29/05/2013
02/05/2013
A dinâmica dos ecossistemas
.
Prof.
Dr. Valter Machado da Fonseca*
As reuniões internacionais do IPCC
(Intergovernmental Panel on Climate Change) têm sido marcadas pelo
debate acerca da interferência ou não das ações antrópicas sobre
as mudanças climáticas em curso no atual período da humanidade.
Aqui não se trata de demarcar uma posição política sobre tal
questão, mas, sobretudo, de analisar o fenômeno das transformações
e alterações climáticas à luz das diversas variáveis que, por
ventura, tenha interferência nos eventos climáticos mundiais, que
tanto tem angustiado a humanidade e a ciência nos tempos d’agora
Observa-se que esta discussão serve como
um grande divisor de águas em torno das grandes questões
climáticas, que mobiliza a ciência e a humanidade nos tempos
presentes. Mas, a resposta que precisa ser dada é uma
responsabilidade e um grande desafio para a ciência moderna e ela
não pode se eximir de tal responsabilidade. É preciso analisar os
limites dos ecossistemas, seu déficit energético em função da
grande quantidade de atividades humanas, as quais são amparadas por
fortes tecnologias que não levam em conta estes limites. Na verdade,
quando falamos de energia dos ecossistemas, é necessário que
levemos em consideração que existe um limite energético para a
realização de atividades antropogênicas em seu interior. É
preciso que percebamos que os diversos ecossistemas que compõem o
“todo” planetário possuem conexões e interligações que os
mantêm unificados para a formação desta totalidade denominada
“Planeta Terra”.
Para que se percebam estas ligações
fundamentais em níveis de energia (que vai desde as partículas
elementares, até as estruturas macroscópicas) nos diversos níveis
de funcionamento dos ecossistemas é fundamental que o pesquisador se
valha de uma visão periférica e ao mesmo tempo particularizadora
tanto das partes, das conexões entre elas, bem como da totalidade
por elas formada (a Terra e o universo em seu redor). É preciso
compreender que os níveis de energia se estabelecem desde os níveis
moleculares, atômicos (e até mesmo nas partículas subatômicas)
até os níveis macroscópicos da constituição dos corpos celestes
no universo.
Compreender esta dinâmica demanda o
deciframento dos elementos que interagem entre si para formar as
conexões entre os diversos ecossistemas que compõem a unidade
planetária. Perceber esta dinâmica reclama um olhar astuto dos
diversos níveis energéticos existentes no interior dos
ecossistemas, bem como seu comportamento quando pressionados por
forças físicas, químicas e/ou biológicas em suas estruturas
internas. Então, compreender a dinâmica dos ecossistemas que
compõem esta totalidade planetária requer o estudo do comportamento
energético das partículas elementares que compõem as estruturas e
macroestruturas, bem como do fluxo energético que as unificam.
Felizmente, a mesma ciência que cravou
sua marca no atual período histórico por produzir diversas
aberrações, também produziu conhecimentos importantes que se bem
usados, poderão fornecer importantes informações para a leitura
correta dos ecossistemas terrestres, suas conexões e seu
comportamento diante do desequilíbrio energético provocado por
tecnologias descompensatórias e irresponsáveis. Assim, compreender
a dinâmica dos ecossistemas pode apontar as respostas que as
discussões acerca das alterações climáticas tanto reclama.
* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com
* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). machado04fonseca@gmail.com
26/04/2013
A da torneira talvez seja mais limpa
![]() |
Pesquisadores de Araraquara avaliaram a qualidade de três “modelosde água mineral e detectaram níveis preocupantes de contaminação em galões de 20 litros antes do vencimento do prazo de validade |
André Julião/Unesp Ciência
NUNCA SE VENDEU TANTA ÁGUA MINERAL NO MUNDO, o que em parte é
resultado de uma bem–sucedida promoção do produto engarrafado como
alternativa mais limpa, mais pura e mais segura àquela que nos chega
pelas torneiras. Mas um estudo feito por pesquisadores da Unesp e
publicado na revista Food Control sugere que não é bem assim e, em
alguns casos, pode ser o contrário. Em várias amostras analisadas foram
encontrados níveis preocupantes de bactérias antes do vencimento do
prazo de validade indicado no rótulo das garrafas. Em alguns casos, isso
ocorreu já nos primeiros dias após o envase.
Realizado pela pós-doutoranda Maria Fernanda Falcone Dias na
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara, o trabalho
suscita questões sobre a legislação para a água mineral brasileira.
“Nosso objetivo é gerar dados para ajudar a melhorar a qualidade do
produto que chega aos consumidores”, afirma o professor Adalberto
Farache Filho, também de Araraquara e coautor do estudo.
Proveniente de fontes naturais, a água mineral não passa por nenhum
tipo de tratamento. Deve ser livre de contaminação na origem e preservar
suas características originais, o que inclui a presença de diversos
sais e de uma fauna microbiana considerada benéfica à saúde humana.
Geralmente em posse da iniciativa privada, as fontes de água mineral
devem ter sua qualidade certificada pelo Departamento Nacional de
Pesquisa Mineral.
Já a água de abastecimento público (vulgarmanente conhecida como
“torneiral”), além de passar por tratamento químico e físico, tem sua
qualidade obrigatoriamente verificada por análises microbiológicas antes
de ser distribuída nas cidades. A principal é chamada CHP, sigla para
Contagem de [micro-organismos] Heteretróficos em Placa. Embora esse
teste seja feito também na água engarrafada (antes do envase), a
legislação só estabelece um valor máximo aceitável – de 500 UFC/ml (unidades formadoras de colônia por mililitro de água) – para o líquido
que vai para as torneiras. “Esse é o padrão internacional, que é seguido
pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, explica Maria
Fernanda. Mas já existe uma tendência mundial de adotar o mesmo limite
máximo também para a água de garrafa, acrescenta ela.
Maria Fernanda analisou o conteúdo de garrafas de meio litro e de 1,5
litro em 11 ocasiões ao longo de um ano, que é o prazo recomendado para
seu consumo. Já os garrafões de 20 litros passaram por cinco testes,
realizados ao longo dos 60 dias de validade do produto. Ao todo foram
324 amostras de seis marcas (não relevadas pelos autores). Além da CHP,
outras análises procuraram detectar a presença de coliformes fecais e
totais e de bactérias como a Escherichia coli e a Pseudomonas
aeruginosa, que podem causar diarreia e infecções, principalmente em
crianças, gestantes e idosos.
