica”, se deve ao fato de não terem sido verificadas alterações em outros parâmetros relacionados ao sistema reprodutor masculino, como os níveis dos hormônios sexuais, a morfologia espermática, a produção diária de espermatozoides, a velocidade de trânsito pelo epidídimo – o ducto que coleta os espermatozoides, produzidos nos testículos – e a estrutura histológica dos testículos e epidídimos.

Alerta para autoridades e consumidores

Baseado no mesmo critério de prudência, Camargo evita extrapolar para o homem as descobertas feitas em ratos. “Embora os estudos experimentais baseiem-se na premissa de que animais de laboratório respondem aos insultos químicos da mesma maneira que os humanos – caso contrário, não haveria razão para serem realizados esses estudos experimentais –, a extrapolação dos resultados deve ser feita de modo criterioso e a relevância dos resultados assumida com cautela”, disse.

“Para a extrapolação rigorosa, há necessidade de comparar os processos metabólicos e biológicos pelos quais as substâncias estudadas passam e provocam em cada espécie”, ponderou o professor da Unesp.

De qualquer forma, as descobertas constituem um alerta importante para autoridades sanitárias. E também para os consumidores. Pois, embora de forma ainda incipiente, a preocupação em consumir alimentos livres de resíduos químicos vem aumentando no Brasil.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/17157#.UbT88Bw-WwY.facebook

02/05/2013

 A dinâmica dos ecossistemas
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Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
 
As reuniões internacionais do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) têm sido marcadas pelo debate acerca da interferência ou não das ações antrópicas sobre as mudanças climáticas em curso no atual período da humanidade. Aqui não se trata de demarcar uma posição política sobre tal questão, mas, sobretudo, de analisar o fenômeno das transformações e alterações climáticas à luz das diversas variáveis que, por ventura, tenha interferência nos eventos climáticos mundiais, que tanto tem angustiado a humanidade e a ciência nos tempos d’agora

Observa-se que esta discussão serve como um grande divisor de águas em torno das grandes questões climáticas, que mobiliza a ciência e a humanidade nos tempos presentes. Mas, a resposta que precisa ser dada é uma responsabilidade e um grande desafio para a ciência moderna e ela não pode se eximir de tal responsabilidade. É preciso analisar os limites dos ecossistemas, seu déficit energético em função da grande quantidade de atividades humanas, as quais são amparadas por fortes tecnologias que não levam em conta estes limites. Na verdade, quando falamos de energia dos ecossistemas, é necessário que levemos em consideração que existe um limite energético para a realização de atividades antropogênicas em seu interior. É preciso que percebamos que os diversos ecossistemas que compõem o “todo” planetário possuem conexões e interligações que os mantêm unificados para a formação desta totalidade denominada “Planeta Terra”.

Para que se percebam estas ligações fundamentais em níveis de energia (que vai desde as partículas elementares, até as estruturas macroscópicas) nos diversos níveis de funcionamento dos ecossistemas é fundamental que o pesquisador se valha de uma visão periférica e ao mesmo tempo particularizadora tanto das partes, das conexões entre elas, bem como da totalidade por elas formada (a Terra e o universo em seu redor). É preciso compreender que os níveis de energia se estabelecem desde os níveis moleculares, atômicos (e até mesmo nas partículas subatômicas) até os níveis macroscópicos da constituição dos corpos celestes no universo.

Compreender esta dinâmica demanda o deciframento dos elementos que interagem entre si para formar as conexões entre os diversos ecossistemas que compõem a unidade planetária. Perceber esta dinâmica reclama um olhar astuto dos diversos níveis energéticos existentes no interior dos ecossistemas, bem como seu comportamento quando pressionados por forças físicas, químicas e/ou biológicas em suas estruturas internas. Então, compreender a dinâmica dos ecossistemas que compõem esta totalidade planetária requer o estudo do comportamento energético das partículas elementares que compõem as estruturas e macroestruturas, bem como do fluxo energético que as unificam.

Felizmente, a mesma ciência que cravou sua marca no atual período histórico por produzir diversas aberrações, também produziu conhecimentos importantes que se bem usados, poderão fornecer importantes informações para a leitura correta dos ecossistemas terrestres, suas conexões e seu comportamento diante do desequilíbrio energético provocado por tecnologias descompensatórias e irresponsáveis. Assim, compreender a dinâmica dos ecossistemas pode apontar as respostas que as discussões acerca das alterações climáticas tanto reclama.