Os resultados mostraram que, dos três tipos de garrafa d’água, o de
20 litros foi o que apresentou mais problemas de contaminação. Em dois
terços dos 60 garrafões analisados foi encontrada contagem superior a
500 UFC/ml – às vezes chegando a incríveis 560.000 UFC/ml, mais de mil
vezes acima do padrão aceitável para a água de abastecimento.
Em dois desses galões foram detectadas ainda a bactéria P. aeruginosa
e outras do chamado grupo dos enterococos. A primeira é um ser
oportunista que pode agravar o estado de saúde de quem tem o sistema
imunológico comprometido. As últimas não são causa direta de doenças,
mas costumam ser usadas como indicadores de contaminação por esgoto. Não é de hoje que os garrafões
de água mineral apresentam problemas sanitários. Numa tentativa de
evitar o problema, uma portaria de 2011 do DNPM determinou prazo de
validade de três anos para os galões retornáveis de 10 e 20 litros.
Segundo Farache, a contaminação geralmente decorre de falhas de
higienização na indústria. “Não adianta reutilizar [o garrafão] por um
prazo limitado se ele não for lavado a cada vez que é usado.”
Esse tipo de contaminação pode ocorrer ainda na fonte, mas é mais comum durante ou após o envase. O próprio ambiente, as embalagens e as tampas são potenciais moradas dessas bactérias. Os equipamentos usados no processo, bem como os reservatórios de armazenamento podem também abrigar populações de micro-organismos contaminantes, enumeram os pesquisadores.
Ao abrigo do sol
Outra possível fonte de contaminação (ainda que indireta) é a exposição ao sol. A radiação acelera a quebra de moléculas orgânicas presentes na água (em baixíssimas concentrações), que passam a ter o tamanho ideal para virar comida de bactérias. Com alimento disponível, elas se reproduzem e a população cresce. E então, quando morrem, servem de alimento para outras bactérias.
Esse ciclo de vida e morte é uma hipótese de trabalho. Em várias amostras, os pesquisadores observaram baixa concentração de micro-organismos nos primeiros dias após o envase, que por sua vez aumentou alguns dias depois, para em seguida voltar a ser baixa. “Por enquanto é apenas uma possibilidade, mas outros estudos feitos no exterior chegaram a resultados parecidos”, diz Maria Fernanda.
Farache alerta ainda para outro tipo muito comum de contaminação dos garrafões de água mineral (que ficou fora do escopo do estudo). Ocorre no local de consumo, mas pode ser facilmente evitado. “É preciso fazer a higienização correta não só do galão como do suporte”, diz. Tanto um como o outro devem ser lavados com água sanitária, ou, pelo menos, com água clorada e sabão, a cada troca do recipiente, enfatiza o pesquisador.
Imagem/montagem: Shutterstock.
Fonte: http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/40/quem-diria
01/04/2013
O
Aedes
aegypti
e a Dengue:
uma epidemia quase irreversível
![]() |
| Remanscentes da Mata Altântica em Goiás: "Desmatamentos desordenados acabaram com o hábitat natural do mosquito" |
Prof.
Dr. Valter Machado da Fonseca
Hoje pela manhã, ouvi por uma rádio
local a chamada de uma campanha de combate à dengue. Confesso que
fiquei aterrorizado e surpreso com a suposta frase de efeito
utilizada pela locutora da referida emissora: “não
seja responsável pela morte de outras pessoas”.
Esta frase aparentemente ingênua e simples, na verdade tem um
conteúdo que escamoteia a realidade e, ao mesmo tempo, tenta jogar a
responsabilidade da epidemia da doença nas costas da população.
Não quero dizer com isso que a população não deva fazer sua
parte, muito pelo contrário, Porém, o que quero enfatizar é que o
eixo, os motivos e as consequências desta doença não devem ser
deslocados, ou seja, a verdade deve ser dita, doa a quem doer e a
sociedade é a menos culpada por este estado de coisas.
Na verdade, o surgimento do (Aedes
aegypti) vetor (transmissor da
dengue) nos centros urbanos é fruto direto do desequilíbrio
ambiental provocado pelas atividades humanas no campo, isto é, a
intervenção antropogênica (humana) no espaço agrário brasileiro,
sob a forma de atividades diversificadas como agropecuária,
mineração, desmatamentos desordenados, dentre outros fatores,
acabaram com o hábitat natural do mosquito, deslocando-o para os
centros urbanos. Ele vivia naturalmente nas matas e, ao removermos a
vegetação, quebramos seu hábitat, e, consequentemente suas fontes
de alimentos e sobrevivência. Ao quebrarmos seu hábitat natural,
ele veio para as cidades em busca de novas fontes de sobrevivência.
Na verdade, o homem já perdeu o total controle sobre a proliferação
do Aedes aegypti.
A dengue já se tornou uma moléstia epidêmica em diversas áreas e
regiões do país. Então, podemos dizer que a dengue é fruto do
desequilibro ambiental provocado pela ação humana no espaço
agrário (no campo).
No caso das regiões produtoras de
alimentos de exportação (monoculturas), como é ocaso da
mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o problema da
contaminação pelo mosquito se torna mais grave. A prática das
monoculturas (soja, cana-de-açúcar, dentre outros produtos) demanda
a remoção das vegetações. Ao removê-las, substituí-las por
espécies de monocultura, na verdade, está se promovendo uma
homogeneização das espécies vegetais, o que irá promover o
desequilíbrio biológico entre as espécies, criando, assim,
condições propícias para o surgimento de pragas e de espécies de
insetos resistentes às próprias pragas, em decorrência da
eliminação de competidores. Ou seja, estaremos, na prática,
criando as condições para que uma espécie seja hegemônica em uma
determinada área ou região, em função do desequilíbrio da
biodiversidade regional, com a eliminação de espécies competidoras
potenciais.
As ações criadas pelo poder público
para o combate à epidemia como o lançamento de fumaça inseticida
(fumacê) surtiu algum efeito apenas no início do processo. Tal
prática acabou propiciando a seleção de mosquitos mais resistentes
ao inseticida, os quais iniciaram um novo ciclo de vida de vetores
selecionados e mais resistentes. Então, infelizmente, o combate ao
vetor (Aedes aegypti)
tem se tornado, cada dia mais complicado. O combate às fontes de
incubação do inseto (águas paradas) já está se tornando
ineficaz, em função das novas características da subespécie de
inseto que se torna mais resistente. Então, a solução real para o
problema do controle do Aedes aegypti e, consequentemente da dengue,
pode estar muito mais relacionado com as formas de minimizar o
desequilíbrio ambiental no campo do que com o combate aos próprios
criadouros urbanos (fontes de água parada). Nas reais condições de
desequilíbrio ambiental provocado pelo próprio ser humano, o
pequenino Aedes aegypti
tem se tornado um gigante diante do todo poderoso homo
sapiens, que tem se tornado
ínfimo e irrisório diante deste frágil e delicado inseto
Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor
pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pesquisador e
professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE).
machado04fonseca@gmail.com
23/03/2013
A arte de transformar lixo em artesanato
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| Origami feito com papel reaproveitado de publicidade |
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| Oficinas de origami e artesanato reciclado ministrado no Sesc Caldas Novas |
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| Árvore de pneu |
Mandalas feitas de cds
|
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| Kusudama feito com papel color set branco e decorado com flores de biscuit e fio de miçanga de colar usado |
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| Dina Sousa com uma de suas criações, vela de garrafa pet e estrelas de garrafa pet |
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Torta de sobras de legumes e cascas de cenoura
|
Forminhas de papel e origami para casamentos
|
Sacolinhas de papel reaproveitado e flores de quilling
|
| Bolsas de origami, feitas com revistas, conhecidas como candy bags |
Caixa decorada com arabescos de rolinhos de revista
|
Origamis - fotos: Dina Sousa
|
Por Adriane Gonçalves
Revista Ecológica
Formada em Ciências Sociais, Dina trabalhou mais de 17 anos nas áreas de
marketing e webmarketing. Mas mesmo amando o que fazia, foi no
artesanato que ela encontrou sua grande realização. O que a princípio
começou como hobby, hoje é sua principal fonte de renda.
Segundo Dina, desde pequena ela faz artesanato. “Fiz alguns cursos, mas
atualmente aprendo pela internet e vou testando. Eu assistia muitos
programas de TV tipo o ‘Note e Anote’ e via como eles faziam, depois
fazia tudo do meu jeito. Hoje em dia, olho para o material que tenho e
falo: hum... o que posso fazer com isso? (sic)”, confessa.
| Dina, feliz com sua criatividade lucrativa |
Com revistas velhas a artesã faz jogo americano, painel de parede,
cestas e até bolsa feminina estilo maxi carteira. Os jornais são
transformados em flores, rosas, camélias e cestas. E com garrafas PET
ela faz luminárias, flores, estrelas, brinquedos infantis, dentre outras
coisas.
Ela tenta aproveitar ao máximo todos os materiais disponíveis. Quase
nada é jogado fora. “Desmonto alguns colares de bijuteria e uso na
confecção dos móbiles. Procuro utilizar galhos de arvores que estão no
chão pra fazer a estrutura dos mobiles e também dá pra usar uma
estrutura velha e quebrada de um guarda-chuva pra fazer uma luminária de
origami iluminada com LEDs. Eu uso tudo o que posso, pra evitar deixar
no lixo contaminando o planeta”, afirma Dina.
Na casa da artesã, nem mesmo as cascas das frutas e legumes são
desperdiçadas. Vegetariana, ela aproveita cascas de cenoura, beterraba,
abobrinha para fazer tortas de liquidificador. Faz salada de azeitona
com casca de pepino e doces com casca de melancia e banana.
Nascida em São Sebastião do Paraíso (MG), Dina mudou-se para o município
de Caldas Novas no ano de 2005, para tratar de um problema na coluna
(fibromialgia). “As águas quentes daqui me foram recomendadas e achei
que era um bom lugar para morar”, alega. “Como sempre fui preocupada com
questões ambientais e sustentabilidade, vi um mercado pouco explorado
em Caldas Novas, que é uma cidade turística, mas que gera um volume
altíssimo de lixo”.
Em 2006 aprendeu origami com um membro da Igreja Messiânica (religião
japonesa) e não parou mais. No inicio ela fazia para presentear amigos e
não demorou muito para começar a receber encomendas.
Atualmente a artesã ministra oficinas de artesanato com material
reciclável e origami e ainda faz decoração de festas e eventos. No ano
passado ela foi convidada pelo Sesc de Caldas Novas para ser responsável
pela decoração de Natal e Réveillon. Na última sexta-feira, (15/03),
Dina lançou no Facebook suafunpage “Dina Origamis Especiais”
e garante ter recebido pedidos de encomendas no mesmo dia. “Toda vez
que posto alguma foto das minhas criações, tenho pelo menos uma
encomenda. Desse jeito vou ter que contratar pessoas para me ajudar”,
confirma.
Além da página no Facebook, quem tiver interesse em comprar as peças de
origami, elas também estão disponíveis no endereço eletrônico:http://comprascaldasnovas.com.br/produto/Origami.html. Ou, basta ligar nos números: (64) 3455-6480 / 8142-0102 / 9275-1341.
Fonte: Revista Ecológica:
http://revistaecologica.com/artesanato/5052-a-arte-de-transformar-lixo-em-artesanato
17/03/2013
22 DE MARÇO:
Dia Internacional das Águas
![]() |
| Oceano Atlântico visto a partir de João Pessoa na Paraíba |
Prof. Dr. Valter
Machado da Fonseca*
Apresentação
Neste
dia 22 de março comemora-se mais um “Dia Internacional das Águas”.
É importante destacar que a preocupação com a conservação e
preservação dos recursos hídricos deve fazer parte de nossa agenda
cotidiana diária e não somente numa data dedicada a eles. Com o
intuito de chamar a atenção para o uso, manejo e gestão corretos
dos recursos hídricos é que apresento este breve texto sobre a água
em seus diversos estados físicos.