 
 * Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com


26/04/2013


A da torneira talvez seja mais limpa

Pesquisadores de Araraquara avaliaram a qualidade de três “modelosde água mineral e detectaram níveis preocupantes de contaminação em galões de 20 litros antes do vencimento do prazo de validade

André Julião/Unesp Ciência

NUNCA SE VENDEU TANTA ÁGUA MINERAL NO MUNDO, o que em parte é resultado de uma bem–sucedida promoção do produto engarrafado como  alternativa mais limpa, mais pura e mais segura àquela que nos chega pelas torneiras. Mas um estudo feito por pesquisadores da Unesp e publicado na revista Food Control sugere que não é bem assim e, em alguns casos, pode ser o contrário. Em várias amostras analisadas foram encontrados níveis preocupantes de bactérias antes do vencimento do prazo de validade indicado no rótulo das garrafas. Em alguns casos, isso ocorreu já nos primeiros dias após o envase.

Realizado pela pós-doutoranda Maria Fernanda Falcone Dias na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara, o trabalho suscita questões sobre a legislação para a água mineral brasileira. “Nosso objetivo é gerar dados para ajudar a melhorar a qualidade do produto que chega aos consumidores”, afirma o professor Adalberto Farache Filho, também de Araraquara e coautor do estudo.

Proveniente de fontes naturais, a água mineral não passa por nenhum tipo de tratamento. Deve ser livre de contaminação na origem e preservar suas características originais, o que inclui a presença de diversos sais e de uma fauna microbiana considerada benéfica à saúde humana. Geralmente em posse da iniciativa privada, as fontes de água mineral devem ter sua qualidade certificada pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral.

Já a água de abastecimento público (vulgarmanente conhecida como “torneiral”), além de passar por tratamento químico e físico, tem sua qualidade obrigatoriamente verificada por análises microbiológicas antes de ser distribuída nas cidades. A principal é chamada CHP, sigla para Contagem de [micro-organismos] Heteretróficos em Placa. Embora esse teste seja feito também na água engarrafada (antes do envase), a legislação só estabelece um valor máximo aceitável – de 500 UFC/ml (unidades formadoras de colônia por mililitro de água) – para o líquido que vai para as torneiras. “Esse é o padrão internacional, que é seguido pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, explica Maria Fernanda. Mas já existe uma tendência mundial de adotar o mesmo limite máximo também para a água de garrafa, acrescenta ela.

Maria Fernanda analisou o conteúdo de garrafas de meio litro e de 1,5 litro em 11 ocasiões ao longo de um ano, que é o prazo recomendado para seu consumo. Já os garrafões de 20 litros passaram por cinco testes, realizados ao longo dos 60 dias de validade do produto. Ao todo foram 324 amostras de seis marcas (não relevadas pelos autores). Além da CHP, outras análises procuraram detectar a presença de coliformes fecais e totais e de bactérias como a Escherichia coli e a Pseudomonas aeruginosa, que podem causar diarreia e infecções, principalmente em crianças, gestantes e idosos.

Os resultados mostraram que, dos três tipos de garrafa d’água, o de 20 litros foi o que apresentou mais problemas de contaminação. Em dois terços dos 60 garrafões analisados foi encontrada contagem superior a 500 UFC/ml – às vezes chegando a incríveis 560.000 UFC/ml, mais de mil vezes acima do padrão aceitável para a água de abastecimento.

BLOG_ASPAS
Em dois desses galões foram detectadas ainda a bactéria P. aeruginosa e outras do chamado grupo dos enterococos. A primeira é um ser oportunista que pode agravar o estado de saúde de quem tem o sistema imunológico comprometido. As últimas  não são causa direta de doenças, mas costumam ser usadas como indicadores de contaminação por esgoto. Não é de hoje que os garrafões de água mineral apresentam problemas sanitários. Numa tentativa de evitar o problema, uma portaria de 2011 do DNPM determinou prazo de validade de três anos para os galões retornáveis de 10 e 20 litros. Segundo Farache, a contaminação geralmente decorre de falhas de higienização na indústria. “Não adianta reutilizar [o garrafão] por um prazo limitado se ele não for lavado a cada vez que é usado.”

Esse tipo de contaminação pode ocorrer ainda na fonte, mas é mais comum durante ou após o envase. O próprio ambiente, as embalagens e as tampas são potenciais moradas dessas bactérias. Os equipamentos usados no processo, bem como os reservatórios de armazenamento podem também abrigar populações de micro-organismos contaminantes, enumeram os pesquisadores.

Ao abrigo do sol
 
Outra possível fonte de contaminação (ainda que indireta) é a exposição ao sol. A radiação acelera a quebra de moléculas orgânicas presentes na água (em baixíssimas concentrações), que passam a ter o tamanho ideal para virar comida de bactérias. Com alimento disponível, elas se reproduzem e a população cresce. E então, quando morrem, servem de alimento para outras bactérias.