A
água
é a substância química mais abundante na face da Terra. Veja sua
distribuição na tabela abaixo:
RESERVATÓRIOS
DE ÁGUA DA TERRA
|
||
RESERVATÓRIO
|
%
DO TOTAL
|
VOLUME
EM
QUILÔMETROS CÚBICOS |
Oceano
|
97,25%
|
1.370.000.000
|
Calotas
polares/geleiras
|
2,05%
|
29.000.000
|
Água
subterrânea
|
0,68%
|
9.500.000
|
Lagos
|
0,01%
|
125.000
|
Solos
|
0,005%
|
65.000
|
Atmosfera
|
0,001%
|
13.000
|
Rios
|
0,0001%
|
1.700
|
Biosfera
|
0,00004%
|
600
|
TOTAL
|
100%
|
1.408.700.000
|
Fonte:
MMA1,
2001
Org.:
V.
M. da Fonseca, 2006.
Analisando
os dados da tabela , nota-se que apesar de o planeta ser constituído
em sua maioria absoluta por água, a maioria dela é imprópria para
o consumo humano e de diversas espécies de seres vivos. Percebe-se
que 97,25% dela estão nos mares e oceanos o que corresponde a
1.370.000.000 Km3,
seguido pelas calotas polares (29.000.000 de Km3)
que corresponde a 2,05% do total de água do planeta. A água
disponível para o consumo humano2
encontra-se nos reservatórios subterrâneos, nos lagos e nos rios.
PRINCIPAIS
ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
A
água é uma substância imprescindível à existência e
continuidade da vida no planeta Terra. Ao contrário do que pensam
muitos, a vida não começou na terra (nos continentes), mas nos
ecossistemas aquáticos e depois evoluiu para os continentes. Daí
pode-se inferir sua importância para a vida de todas as espécies
presentes em nosso planeta. A mídia comumente afirma que a água no
planeta vem diminuindo. Trata-se de uma informação errônea. O que
vem diminuindo é a quantidade de água potável, devido à sua
contaminação pela ação antrópica. A quantidade total de água no
planeta se mantém constante e é regulada por um mecanismo
denominado “Ciclo da Água.. No mundo todo, as principais nações
estabelecem mecanismos
de controle, gestão e regulação de seus recursos hídricos3,
pois, já preveem a escassez de água potável, num futuro próximo.
OS MARES E
OCEANOS
Os
mares e oceanos, além de serem os ecossistemas mais ricos do planeta
em biodiversidade, influem de maneira direta na formação dos vários
tipos climáticos do planeta. São também nestes ecossistemas que
ocorrem a presença dos alimentos primários para a “Cadeia ou Teia
da vida”, os plânctons
e fitoplanctons4.
Os mares e oceanos estão diretamente ligados ao processo de
precipitação pluviométrica (regime de chuvas), à formação das
massas de ar, responsáveis pela regulação climática e à formação
das correntes marinhas, outro componente essencial nos processos
climáticos e na regulação térmica das águas dos oceanos.
Este
complexo e importante ecossistema é habitado por milhões de
espécies tanto animais quanto vegetais. Pesquisas científicas
apontam que a origem de todas as espécies de seres vivos ocorreu
nestes ecossistemas.
Os
mares e oceanos representam um importante mosaico, que serve de
registro histórico das atividades geológicas durante vários
períodos da história da dinâmica da terra. A oceanografia é o
ramo das ciências responsável pelos estudos marinhos. Apesar do
avanço das pesquisas, o relevo submarino, principalmente o das
regiões mais profundas (abissais) ainda não é suficientemente
conhecido, se comparado com as pesquisas realizadas nos continentes.
A litologia5
do fundo dos oceanos não é conhecida por processos diretos, mas sim
por intermédio de dragas e sondas especiais e de conhecimentos e
experiências na área de sismologia6.
Os
mares e oceanos apresentam as seguintes feições topográficas
principais, a saber:
1
– As margens continentais, formadas pelo talude continental,
plataforma continental;
2
– A elevação continental;
3
– Os assoalhos oceânicos;
4
– Os sistemas de cordilheiras oceânicas.
A
vida de todas as espécies que habitam os ecossistemas continentais
está diretamente ligada à vida marinha, pois os mares e oceanos
além de fornecer inúmeros nutrientes para as demais espécies que
habitam os continentes, também são elementos que interferem
diretamente nas formações climáticas, no processo de precipitações
pluviométricas e na formação das correntes de ar.
É
importante destacar que este vasto ecossistema, em especial nos dias
atuais, tem sido afetado por desastres ecológicos que ameaçam a
vida de suas espécies, a exemplo de derramamento de óleos, poluição
das águas litorâneas, acúmulo de dejetos nas águas, ações de
despejos de resíduos domésticos e industriais, dentre outras ações
degradantes do ambiente marinho. A degradação do ambiente marinho
tem despertado a atenção de importantes setores da sociedade,
Organizações Não Governamentais (ONGs), as quais tem se empenhado
na proposição de ações preservacionistas para minimizar os
efeitos da ação humana sobre este ecossistema.
OS MANGUEZAIS:
ECOSSISTEMAS DE TRANSIÇÃO
Muitos
estudiosos afirmam que os mangues ou manguezais são ecossistemas de
transição entre os ecossistemas terrestres e aquáticos. Mas, o que
sabe de fato e que, no fim das contas é mais importante, é que se
constituem em ecossistemas riquíssimos em espécies responsáveis
pelo equilíbrio de vários outros ecossistemas, apesar de serem
extremamente frágeis.
O
Manguezal também é conhecido pelo nome de Mangal ou Mangue.
Trata-se de um ecossistema litorâneo, de transição entre os
ambientes terrestres e marinhos. São zonas úmidas próprias de
regiões tropicais ou subtropicais.
Os
Manguezais cumprem papéis preponderantes na manutenção das
espécies, pois são responsáveis pelo fornecimento de matéria
orgânica para os estuários, auxiliando, dessa forma, como
produtores primários de nutrientes na zona costeira dos continentes.
Estão entre os ecossistemas complexos e os mais férteis e
diversificados do planeta. A sua rica diversidade biológica faz
destas áreas grandes “berçários” naturais, tanto para espécies
do próprio ecossistema, como para outros animais, aves, moluscos,
peixes e crustáceos, que encontram nestes ambientes, as condições
ideais para sua reprodução e sobrevivência. Daí sua importância
ecológica e/ou econômica. Esses ambientes são responsáveis pela
produção de cerca de 95% dos alimentos que o homem captura no mar.
Sua manutenção é vital para as comunidades pesqueiras que habitam
o seu entorno. Em relação aos solos, a vegetação dos mangues
funciona como fixadores dos solos, impedindo a erosão e servindo
como estabilizador da linha costeira. As raízes do manguezal
funcionam como filtros para retenção dos sedimentos. Os manguezais
constituem-se em importantes bancos genéticos para a recuperação
de áreas degradadas, principalmente às afetadas por metais pesados.
É
possível a exploração sustentável dos manguezais?
Sim!
Os manguezais podem ser explorados de maneira sustentável, desde que
se observem certas particularidades. Diversas atividades podem ser
realizadas de forma sustentável nos manguezais:
- Pesca esportiva,
artesanal ou de subsistência, desde que se respeitem as épocas de
criação e procriação das espécies;
- Utilização de
madeira das árvores, desde que se assegure o correto
reflorestamento;
- Cultivo de ostras,
caranguejos e outros seres aquáticos;
- Cultivo de plantas
ornamentais, como orquídeas e bromélias;
- Atividades de
apicultura;
- Exploração do
potencial turístico, recreativo, educacional e de pesquisa
científica.
Segundo
estimavas, existem 170.000 de Km2
de manguezais, em todo o planeta. Deste total, aproximadamente 15%
(26.000 Km2)
estão distribuídos no litoral brasileiro do Estado do Amapá até
Santa Catarina. Vários destes manguezais estão sendo transformados
em áreas de preservação.
AS GELEIRAS
Cerca
de 10% (uma extensão aproximada de 15 milhões de Km2)
das áreas ocupadas pelos continentes, no globo terrestre, são
cobertas de gelo
perene7,
sem contar as áreas que se cobrem temporariamente de gelo e neve. As
geleiras constituem-se em relevantes agentes de formação geológica,
que agem sobre os processos de modelagem do relevo terrestre, além
de serem imprescindíveis para a manutenção do equilíbrio do
grande ecossistema planetário, agindo como controladoras do nível
de água dos oceanos. Elas também possuem incidência direta sobre o
clima global, uma vez que controla o nível dos oceanos, além do
que, as regiões polares e/ou de clima frio constituírem um
ecossistema riquíssimo em diversidade biológica e responsável,
ainda, pela refrigeração (ao lado da vegetação) e controle
térmico do planeta.
Há
aproximadamente 1 (um) milhão de anos atrás, quase 30% da
superfície dos continentes esteve coberta por gelo perene, portanto
uma superfície quase 3 vezes maior que a cobertura atual. Mesmo no
Brasil, isento hoje da ação do gelo, já sofreu no passado remoto,
há cerca de 200 milhões de anos, intensas atividades glaciais,
deixando numerosos vestígios em todo o sul do país. Estes elementos
e dados demonstram a importância do gelo para a compreensão das
condições climáticas das remotas eras do planeta Terra. As
atividades do gelo são muito importantes para os estudos
paleoclimáticos, possibilitando, muitas vezes ter-se uma idéia do
ambiente em tempos passados, às vezes bastante remotos.
Hoje,
estudos avançados demonstram que as calotas8
polares
(geladas) e o gelo permanente de altitude, são elementos
fundamentais para manter o equilíbrio da dinâmica da Terra.
Alterações significativas nestas condições podem mexer com a
estabilidade climática de todo o planeta, e comprometer seriamente o
equilíbrio do ambiente terrestre.
As
formas arredondadas nas pontas das montanhas de gelo indicam a
ocorrência do fenômeno do degelo destas geleiras. Nos dias atuais
este fenômeno vem se tronando mais intenso em função do
aquecimento global, ocasionado pela emissão de gases poluentes para
a atmosfera do planeta. As geleiras são constituídas de água doce,
mas que quando se derretem suas águas se incorporam às águas
salgadas dos oceanos. O derretimento das geleiras, além de
interferir no equilíbrio climático do planeta, também provoca o
aumento do nível dos mares e oceanos. O derretimento das geleiras
também tem interferido na vida de diversas espécies que habitam as
regiões no entorno das calotas polares do planeta. Além dos polos,
as geleiras são encontradas também em zonas de grandes altitudes e
são chamadas de gelo de altitude.
Nas
regiões frias e temperadas encontramos ecossistemas típicos
chamados tundra e taiga, respectivamente. São vegetações típicas
de clima frio que abrigam importantes espécies, tanto animais quanto
vegetais.
O TRATADO DA
ANTÁRTIDA
A
Antártida, também conhecida como Polo Sul, ou “Continente
Gelado”, é um ecossistema de grande importância para todas as
nações e um potencial objeto de investigação científica. O
continente situado na extremidade do Hemisfério Sul do planeta, é
um rico mosaico que abriga importantes espécies que servem de
parâmetros para as pesquisas sobre o estágio de preservação
ambiental do planeta. A investigação de sua fauna e flora pode
levar a importantes indícios sobre a qualidade da saúde ambiental
do ecossistema planetário.
As Nações
Unidas e o Tratado da Antártida
O
continente gelado adquiriu grande importância para as diversas
nações do mundo. Tanto é que um número significativo de nações
possuem bases de pesquisas científicas no continente, visando
realizar observações sobre diversos aspectos relativos à fauna,
flora, solo, paisagens, alterações climáticas, dentre outras.
O
Tratado da Antártida é um compromisso oficial datado de 1º de
dezembro de 1959, pelas nações que reivindicavam a posse de partes
do continente, visando a realização de pesquisas de caráter
meramente científicos. Os países/membros se comprometeram a
realizar tais pesquisas em regime de cooperação internacional entre
as diversas nações integrantes do acordo.
O
Brasil possui uma base de pesquisas científicas no continente
gelado. É a base militar Comandante Ferraz. Esta base já forneceu
elementos e observações significativas para o desenvolvimento de
pesquisas científicas no Brasil, bem como para o desenvolvimento de
ações de preservação ambiental em nosso país. Países que
possuem base de pesquisas científicas na Antártida: África do Sul,
Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile,
China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Equador, Espanha, EUA,
Finlândia, França, Índia, Itália, Japão, Noruega, Nova Zelândia,
Países Baixos, Peru, Polônia, Portugal, Reino Unido, Rússia,
Suécia, Turquia, Ucrânia, Uruguai.