Esse ciclo de vida e morte é uma hipótese de trabalho. Em várias amostras, os pesquisadores observaram baixa concentração de micro-organismos nos primeiros dias após o envase, que por sua vez aumentou alguns dias depois, para em seguida voltar a ser baixa. “Por enquanto é apenas uma possibilidade, mas outros estudos feitos no exterior chegaram a resultados parecidos”, diz Maria Fernanda.

Farache alerta ainda para outro tipo  muito comum de contaminação dos garrafões de água mineral (que ficou fora do escopo do estudo). Ocorre no local de consumo, mas pode ser facilmente evitado. “É preciso fazer a higienização correta não só do galão como do suporte”, diz. Tanto um como o outro devem ser lavados com água sanitária, ou, pelo menos, com água clorada e sabão, a cada troca do recipiente, enfatiza o pesquisador.

Imagem/montagem: Shutterstock.
Fonte: http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/40/quem-diria

01/04/2013

O Aedes aegypti e a Dengue: 
uma epidemia quase irreversível

Remanscentes da Mata Altântica em Goiás: "Desmatamentos desordenados acabaram com o hábitat natural do mosquito"
  
Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca

Hoje pela manhã, ouvi por uma rádio local a chamada de uma campanha de combate à dengue. Confesso que fiquei aterrorizado e surpreso com a suposta frase de efeito utilizada pela locutora da referida emissora: “não seja responsável pela morte de outras pessoas”. Esta frase aparentemente ingênua e simples, na verdade tem um conteúdo que escamoteia a realidade e, ao mesmo tempo, tenta jogar a responsabilidade da epidemia da doença nas costas da população. Não quero dizer com isso que a população não deva fazer sua parte, muito pelo contrário, Porém, o que quero enfatizar é que o eixo, os motivos e as consequências desta doença não devem ser deslocados, ou seja, a verdade deve ser dita, doa a quem doer e a sociedade é a menos culpada por este estado de coisas.

Na verdade, o surgimento do (Aedes aegypti) vetor (transmissor da dengue) nos centros urbanos é fruto direto do desequilíbrio ambiental provocado pelas atividades humanas no campo, isto é, a intervenção antropogênica (humana) no espaço agrário brasileiro, sob a forma de atividades diversificadas como agropecuária, mineração, desmatamentos desordenados, dentre outros fatores, acabaram com o hábitat natural do mosquito, deslocando-o para os centros urbanos. Ele vivia naturalmente nas matas e, ao removermos a vegetação, quebramos seu hábitat, e, consequentemente suas fontes de alimentos e sobrevivência. Ao quebrarmos seu hábitat natural, ele veio para as cidades em busca de novas fontes de sobrevivência. Na verdade, o homem já perdeu o total controle sobre a proliferação do Aedes aegypti. A dengue já se tornou uma moléstia epidêmica em diversas áreas e regiões do país. Então, podemos dizer que a dengue é fruto do desequilibro ambiental provocado pela ação humana no espaço agrário (no campo).

No caso das regiões produtoras de alimentos de exportação (monoculturas), como é ocaso da mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o problema da contaminação pelo mosquito se torna mais grave. A prática das monoculturas (soja, cana-de-açúcar, dentre outros produtos) demanda a remoção das vegetações. Ao removê-las, substituí-las por espécies de monocultura, na verdade, está se promovendo uma homogeneização das espécies vegetais, o que irá promover o desequilíbrio biológico entre as espécies, criando, assim, condições propícias para o surgimento de pragas e de espécies de insetos resistentes às próprias pragas, em decorrência da eliminação de competidores. Ou seja, estaremos, na prática, criando as condições para que uma espécie seja hegemônica em uma determinada área ou região, em função do desequilíbrio da biodiversidade regional, com a eliminação de espécies competidoras potenciais.

As ações criadas pelo poder público para o combate à epidemia como o lançamento de fumaça inseticida (fumacê) surtiu algum efeito apenas no início do processo. Tal prática acabou propiciando a seleção de mosquitos mais resistentes ao inseticida, os quais iniciaram um novo ciclo de vida de vetores selecionados e mais resistentes. Então, infelizmente, o combate ao vetor (Aedes aegypti) tem se tornado, cada dia mais complicado. O combate às fontes de incubação do inseto (águas paradas) já está se tornando ineficaz, em função das novas características da subespécie de inseto que se torna mais resistente. Então, a solução real para o problema do controle do Aedes aegypti e, consequentemente da dengue, pode estar muito mais relacionado com as formas de minimizar o desequilíbrio ambiental no campo do que com o combate aos próprios criadouros urbanos (fontes de água parada). Nas reais condições de desequilíbrio ambiental provocado pelo próprio ser humano, o pequenino Aedes aegypti tem se tornado um gigante diante do todo poderoso homo sapiens, que tem se tornado ínfimo e irrisório diante deste frágil e delicado inseto
 

Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE).
machado04fonseca@gmail.com

23/03/2013

A arte de transformar lixo em artesanato


Origami feito com papel reaproveitado de publicidade

Oficinas de origami e artesanato reciclado ministrado no Sesc Caldas Novas


Árvore de pneu

Mandalas feitas de cds

Kusudama feito com papel color set branco e decorado com flores de biscuit e fio de miçanga de colar usado

Dina Sousa com uma de suas criações, vela de garrafa pet e estrelas de garrafa pet

Torta de sobras de legumes e cascas de cenoura

Forminhas de papel e origami para casamentos


Sacolinhas de papel reaproveitado e flores de quilling

Bolsas de origami, feitas com revistas, conhecidas como candy bags

Caixa decorada com arabescos de rolinhos de revista

Origamis - fotos: Dina Sousa

Por Adriane Gonçalves
Revista Ecológica


886737 10200557745167822 1245163530 o webGarrafas PET, revistas e jornais velhos, guarda-chuva quebrado, gravetos de árvore e embalagem para ovos, o que para muitos é lixo, para a mineira Dina Sousa é uma oportunidade de criar objetos decorativos.
Formada em Ciências Sociais, Dina trabalhou mais de 17 anos nas áreas de marketing e webmarketing. Mas mesmo amando o que fazia, foi no artesanato que ela encontrou sua grande realização. O que a princípio começou como hobby, hoje é sua principal fonte de renda.
Segundo Dina, desde pequena ela faz artesanato. “Fiz alguns cursos, mas atualmente aprendo pela internet e vou testando. Eu assistia muitos programas de TV tipo o ‘Note e Anote’ e via como eles faziam, depois fazia tudo do meu jeito. Hoje em dia, olho para o material que tenho e falo: hum... o que posso fazer com isso? (sic)”, confessa.
Dina Sousa
Dina, feliz com sua criatividade lucrativa
Com revistas velhas a artesã faz jogo americano, painel de parede, cestas e até bolsa feminina estilo maxi carteira. Os jornais são transformados em flores, rosas, camélias e cestas. E com garrafas PET ela faz luminárias, flores, estrelas, brinquedos infantis, dentre outras coisas.
Ela tenta aproveitar ao máximo todos os materiais disponíveis. Quase nada é jogado fora. “Desmonto alguns colares de bijuteria e uso na confecção dos móbiles. Procuro utilizar galhos de arvores que estão no chão pra fazer a estrutura dos mobiles e também dá pra usar uma estrutura velha e quebrada de um guarda-chuva pra fazer uma luminária de origami iluminada com LEDs. Eu uso tudo o que posso, pra evitar deixar no lixo contaminando o planeta”, afirma Dina.
Na casa da artesã, nem mesmo as cascas das frutas e legumes são desperdiçadas. Vegetariana, ela aproveita cascas de cenoura, beterraba, abobrinha para fazer tortas de liquidificador. Faz salada de azeitona com casca de pepino e doces com casca de melancia e banana.
Nascida em São Sebastião do Paraíso (MG), Dina mudou-se para o município de Caldas Novas no ano de 2005, para tratar de um problema na coluna (fibromialgia). “As águas quentes daqui me foram recomendadas e achei que era um bom lugar para morar”, alega. “Como sempre fui preocupada com questões ambientais e sustentabilidade, vi um mercado pouco explorado em Caldas Novas, que é uma cidade turística, mas que gera um volume altíssimo de lixo”.
Em 2006 aprendeu origami com um membro da Igreja Messiânica (religião japonesa) e não parou mais. No inicio ela fazia para presentear amigos e não demorou muito para começar a receber encomendas.
Atualmente a artesã ministra oficinas de artesanato com material reciclável e origami e ainda faz decoração de festas e eventos. No ano passado ela foi convidada pelo Sesc de Caldas Novas para ser responsável pela decoração de Natal e Réveillon. Na última sexta-feira, (15/03), Dina lançou no Facebook suafunpage “Dina Origamis Especiais” e garante ter recebido pedidos de encomendas no mesmo dia. “Toda vez que posto alguma foto das minhas criações, tenho pelo menos uma encomenda. Desse jeito vou ter que contratar pessoas para me ajudar”, confirma.
Além da página no Facebook, quem tiver interesse em comprar as peças de origami, elas também estão disponíveis no endereço eletrônico:http://comprascaldasnovas.com.br/produto/Origami.html. Ou, basta ligar nos números: (64) 3455-6480 / 8142-0102 / 9275-1341.
Fonte: Revista Ecológica:
http://revistaecologica.com/artesanato/5052-a-arte-de-transformar-lixo-em-artesanato