O Tratado adota as
seguintes regras reguladoras das atividades na região:
- Assegura a liberdade de pesquisa, cujos resultados devem ser permutados e tornados livremente utilizáveis, estando prevista a presença de observadores das Partes Contratantes com acesso irrestrito a qualquer tempo e em qualquer lugar, aí incluídas todas as estações, instalações e equipamentos existentes na Antártica;
- Permite que equipamento ou pessoal militar possa ser introduzido na região, desde que para pesquisa científica ou para qualquer outro propósito pacífico;
- Exorta as Partes Contratantes a empregarem esforços apropriados, de conformidade com a Carta das Nações Unidas, para que ninguém exerça, na Antártica, qualquer atividade contrária aos princípios do Tratado;
- Admite a modificação ou emenda do Tratado a qualquer tempo, por acordo unânime das Partes, ou após decorridos trinta anos de vigência, por solicitação de qualquer uma das Partes Contratantes;
- Elege o governo dos Estados Unidos como depositário dos instrumentos de ratificação do Tratado e concede a possibilidade de adesão a qualquer Estado que seja membro das Nações Unidas;
- Estabelece que nenhuma nova reivindicação, ou ampliação de reivindicação existente, relativa à soberania territorial na Antártica, será apresentada enquanto o presente Tratado estiver em vigor e;
- Proíbe a realização de explosões nucleares e o depósito de resíduos radioativos (primeiro acordo nuclear internacional).
Então
se pode concluir que as ações desenvolvidas pelas diversas nações
que fazem parte do Tratado da Antártida são extremamente relevantes
para os estudos dos diversos ecossistemas terretres, bem como das
diversas espécies que os compõem. Assim, por intermédio de
observações do comportamento dos elementos da fuana, da paisagem,
do fenômeno do derretimento das geleiras, podem-se inferir
importantes diagnósticos sobre a saúde ambiental do planeta. Por
meio destes diagnósticos podem se promover ações, visando à
preservação de diversos ecossistemas e suas em várias partes do
globo terrestre. A triste constatação que se tem observado nos
últimos anos, em investigações científicas no “Continente
Gelado” é o elevado índice de derretimento de geleiras e
Icebergs, em decorrência do aquecimento global, fruto da ação
predadora do homem sobre o ambiente.
As
regiões alagadas e pantanosas
Outros
ecossistemas relevantes e responsáveis por manter o nível do lençol
freático são as áreas alagadas e/ou pantanosas. Estas áreas
geralmente apresentam vegetação exuberante, composta por espécies
vegetais cujas raízes se adaptam às áreas de alagamento. Possuem
uma fauna rica e composta de mamíferos (que geralmente vivem nas
copas das árvores, a exemplo dos primatas), répteis, anfíbios,
crustáceos, além de uma grande variedade de insetos. Estas áreas
geralmente possuem razoável estado de conservação, por serem de
difícil acesso e pouco propícia á ocupação humana.
Outro ecossistema importante das áreas alagadas são as
Veredas, muito comuns no Cerrado brasileiro. Segundo MALHEIROS et. aL
(2004, p.19) “Vereda é o espaço brejoso ou encharcado, que contém
nascentes ou cabeceiras de cursos d’água, onde há ocorrência de
solos hidromórficos9,
caracterizado predominantemente por renques de buritis10
do brejo (Mauritia
flexuosa) e outras
formas de vegetação típica”. Alguns estudiosos consideram as
veredas como um subsistema dentro do Cerrado. A Agência Nacional das
Águas estuda uma legislação específica para regular a exploração
das veredas, uma vez que grande parte das vezes a existência das
veredas está associada à existência de nascentes de água doce, ou
estão próximas dos corpos d’água.
O
Pantanal Mato-Grossense
O pantanal mato-grossense é considerado um dos mais
belos e mais ricos biomas do mundo. É considerado por muitos um
“santuário ecológico da humanidade. O professor Aziz Ab’Sáber,
um dos maiores geomorfólogos do mundo e professor da Universidade de
São Paulo (USP), assim disserta sobre este importante ecossistema:
Na categoria de uma grande e
relativamente complexa planície de coalescência detrítico-aluvial,
o Pantanal Mato-Grossense inclui ecossistemas do domínio dos
Cerrados e ecossistemas do Chaco, além de componentes bióticos do
Nordeste seco e da região periamazônica. Do ponto de vista
fitogeográfico, trata-se de um velho “complexo” regional, que os
mapeamentos de vegetação, elaborados a partir de documentos de
imagens de sensoriamento remoto, transformaram em um mosaico
perfeitamente compreensível da organização natural do espaço, e,
em nada, “complexo”. [...] Decorrem, disso tudo, novas e maiores
responsabilidades para os que se dedicam ao conhecimento dessa grande
depressão aluvial, localizada no centro do continente sul-americano
(AB’SÁBER, 2006, p.12).
A citação de Ab’Sáber (2006) demonstra que o
ecossistema pantaneiro é um autêntico mosaico composto por aspectos
comuns a vários outros ecossistemas brasileiros, como o Cerrado, a
Caatinga, o Chaco, a Amazônia. Assim sendo, ele se torna um
ecossistema ímpar, com particularidades não encontradas em nenhum
outro ecossistema de alagamento do planeta. Sua vegetação é
adaptada ao ambiente aquático durante o verão e terrestre em alguns
locais, no inverno. Nele habitam mais de uma centena de espécies de
aves com plumagens de todas as cores e matizes, uma grande variedade
de mamíferos, em especial os que habitam as copas das árvores como
os primatas, diversas espécies de repteis (jacarés e serpentes),
quelônios (tartarugas de diversas espécies, cágados), além de
centenas de espécies de peixes.
Por sua exuberante beleza e pelo enorme potencial
turístico e paisagístico o Pantanal Mato-Grossense e regiões
adjacentes têm chamado a atenção de turistas do mundo todo. Muitos
proprietários de terras da região têm abandonado as atividades
econômicas tradicionais da região para investir em atividades
ligadas ao ecoturismo, à pesca esportiva e recreativa, dentre outras
atividades ligadas ao setor turístico. Outros trocam as atividades
tradicionais pela construção de reservas ecológicas voltadas á
exploração sustentável das atividades de turismo e lazer. Isto tem
feito com a população local e os proprietários dos
estabelecimentos rurais passem a enxergar o ecossistema com outros
olhos. Conseguem perceber o potencial turístico-paisagístico
regional, como forma de investimentos em atividades sustentáveis,
preservando, desta maneira, as espécies que valorizam o ecossistema.
A grande maioria dos produtores rurais pantaneiros já
consegue aliar suas atividades agropecuárias com a preservação dos
recursos naturais da região. Nota-se, com esta lógica, que as
atividades turísticas quando possuem uma gestão correta e eficiente
pode auxiliar, sobremaneira, para a preservação dos recursos
naturais e das espécies que habitam os ecossistemas naturais. É
claro que o Pantanal enfrenta, como todo ecossistema nos dias atuais,
problemas de degradação, como a matança indiscriminada de jacarés,
a pesca predatória, o desmatamento indiscriminado, o tráfico de
animais silvestres, dentre outras formas de degradação. Mas seus
moradores têm dado passos decisivos no sentido de superação destes
problemas.
Rios, lagos, riachos,
córregos e ribeirões
Os corpos d’água superficiais, em especial os rios,
riachos e ribeirões são originados de afloramentos dos
reservatórios de água subterrâneas, denominados de nascentes.
Estes corpos d’água possuem canais de drenagem protegidos por
vegetações que os margeiam denominadas matas
ciliares11.
Estes corpos d’água superficiais são as principais fontes de água
potável para o consumo humano. Hoje em dia, infelizmente, as fontes
de água potável estão sendo cada vez mais ameaçadas pela ação
degradante do homem sobre a natureza.
É muito comum, na atualidade, o despejo de dejetos
domésticos e industriais diretamente nos corpos d’água. A remoção
das matas ciliares deixa as margens dos rios totalmente expostas aos
processos erosivos e ao assoreamento do leito dos rios. A destruição
da vegetação das nascentes, do mesmo modo, deixam-nas expostas aos
processos de degradação e poluição, chegando por muitas vezes, à
própria extinção de várias nascentes. Estes processos de poluição
e degradação das águas superficiais fez com que os órgãos
fiscalizadores criem legislações fiscalizadoras, reguladoras, além
de mecanismos que visem a gestão mais eficiente dos recursos
hídricos. A legislação atual transforma as nascentes, por exemplo,
em Áreas de Proteção Permanente (APPs), com legislação e
regulamentação próprias. Em grande parte das vezes os produtos
químicos advindos dos insumos agrícolas e agrotóxicos, os resíduos
industriais provenientes dos polos industriais, das atividades de
mineração, dentre outras, acabam por extinguir a vida de todas as
espécies desses ecossistemas, em longos percursos desses corpos
d’água.
O acúmulo de matéria orgânica dentro dos rios faz
aumentar o número de microorganismos e bactérias consumidoras de
oxigênio. Com a falta de oxigênio há extinção de todos os seres
vivos aeróbicos. Nesses locais se faz necessário as pesquisas para
verificar a DQO12
e DBO13,
visando garantir a capacidade de auto-purificação das águas.
Nestes casos é comum a introdução de espécies vegetais, como
microorganismos e algas (anaeróbicas) produtoras de oxigênio. A
introdução dessas espécies faz com que a produção de oxigênio
volte aos níveis anteriores (antes do acúmulo de matéria orgânica)
devolvendo novamente ao rio, sua capacidade de auto-purificação.
Neste sentido, em alguns locais é necessário a
recomposição da vegetação de nascentes e matas ciliares dos rios
e seus afluentes. Em outros locais é preciso realizar todo o
processo de revitalização desses ecossistemas. Neste tópico
trataremos da análise das ações relativas à proteção das
nascentes e das matas ciliares.
RECOMPOSIÇÃO DE MATAS CILIARES
Em
locais onde não existem matas ciliares ou estão muito degradadas,
elas devem ser repostas. Existem espécies vegetais próprias para
recomposição dessas matas. Mas, antes de se iniciar o replantio
deve-se realizar um estudo para verificar as espécies que existem ou
que existiram nas proximidades, de maneira a realizar o
reflorestamento com as mesmas espécies que existiam no local.
Porém, é recomendável a utilização de, pelo menos
uma boa parcela, de mudas de espécies frutíferas. As árvores
frutíferas têm a finalidade de trazer de volta a fauna,
principalmente aves e insetos (a abelha, em especial, é muito
importante para a polinização). As árvores frutíferas, além de
trazer de volta a fauna regional, também produzem alimentos para
diversas espécies de peixes que se alimentam de seus frutos. Cuidar
das matas ciliares é uma das formas de manter a vida das espécies
do ecossistema, além de proteger o curso d’água dos processos
erosivos e do assoreamento.
Os
ecossistemas
formados pelas matas ciliares desempenham suas funções hidrológicas
das seguintes formas:
- Estabilizam a área crítica, que são as ribanceiras do rio, pelo desenvolvimento e manutenção de um emaranhado radicular;
- Funcionam como tampão e filtro entre os terrenos mais altos e o ecossistema aquático, participando do controle do ciclo de nutrientes na bacia hidrográfica, através de ação tanto do escoamento superficial quanto da absorção de nutrientes do escoamento subsuperficial pela vegetação ciliar;
- Atuam na diminuição e filtragem do escoamento superficial impedindo ou dificultando o carregamento de sedimentos para o sistema aquático, contribuindo, dessa forma, para a manutenção da qualidade da água nas bacias hidrográficas;
O
principal papel desempenhado pela mata ciliar na hidrologia
de uma bacia
hidrográfica pode
ser verificado na quantidade de água do deflúvio. Em estudos
realizados para verificar o processo de filtragem superficial e
subsuperficial dos nutrientes, nitrogênio,
fósforo,
cálcio,
magnésio
e cloro;
através da presença da mata ciliar, as conclusões foram as
seguintes:
- A manutenção da qualidade da água em microbacias agrícolas depende da presença da mata ciliar;
- A remoção da mata ciliar resulta num aumento da quantidade de nutrientes no curso de água;
- Esse efeito benéfico da mata ciliar é devido à absorção de nutrientes do escoamento subsuperficial pelo ecossistema.
PRESERVAÇÃO DAS NASCENTES
Entende-se
por nascente o afloramento do lençol freático, que vai dar origem a
uma fonte de água de acúmulo (represa), ou cursos d’água
(regatos, ribeirões e rios).
Em
virtude de seu valor inestimável dentro de uma propriedade agrícola,
deve ser tratada com cuidados especiais.
Segundo
Calheiros et. al (2004, p.13):
[...] além da quantidade de água
produzida pela nascente, é desejável que tenha boa distribuição
no tempo, ou seja, a variação da vazão situe-se dentro de um
mínimo adequado ao longo do ano. Esse fato implica que a bacia não
deve funcionar como um recipiente impermeável, escoando em curto
espaço de tempo toda a água recebida durante uma precipitação
pluvial. Ao contrário, a bacia deve absorver boa parte dessa água
através do solo, armazená-la em seu lençol subterrâneo e cedê-la,
aos poucos, aos cursos d’água através das nascentes, inclusive
mantendo a vazão, sobretudo durante os períodos de seca.
As
nascentes, cursos d’água e represas, embora distintos entre si por
várias particularidades quanto às estratégias de preservação,
apresentam como pontos básicos comuns o controle da erosão do solo
por meio de estruturas físicas e barreiras vegetais de contenção,
minimização de contaminação química e biológica e ações
mitigadoras de perdas de água por evaporação e consumo pelas
plantas. Deve-se estar ciente de que a adequada conservação de uma
nascente envolve diferentes áreas do conhecimento, tais como
hidrologia, conservação do solo, reflorestamento, etc.
Importante!
As
nascentes localizam-se em encostas ou depressões do terreno ou ainda
no nível de base representado pelo curso d’água local; podem ser
perenes (de fluxo contínuo), temporárias (de fluxo apenas na
estação chuvosa) e efêmeras (surgem durante a chuva, permanecendo
por apenas alguns dias ou horas).
Cobertura vegetal
das nascentes
Toda
nascente, por sua importância, é considerada pela legislação que
regula a gestão de recursos hídricos, como Área de Preservação
Permanente (APP). Sendo assim, existem leis que regulam a disposição
da cobertura vegetal de proteção das nascentes, locais e disposição
de construções e edificações em áreas de nascentes, localização
de estradas, dentre outros fatores que visem a proteção da APP.
A
Figura, a seguir, mostra como deve ser a disposição, bem como o
tipo de vegetação de proteção das nascentes.
Figura
11: Distribuição
esquemática adequada das diferentes coberturas vegetais e usos em
relação à nascente.
Fonte:
Calheiros et. al (2004, p.27)
Então,
a partir deste dia 22 de março vamos procurar aliar nossa
consciência com ações práticas efetivas, no sentido de
preservação do grande tesouro hídrico brasileiro, em especial os
reservatórios de água potável. Pois, ela (a água) é a essência
da existência da vida em todas as suas formas, desde as mais simples
até as mais complexas, inclusive a espécie humana.
Referências:
A’B SÁBER, Aziz
Nacib. Brasil:
paisagens de exceção:
o litoral e o Pantanal Mato-Grossense: patrimônios básicos. Cotia
(SP): Ateliê Editorial, 2006.
______. Os
domínios de natureza no Brasil:
potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
BRASIL, Ministério
do Meio Ambiente. Preservação
dos Recursos Hídricos.
Brasília (DF), 2008.
CALHEIROS R. de
Oliveira et. al. Preservação
e Recuperação das Nascentes.
Piracicaba: Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios PCJ – CTRN,
2004.
FONSECA, Valter
Machado da. SINAL DE ALERTA:Amazônia, o bioma ameaçado. In: IV
Fórum Ambiental da Alta Paulista, 21 a 24 de julho de 2008, Estância
Turística de Tupã (SP), CD-ROM
(Anais).
ISSN: 1980-0827.
________.Um bioma em
extinção: a expansão da fronteira agrícola no Cerrado Brasileiro.
In: IV Fórum Ambiental da Alta Paulista, 21 a 24 de julho de 2008,
Estância Turística de Tupã (SP), CD-ROM
(Anais).
ISSN: 1980-0827.
ROSS, Jurandir
Luciano Sanches (Org.). Geografia
do Brasil.
São Paulo: Edusp, 1995. – (Didática; 3).
* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Pós-doutorando em recuperação de áreas
degradadas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Professor e pesquisador da Universidade de Uberaba (UNIUBE).
1Brasil
- Ministério do Meio Ambiente – Governo Federal.
2
Do total de água potável disponível na Terra, 12% estão em
território brasileiro.
3
No Brasil, o organismo responsável pela gestão e controle dos
recursos hídrico é a Agência Nacional das Águas (ANA).
4
São tipos de algas e/ou organismos microscópicos presentes nas
águas dos mares e oceanos, que se constituem em fonte primária de
alimentação de espécies animais e necessários também para o
início do processo da fotossíntese, enfim, são organismos
essenciais para o início da cadeia alimentar.
5
O termo litologia refere-se à composição das rochas e das
estruturas geológicas.
6
Sismologia é o ramo do conhecimento científico que trata,
especificamente, do estudo das ondas sonoras e eletromagnéticas,
principalmente as ondas sísmicas.
7
Gelo perene é aquele gelo que permanece durante todo o ano, são
permanentes. São extremamente importantes para o equilíbrio
ecológico do planeta e pelo controle e regulagem do atual nível
dos oceanos.
8
Denominam-se Calotas Polares às regiões situadas em torno dos
pólos, constituídas essencialmente de gelo perene.
9
Solos hidromórficos são aqueles que possuem afinidade para a
retenção de água.
10
Espécie de palmeira muito comum nos brejos e nas regiões alagadas,
principalmente nas veredas. É um excelente indicador da presença
de água e de ambientes preservados. Infelizmente, grande parte das
veredas tem sido destruída com a ocupação agrícola do Cerrado.
11
O termo “ciliares” é uma analogia aos cílios que protegem os
nossos olhos. Assim como os cílios protegem os olhos, a vegetação
que acompanha os canais de drenagem protege os rios, riachos,
ribeirões e lagos.
12
Demanda Química de Oxigênio.
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